Em 14 de setembro de 2021, a Korea Fair Trade Commission (KFTC) aplicou uma multa de 207,4 bilhões de won sul-coreanos (cerca de US$ 177 milhões) ao Google por abuso de posição dominante no mercado de sistemas operacionais móveis. A decisão concluiu que a empresa violou as leis de concorrência ao impor restrições ilegais a fabricantes de dispositivos Android, especialmente por meio dos "Acordos Antifragmentação" (AFA).
A KFTC determinou que o Google usou seu domínio no mercado de lojas de aplicativos (Google Play) para forçar fabricantes como Samsung e LG a assinar contratos que proibiam o desenvolvimento de versões modificadas do Android (conhecidas como "forks"). Essas práticas impediram que concorrentes como a Amazon (Fire OS) ou fabricantes locais criassem sistemas operacionais alternativos baseados em Android, limitando a concorrência e a inovação no setor.
De acordo com o regulador sul-coreano, as amarras contratuais também fortaleceram a posição do Google no mercado de buscas online, já que o Google Search vinha pré-instalado como condição para o licenciamento da Play Store. A prática dificultou a entrada de novos mecanismos de busca e de plataformas como o Tizen, da Samsung, que poderiam oferecer alternativa ao ecossistema Google.
O Google contestou a decisão, afirmando que o Android é uma plataforma aberta e que os fabricantes podem optar por não usar os serviços da empresa. A gigante das buscas também argumentou que os acordos antifragmentação são importantes para garantir a compatibilidade, a segurança e a experiência do usuário no ecossistema Android. A KFTC, no entanto, entendeu que a posição dominante do Google torna essas "escolhas" inviáveis na prática e que as restrições tiveram efeitos anticompetitivos reais.
Esta multa se soma a uma série de sanções antitruste contra o Google ao redor do mundo. Em 2018, a União Europeia aplicou uma multa recorde de 4,34 bilhões de euros por práticas relacionadas ao Android. O caso coreano reforça a tendência global de reguladores buscarem limitar o poder de mercado das grandes empresas de tecnologia, promovendo mais concorrência e inovação no setor de sistemas operacionais móveis. O Google pode recorrer da decisão na Justiça sul-coreana.