Os astronautas chineses Nie Haisheng, Liu Boming e Tang Hongbo iniciaram oficialmente o processo de retorno à Terra nesta quinta-feira, 16 de setembro de 2021, após uma missão histórica de 90 dias a bordo da estação espacial chinesa Tiangong. A Shenzhou-12, sua cápsula espacial, desacoplou-se do módulo central Tianhe às 21h (horário de Brasília), iniciando uma série de manobras precisas para a reentrada na atmosfera terrestre. O pouso está previsto para ocorrer no deserto de Gobi, na região autônoma da Mongólia Interior, um local tradicional de pouso para as missões espaciais chinesas. As equipes de busca e resgate já estão posicionadas no local para recuperar a cápsula e os tripulantes.
Detalhes da missão Shenzhou-12
A Shenzhou-12 foi lançada em 17 de junho de 2021 a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no deserto de Gobi, a bordo de um foguete Longa Marcha 2F. A acoplagem com o módulo Tianhe ocorreu cerca de seis horas e meia após o lançamento, marcando o início da primeira estadia de longa duração na nova estação espacial chinesa. Durante os 90 dias em órbita, a tripulação testou os sistemas de suporte de vida, os mecanismos de acoplagem e os braços robóticos da estação, além de realizar uma série de experimentos científicos em microgravidade.
As caminhadas espaciais (EVAs)
A tripulação realizou duas caminhadas espaciais de sucesso. A primeira ocorreu em 4 de julho de 2021, quando Liu Boming e Tang Hongbo saíram do módulo Tianhe para instalar equipamentos, incluindo uma câmera panorâmica e um sistema de suspensão para os braços robóticos. A segunda EVA aconteceu em 20 de agosto, com Nie Haisheng e Liu Boming instalando bombas de circulação e dispositivos de ancoragem para futuras expansões da estação. Ambas as atividades extraveiculares foram televisionadas ao vivo pela emissora estatal CCTV e demonstraram a capacidade da China de realizar operações complexas fora da nave.
O recorde de permanência no espaço
Antes da Shenzhou-12, a missão tripulada mais longa da China havia sido a Shenzhou-11, em 2016, que durou 33 dias. O novo recorde de 90 dias coloca a China em um patamar comparável ao das missões de longa duração realizadas na Estação Espacial Internacional (ISS). Este tempo prolongado em órbita permitiu à agência espacial chinesa (CMSA) coletar dados essenciais sobre o comportamento de seus sistemas em missões estendidas, preparando o terreno para voos de seis meses que se tornarão a norma a partir da Shenzhou-13.
Processo de reentrada e pouso
Após o desacoplamento do módulo Tianhe, a cápsula Shenzhou-12 realizou uma série de manobras para reduzir sua órbita e alinhar-se ao local de pouso. A reentrada na atmosfera ocorreu a cerca de 100 km de altitude, momento em que o escudo térmico da cápsula suportou temperaturas superiores a 2.000 °C. Uma série de paraquedas foi acionada para desacelerar a descida, culminando no pouso suave no deserto de Gobi. Helicópteros e veículos de resgate da Força Aérea Chinesa foram mobilizados para localizar a cápsula e auxiliar os astronautas na saída.
A estação espacial Tiangong
O módulo central Tianhe, lançado em abril de 2021, é o primeiro componente da estação espacial Tiangong (Palácio Celestial). Tem 16,6 metros de comprimento e 4,2 metros de diâmetro máximo, com três compartimentos: um de acoplagem, um de controle e um de habitação. A Shenzhou-12 foi a primeira das quatro missões tripuladas planejadas para a construção da estação, que deve ser concluída até o final de 2022 com a adição dos módulos de laboratório Wentian e Mengtian.
Experimentos científicos a bordo
Durante sua estadia, os taikonautas conduziram dezenas de experimentos, incluindo testes de crescimento de plantas, como alface e arabidopsis, para verificar a viabilidade de cultivo em microgravidade. Também realizaram estudos sobre o comportamento de fluidos, testes de materiais expostos ao ambiente espacial e monitoramento do próprio corpo para entender os efeitos fisiológicos de longos períodos no espaço. Esses dados são fundamentais para futuras missões de exploração lunar e marciana.
Próximos passos do programa espacial chinês
O sucesso da Shenzhou-12 abre caminho para a Shenzhou-13, que será lançada em outubro de 2021 com uma tripulação de três taikonautas e duração prevista de seis meses. A partir de 2022, a China planeja realizar duas missões tripuladas por ano para manter a estação ocupada de forma contínua. Além disso, a CMSA já anunciou planos para enviar astronautas à Lua até o final da década, utilizando uma versão mais potente do foguete Longa Marcha 9.
Perguntas frequentes (FAQ)
- Quanto tempo durou a missão Shenzhou-12? Exatos 90 dias no espaço, tornando-a a missão tripulada mais longa já realizada pela China.
- Onde pousaram os astronautas? No deserto de Gobi, na região da Mongólia Interior, norte da China.
- Quantas caminhadas espaciais foram realizadas? Duas EVAs, totalizando mais de 12 horas de atividades extraveiculares.
- Qual é a altura da estação Tiangong? O módulo Tianhe orbita a aproximadamente 380-400 km de altitude, similar à da ISS.
- Quando a estação Tiangong estará completa? A previsão é que os módulos laboratoriais sejam acoplados em 2022, completando a estação.
Pontos-chave da missão:
- Tripulação: Nie Haisheng (comandante, veterano de duas missões), Liu Boming e Tang Hongbo (estreante).
- Duração: 90 dias em órbita, recorde chinês anterior era de 33 dias.
- Estação: Módulo central Tianhe da estação espacial Tiangong.
- Atividades principais: Testes de sistemas, duas caminhadas espaciais, experimentos científicos (cultivo de plantas, dinâmica de fluidos, fisiologia).
- Veículo: Nave Shenzhou-12, foguete Longa Marcha 2F.
- Local de pouso: Deserto de Gobi, Mongólia Interior, China.