Porque se olharmos para estes últimos 20 anos, objetivamente, pode-se argumentar que existem coisas que estão no lado positivo dos resultados, mas há outras coisas que claramente não estão e não tenho certeza se era isso o que os líderes do país esperavam que aconteceria 20 anos depois.

No início, ele operava de forma mais independente, mas entre 2004 e 2005 mudou o nome de sua rede para Al Qaeda no Iraque, e desencadeou uma escalada inacreditável de carnificinas dentro do país para tentar reforçar divisões sectárias entre sunitas e xiitas e árabes e curdos e desintegrar o país, o que obviamente faria com que fosse muito difícil para os Estados Unidos permanecerem em solo iraquiano.

E isso começou da semente que os EUA plantaram anos antes com a decisão de invadir o Iraque, quando os políticos em Washington pensaram que nos livraríamos de Saddam Hussein, teríamos um novo governo iraquiano no poder que seria aceito pelo povo e o Iraque acabaria se tornando uma democracia ocidental.

Então, o Afeganistão ao longo do tempo e da história levou ao fim desses impérios globais, e espero que isso não signifique o fim da hegemonia global americana, mas depois de alguns trilhões de dólares gastos e das terríveis baixas que as tropas dos EUA sofreram, além de obviamente, o impacto para os afegãos, os historiadores vão olhar para trás a partir da perspectiva dos EUA e dizer que de alguma forma nos perdemos quando seguimos na direção da construção de uma nação que nenhum poder estrangeiro foi capaz de fazer antes.

Podemos ter um debate interessante sobre se a retirada total foi a melhor decisão, mas a forma como foi realizada pareceu precipitada, desconsiderou as complicações dessas evacuações, partimos da base da força aérea de Bagram, onde estava a maioria dos meios aéreos e, literalmente, apenas dois meses depois colocamos quase o dobro do número de tropas no solo de novo e tivemos que mover um número igualmente grande de aeronaves de volta ao país para tirar dezenas de milhares de pessoas do Afeganistão em um período de tempo realmente curto.

Dado o que restou da Al Qaeda, seus recursos, equipamentos, pessoas e dinheiro, não acho que eles tenham abandonado o foco do ataque ao Ocidente, e dado seu histórico relacionamento com o Talibã, que lhes deu guarida para lançar o ataque de 11 de setembro, o que vai acontecer agora? O Talibã vai fazer vistas grossas ou vai reprimir a Al Qaeda? E quanto ao ISIS-K? O ISIS-K conduziu dezenas, senão centenas, de ataques nos últimos cinco anos, desde que entrou em cena.

Ali - Isso algo que vimos no Iraque, quando o Estado Islâmico avançou pelo leste da Síria e o oeste do Iraque no verão de 2014 e capturou enormes quantidades de recursos fornecidos pelos EUA, principalmente armas, nos campos de batalha contra as forças de segurança iraquianas, que naquele momento específico, em sua maioria não resistiram e nem lutaram.

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Originalmente Publicado: 11 de Setembro de 2021 às 07:43

Fonte: Globo