Em meados de setembro de 2021, o Brasil voltou a registrar um aumento na média móvel de mortes por Covid-19, interrompendo uma sequência de semanas de estabilidade ou queda. O país contabilizou 731 novos óbitos pela doença em 24 horas, um número que acendeu o alerta das autoridades sanitárias sobre a circulação da variante Delta e a necessidade de acelerar a vacinação.
A volta da média móvel
Após o brutal pico de mortes registrado entre março e maio de 2021, impulsionado pela variante Gama (P.1), o Brasil observou uma lenta e gradual melhora nos indicadores. No entanto, o boletim divulgado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) no dia 15 de setembro de 2021 mostrou que a média móvel de óbitos havia voltado a subir. Especialistas apontavam que a alta estava diretamente relacionada à maior disseminação da variante Delta, que já era dominante em diversos países e começava a ganhar espaço no Brasil.
Variante Delta e o avanço dos casos
A variante Delta (B.1.617.2), identificada pela primeira vez na Índia, é significativamente mais transmissível do que as cepas anteriores. Estudos indicavam que sua capacidade de infecção era muito superior à da variante Gama, o que explicava o aumento de casos mesmo em regiões onde a vacinação já havia avançado. A Delta encontrou no Brasil um cenário de flexibilização das medidas de restrição e baixa adesão ao distanciamento social, facilitando sua propagação.
Cenário da vacinação em setembro de 2021
Em setembro de 2021, a campanha de vacinação brasileira já havia aplicado a primeira dose em grande parte da população adulta, e a segunda dose avançava em ritmo acelerado. Idosos e profissionais de saúde começavam a receber a dose de reforço. No entanto, a cobertura vacinal completa ainda não era suficiente para conter totalmente o avanço do vírus, especialmente em populações mais jovens e em cidades do interior, onde a vacinação estava mais atrasada. A circulação da variante Delta exigia uma cobertura vacinal muito alta para interromper a cadeia de transmissão.
Impacto nos estados e nas internações
O aumento da média móvel não era uniforme no território nacional. Estados das regiões Sul e Centro-Oeste, como Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, foram alguns dos primeiros a registrar alta consistente nos óbitos e nas taxas de ocupação de leitos de UTI. Especialistas atribuíram esse fenômeno à combinação da entrada da variante Delta com o inverno rigoroso no Sul, que favorece a transmissão de vírus respiratórios. Sistemas de saúde locais começaram a sentir a pressão, embora em escala menor que no pico da variante Gama.
Prevenção e cuidados necessários
Diante do novo cenário, infectologistas e órgãos de saúde voltaram a recomendar enfaticamente o uso de máscaras de alta proteção (como a PFF2/N95), a manutenção do distanciamento social sempre que possível e a ventilação adequada de ambientes fechados. A mensagem era clara: a vacina era a principal ferramenta, mas medidas não farmacológicas continuavam essenciais para conter a transmissão. A população foi orientada a completar o esquema vacinal e a não relaxar os cuidados, mesmo em cidades com alta cobertura.
Perguntas frequentes
O que é a média móvel de mortes?
A média móvel de mortes é um indicador epidemiológico que calcula a média do número de óbitos dos últimos 7 dias. Ele é utilizado para suavizar variações diárias e mostrar a tendência real da pandemia, eliminando ruídos de notificações atrasadas ou de finais de semana.
Por que a média subiu mesmo com a vacinação avançando?
A vacinação reduz drasticamente o risco de casos graves e mortes, mas nenhuma vacina tem 100% de eficácia, especialmente contra a infecção. A variante Delta, por ser muito transmissível, conseguiu circular em uma parcela da população que não estava completamente imunizada ou cuja imunidade já começava a cair, gerando novos casos e, infelizmente, óbitos entre os não vacinados ou parcialmente vacinados.
O que era a variante Delta?
A variante Delta (B.1.617.2) foi uma cepa do SARS-CoV-2 classificada como "preocupante" pela OMS. Ela se destacou por sua alta transmissibilidade, sendo capaz de infectar pessoas com mais facilidade do que as cepas anteriores, o que levou a um novo aumento de casos globalmente em meados de 2021.
Quais medidas eram recomendadas na época?
Além da vacinação completa, as autoridades recomendavam o uso de máscaras de qualidade (PFF2/N95), evitar aglomerações, priorizar ambientes abertos e bem ventilados, higienizar as mãos com frequência e manter o distanciamento físico de pelo menos 1,5 metro de outras pessoas.
Com informações da CNN Brasil e boletins do Conass.