Desde que assumiu, Alberto Fernández - um político visto como da esquerda moderada dentro do peronismo - instituiu uma série de mecanismos de controle cambial para tentar brecar a saída de dólares.

Mas recorda que, em um passado não tão distante, o antecessor de Fernández, Mauricio Macri, segurou as remessas de lucros de empresas estrangeiras para o exterior.

No início de 2020, diante da inflação explosiva, Fernández anunciou o congelamento de preços de uma série de produtos, medida que tentava segurar o avanço da pobreza, que hoje atinge 40% da população argentina, mas que também contribuiu para deteriorar o ambiente de negócios.

Além da Ford, anunciaram recentemente novos investimentos na Argentina as montadoras japonesas Nissan e a Toyota - o que, para o economista argentino Martín Kalos, da EPyCA Consultores, reforça que o país não vive uma fuga de empresas estrangeiras, apesar de ter hoje um ambiente de negócios que, de maneira geral, desestimula o investimento produtivo.

Entrariam na conta os empregos diretos - os funcionários que trabalham para Ford - e vagas em empresas que prestam serviços para a montadora ou fornecem insumos para a produção de automóveis.

Apesar de que a ideia de deixar o país estivesse sendo amadurecida “há anos”, segundo Padovan - a fábrica em Camaçari, disse ele, era uma espécie de “Projeto de salvação” para tentar manter a operação -, o anúncio pegou os brasileiros de surpresa nesta segunda.

A estratégia de comunicação, para o consultor, “não foi a melhor”, e se assemelhou utilizada em 2019 também pela Ford por ocasião do encerramento das operações da fábrica de caminhões em São Bernardo, quando nem os funcionários tinham ideia de que seriam demitidos.

Este artigo foi resumido em 79%

Originalmente Publicado: 13 de Janeiro de 2021 às 13:50

Fonte: Globo