A realização do Enem 2020, que ocorreria originalmente em novembro, foi remarcada para os dias 23 e 24 de fevereiro de 2021. A decisão, amplamente noticiada pelo G1, permitiu que autoridades locais de diversas cidades brasileiras adaptassem o calendário do exame às condições sanitárias da pandemia de COVID-19. Essa medida inédita foi uma resposta às críticas de que manter a data original colocaria em risco a saúde de milhões de estudantes e profissionais envolvidos na aplicação das provas.
Decisão Local
A autonomia concedida aos municípios foi um dos pontos mais debatidos na cobertura jornalística. Cidades que argumentaram estar em situação de emergência sanitária, ou que não dispunham de estrutura para garantir o distanciamento social, puderam optar pelo adiamento. Com isso, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) precisou se reorganizar logisticamente para atender a essa demanda, confirmando as novas datas de aplicação.
A determinação legal que permitiu essa flexibilização partiu do STF. O tribunal entendeu que, embora a União fosse responsável pela organização do exame, as peculiaridades locais deveriam ser respeitadas. Dessa forma, o calendário do Enem foi oficialmente estendido, e as provas foram reagendadas para o final de fevereiro.
Protocolo Sanitário
Para a aplicação em fevereiro, o Inep estabeleceu um protocolo sanitário rigoroso, alinhado às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. Entre as medidas, destacaram-se a redução da capacidade das salas, o uso obrigatório de máscaras, a aferição de temperatura na entrada e a oferta de álcool em gel. Os candidatos foram orientados a levar sua própria caneta e garrafa de água para evitar o compartilhamento de objetos.
Impacto nos Inscritos
A possibilidade de adiamento gerou um alívio para muitos estudantes que temiam pela própria saúde. No entanto, a mudança também trouxe desafios. Com a prova sendo aplicada em pleno verão brasileiro e durante o período de férias escolares, muitos candidatos precisaram ajustar suas rotinas de estudo. O G1 repercutiu depoimentos de alunos que enfrentaram dificuldades para se preparar, especialmente aqueles que não tinham acesso à internet de qualidade para o ensino remoto.
Abstenção e Consequências
O Enem 2020 registrou um recorde de abstenção — mais da metade dos inscritos não compareceu. Esse índice elevado foi atribuído tanto ao medo do contágio quanto às dificuldades de locomoção e à desmotivação gerada pelo contexto da pandemia. As provas foram aplicadas em mais de 1.700 municípios, e o resultado final serviu de base para o ingresso no ensino superior por meio do Sisu, Prouni e Fies.
Fonte: G1