O governo da Inglaterra anunciou nesta segunda-feira, 4 de janeiro de 2021, um novo lockdown nacional para conter o avanço da COVID-19 no país. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, comunicou as medidas restritivas em pronunciamento oficial, determinando que a população permaneça em casa e que apenas serviços essenciais funcionem.

A decisão foi motivada pelo crescimento acelerado de casos e hospitalizações causados pela nova variante do coronavírus, identificada no Reino Unido nas semanas anteriores. O sistema de saúde britânico, o NHS, enfrentava pressão crescente com o aumento de internações em UTIs.

Diferentemente do primeiro lockdown, em março de 2020, o novo confinamento manteve as escolas fechadas e ampliou as restrições a setores não essenciais. No entanto, uma diferença importante chamou a atenção dos amantes do futebol: a Premier League não será paralisada.

Premier League continua

A liga de futebol inglesa, considerada uma das mais importantes do mundo, recebeu autorização para seguir com os jogos, desde que respeitando protocolos sanitários rigorosos. A decisão acompanhou o entendimento de que o esporte de elite pode ser realizado com segurança em ambiente controlado, sem público presente nos estádios.

Os jogos da Premier League vinham sendo realizados com testes regulares de COVID-19 em jogadores e funcionários, além de medidas como distanciamento social nos vestiários, transportes separados e higienização constante dos equipamentos. Nas primeiras semanas de janeiro de 2021, a liga registrou alguns adiamentos pontuais devido a surtos em clubes, mas manteve a maior parte da rodada em dia.

A decisão de manter o futebol profissional em atividade foi bem recebida por clubes e torcedores, que temiam uma paralisação prolongada como a ocorrida no início da pandemia, em março de 2020, quando a temporada foi suspensa por três meses.

Reações e impacto

A notícia gerou reações mistas entre a população. Enquanto muitos torcedores comemoraram a possibilidade de seguir acompanhando seus times pela televisão e plataformas de streaming, profissionais da saúde alertaram para o risco de aglomerações em comemorações e festas informais. O governo britânico reforçou que as partidas devem ser assistidas exclusivamente em casa, sem encontros presenciais.

Jogadores e técnicos também se manifestaram. Alguns clubes relataram preocupação com a saúde dos atletas, mas a maioria apoiou a continuidade da competição desde que os protocolos fossem seguidos à risca. A Premier League divulgou comunicado afirmando que as medidas de segurança seriam reforçadas e que testes continuariam sendo realizados semanalmente em todos os envolvidos.

Cenário epidemiológico

O Reino Unido enfrentava, em janeiro de 2021, uma das piores ondas da pandemia. O país registrava mais de 50 mil novos casos diários e a variante identificada no sudeste da Inglaterra era considerada entre 50% e 70% mais transmissível. O lockdown anunciado no dia 4 de janeiro foi descrito por Boris Johnson como "o momento mais difícil da pandemia" até então.

As medidas incluíram a proibição de reuniões entre diferentes núcleos familiares, fechamento do comércio não essencial, restaurantes apenas para delivery e a recomendação de trabalho remoto sempre que possível. A expectativa era de que o confinamento durasse até meados de fevereiro, quando os grupos prioritários da vacinação — iniciada em dezembro de 2020 — já tivessem recebido a primeira dose.

Vacinação em andamento

O Reino Unido foi um dos primeiros países a iniciar a campanha de vacinação contra a COVID-19, em dezembro de 2020, com os imunizantes da Pfizer/BioNTech e da AstraZeneca/Oxford. Até o início de janeiro, mais de 1 milhão de pessoas já haviam recebido a primeira dose, com prioridade para idosos, profissionais de saúde e moradores de instituições de longa permanência.

A expectativa do governo era vacinar cerca de 15 milhões de pessoas até meados de fevereiro, incluindo todos os maiores de 70 anos e profissionais da linha de frente. A campanha acelerada era vista como a principal esperança para aliviar a pressão sobre o sistema de saúde e permitir a flexibilização gradual das restrições.

Impacto no calendário esportivo

Além da Premier League, outras competições esportivas de elite seguiram autorizadas, como a FA Cup, a Champions League e a Europa League. A temporada 2020/21 do futebol inglês já havia começado em setembro com portões fechados e protocolos rígidos. O novo lockdown não alterou significativamente a programação, embora alguns jogos tenham sido adiados por surtos localizados.

A decisão de manter o esporte profissional contrastou com as restrições impostas ao esporte amador e ao lazer ao ar livre, que foram limitados a atividades individuais ou com moradores do mesmo domicílio. Academias e centros esportivos permaneceram fechados durante o lockdown.

Lições e perspectivas

O lockdown de janeiro de 2021 na Inglaterra foi um marco na gestão da pandemia no país. O exemplo britânico mostrou que era possível conciliar medidas restritivas severas com a continuidade de atividades essenciais e do esporte profissional, desde que houvesse planejamento e adesão a protocolos sanitários.

A experiência também evidenciou a importância da testagem em massa, do rastreamento de contatos e da vacinação acelerada como ferramentas para controlar a pandemia sem paralisar completamente a economia e a sociedade.