Enquanto o mundo registra mais de dois milhões de mortes causadas pela Covid-19 , com o Brasil correspondendo a 10% desse total, muitos obstáculos precisam ser superados pelo Ministério da Saúde para dar início, o quanto antes, vacinação em massa a população contra o novo coronavírus.

De acordo com Melissa Palmieri, coordenadora médica do Grupo Pardini e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Imunizações Regional São Paulo e da Vigilância Epidemiológica de São Paulo, a demora na compra de vacinas e insumos pelo governo federal, os acordos com poucos laboratórios, o atraso nos pedidos de autorização das doses no Brasil e o aumento no número de brasileiros antivacina são alguns dos entraves a serem vencidos.

“O governo federal vem sendo criticado por ter deixado outras farmacêuticas de lado e apostado todas as fichas na vacina de Oxford - que será produzida pela Fiocruz - e, recentemente, a Coronavac do Instituto Butantan. Mas era necessário que o Ministério da Saúde fechasse acordos com o maior número possível de farmacêuticas até começar a produção nacional.”

Oficialmente, há um prazo máximo de 60 dias para a aprovação ou não de uma vacina após o pedido feito pelas farmacêuticas, mas a própria Anvisa informou que cobrou o Instituto Butantan e a Fiocruz por ainda não ter todos os dados necessários para análise e posterior liberação das duas vacinas.

“As próximas compras devem sair mais cara do que o esperado e com preço acima do que poderia ter sido pago no meio do ano passado. O mercado, hoje, vive falta de produtos em meio alta demanda. Assim como faltaram álcool em gel e máscara no início da pandemia”, explica Rodrigo Correia da Silva, CEO da Suprevida e especialista em Regulação e em Relações Governamentais.

“Uma campanha de vacinação depende da adesão da população para funcionar: vacinas não são remédios e só funcionam se, no mínimo, 70% da população forem vacinados - sendo que o ideal acima de 90%. Caso contrário, o vírus continua a circular”, explica a médica Melissa.

Contudo, o início da imunização dos brasileiros depende de duas coisas : a chegada de vacinas estrangeiras e a aprovação da Anvisa para uso emergencial da CoronaVac e vacina de Oxford.

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Originalmente Publicado: 17 de Janeiro de 2021 às 08:00

Fonte: Ig.com.br