Em outubro de 2021, o presidente do Peru, Pedro Castillo, anunciou a nomeação da advogada Mirtha Vásquez como nova presidente do Conselho de Ministros, cargo equivalente ao de primeira-ministra. A escolha surpreendeu parte do cenário político peruano, mas foi amplamente elogiada por setores ligados aos direitos humanos e ao meio ambiente. Vásquez, que até então ocupava a presidência do Congresso, é conhecida por sua trajetória em defesa de comunidades indígenas e da proteção ambiental.

A nomeação ocorreu em meio a uma grave crise política no país. Castillo, que havia assumido a presidência em julho de 2021, já enfrentava forte oposição e instabilidade no gabinete. O antecessor de Vásquez, Guido Bellido, era alvo de críticas por declarações polêmicas e por sua posição considerada radical, o que dificultava o diálogo com o Legislativo e com setores moderados.

Quem é Mirtha Vásquez?

Mirtha Vásquez nasceu em Cusco e formou-se em Direito pela Universidade Nacional de San Antonio Abad del Cusco. Desde o início de sua carreira, dedicou-se à defesa dos direitos humanos, atuando em casos de violações cometidas por forças de segurança e em conflitos socioambientais. Ganhou destaque como presidente da Comissão de Justiça do Congresso, onde investigou a atuação do grupo militar "Los Sinchis" e denunciou assassinatos de lideranças indígenas durante protestos. Sua atuação lhe rendeu reconhecimento de organizações internacionais de direitos humanos.

Além da advocacia, Vásquez é uma ativista ambiental declarada. Participou de campanhas contra a mineração ilegal na Amazônia e a favor da demarcação de territórios indígenas. Em 2020, foi eleita congressista pelo partido Frente Ampla, de esquerda moderada, e rapidamente se tornou uma das vozes mais respeitadas do Legislativo peruano.

O contexto político da nomeação

O governo de Pedro Castillo começou com um gabinete fortemente influenciado pelo partido Peru Livre, de esquerda radical. Guido Bellido, o primeiro premier, era visto como um representante da ala mais radical, o que gerava atritos com o Congresso e com setores empresariais. Após uma série de crises, Castillo decidiu reformular o gabinete e escolheu Vásquez para o cargo, numa tentativa de moderar o governo e ampliar sua base de apoio.

A nomeação também foi interpretada como um aceno à comunidade internacional, que acompanhava com preocupação a instabilidade política no Peru. Vásquez, com seu perfil técnico e moderado, passou a ser vista como uma peça-chave para restaurar a confiança no governo e retomar o diálogo com diferentes setores da sociedade.

Os desafios à frente

Vásquez assumiu o cargo em um momento delicado. O Peru enfrentava uma grave crise sanitária e econômica devido à pandemia de covid-19, com milhares de mortos e uma recuperação lenta. A economia havia encolhido drasticamente, e o desemprego atingia índices recordes. Além disso, a inflação começava a pressionar o custo de vida da população.

No campo político, o Congresso peruano estava fragmentado, com diversos partidos de oposição. Para aprovar reformas e nomear ministros, Vásquez precisaria construir maiorias e negociar com forças adversas. Sua habilidade de articulação seria testada diariamente.

Outro desafio importante era a questão ambiental. O Peru é um país com imensa biodiversidade, mas também com graves conflitos em áreas de mineração, garimpo ilegal e exploração madeireira. Vásquez, como ambientalista, teria que equilibrar o desenvolvimento econômico com a proteção dos ecossistemas e dos direitos das comunidades indígenas.

Reações e expectativas

Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, saudaram a escolha, destacando o compromisso de Vásquez com a justiça e a transparência. Movimentos indígenas e ambientais também comemoraram, vendo na nomeação uma esperança de que suas pautas fossem priorizadas.

Por outro lado, setores conservadores e empresariais reagiram com cautela. Alguns analistas apontaram que o histórico de Vásquez em processos contra empresas de mineração poderia gerar insegurança jurídica. No entanto, a maioria das críticas concentrava-se mais na instabilidade política do que no perfil da nova premier.

Nas primeiras declarações como primeira-ministra, Vásquez afirmou que seu governo será "de diálogo, inclusão e respeito ao meio ambiente". Ela defendeu a necessidade de uma reforma tributária que garanta mais recursos para políticas sociais e ambientais, sem comprometer a responsabilidade fiscal.

Principais pontos

Perguntas Frequentes

Por que Pedro Castillo escolheu Mirtha Vásquez?
Para moderar o governo e ampliar o diálogo com o Congresso e setores moderados, após a crise gerada pelo premier anterior, Guido Bellido. A escolha também buscou melhorar a imagem internacional do governo.
Qual a formação de Mirtha Vásquez?
Ela é advogada, formada pela Universidad Nacional de San Antonio Abad del Cusco, com especialização em direitos humanos e direito constitucional. Antes da política, atuou como advogada de comunidades indígenas.
Quais os principais desafios de Vásquez no cargo?
Conter a crise política, aprovar reformas econômicas e sociais, combater a pandemia de covid-19, equilibrar desenvolvimento com proteção ambiental e construir maiorias no Congresso fragmentado.
Como a nomeação foi recebida internacionalmente?
Foi bem recebida por organizações de direitos humanos e pela comunidade internacional, que viram nela uma figura moderada e comprometida com a democracia e o meio ambiente.