Em outubro de 2021, o ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga, declarou em entrevista à CNN Brasil que o uso de máscaras de proteção contra a Covid-19 poderia ser flexibilizado de forma gradual no país. A declaração ocorre em um momento em que a vacinação avançava e os números de casos e óbitos apresentavam queda.
Queiroga destacou que a decisão deve ser baseada em evidências científicas e no cenário epidemiológico. “Não podemos usar máscara para sempre. Temos que ter um plano para, gradualmente, flexibilizar o uso”, afirmou o ministro. Ele também ressaltou que a taxa de vacinação completa já atingia cerca de 30% da população na época, e mais de 60% já havia recebido ao menos a primeira dose.
O ministro sugeriu que a flexibilização poderia começar por ambientes abertos e com menor aglomeração, seguindo exemplos de outros países que já haviam adotado medidas semelhantes. No entanto, Queiroga ponderou que a máscara continuaria obrigatória em serviços de saúde, transporte público e locais fechados com pouca ventilação, pelo menos enquanto a cobertura vacinal não fosse mais ampla.
Países como Israel, Reino Unido e Estados Unidos já haviam flexibilizado o uso de máscaras em determinados contextos, especialmente para vacinados ao ar livre. No Brasil, a discussão ganhou força após a declaração do ministro, mas especialistas pediam cautela diante da persistência da variante Delta e da desigualdade na vacinação entre regiões.
A declaração gerou reações diversas. Infectologistas e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) recomendaram cautela, lembrando que a pandemia ainda não havia terminado e que variantes como a Delta ainda circulavam. A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantinha a recomendação de uso universal de máscaras em locais públicos. Por outro lado, setores do governo e parte da população viram com otimismo a possibilidade de retomada da normalidade.
Alguns estados brasileiros já começavam a estudar a flexibilização. O estado de São Paulo, por exemplo, anunciou que poderia liberar o uso de máscaras em locais abertos a partir de novembro, condicionado à taxa de vacinação. Outros estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais também sinalizaram que poderiam seguir o mesmo caminho.
Críticos apontaram que a flexibilização prematura poderia levar a novos surtos, especialmente em regiões com baixa cobertura vacinal. A discussão envolvia também a queda na adesão ao uso de máscaras pela população, mesmo antes de qualquer mudança oficial.
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa sugeriram um plano gradual em etapas:
- Primeira etapa: liberação do uso em espaços abertos e com distanciamento, desde que a pessoa esteja vacinada ou mantenha distância segura.
- Segunda etapa: permissão para pessoas completamente vacinadas em ambientes fechados, mantendo a obrigatoriedade para não vacinados.
- Terceira etapa: manutenção da obrigatoriedade em locais de maior risco, como hospitais, unidades de saúde e transporte público, independentemente do status vacinal.
Cada etapa dependeria de indicadores como ocupação de leitos de UTI, número de novos casos e avanço da vacinação completa.
O Ministério da Saúde afirmou que preparava um protocolo com critérios técnicos para orientar estados e municípios, mas a implementação caberia a cada ente federativo. A autonomia dos estados gerou um debate sobre a coordenação nacional das medidas de combate à pandemia.
Perguntas frequentes
- Quando posso deixar de usar máscara?
- A recomendação na época era continuar usando em locais fechados e aglomerações. Em ambientes abertos e com distanciamento, a flexibilização poderia ocorrer gradualmente, conforme orientação do Ministério da Saúde.
- A máscara ainda é necessária para vacinados?
- Sim, mesmo vacinados deveriam manter o uso, principalmente em locais fechados, pois a vacina reduzia o risco de formas graves, mas não impedia totalmente a transmissão do vírus.
- Crianças precisam usar máscara?
- Conforme orientação da OMS e do Ministério da Saúde, crianças a partir de 2 anos deveriam usar máscara, mas a flexibilização também seria gradual e baseada no risco epidemiológico.
- O que a OMS recomendava?
- A OMS ainda recomendava o uso universal de máscaras em locais públicos, especialmente onde houvesse transmissão comunitária, e que qualquer flexibilização fosse baseada em dados sólidos.
- Como ficaria a situação nos transportes públicos?
- O uso de máscara em transportes públicos e serviços de saúde continuaria obrigatório em qualquer cenário, por ser locais de alto risco de exposição.
A defesa de Queiroga sinalizou um possível alívio nas medidas de controle da pandemia, mas a implementação gradual exigia monitoramento constante. O debate entre saúde pública e retomada econômica continuava presente, e a ciência seguia como guia. A decisão final sobre o uso de máscaras no Brasil dependeria da evolução da pandemia, da cobertura vacinal e da adesão da sociedade às medidas de proteção.