A Coreia do Norte lançou um míssil balístico de submarino (SLBM) no Mar do Leste (Mar do Japão), informou nesta terça-feira (19) o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul. O disparo ocorreu por volta das 10h (horário local) na costa leste da península coreana, perto da cidade de Sinpo, onde está localizado o principal estaleiro de submarinos do país.

O míssil percorreu cerca de 600 km e atingiu uma altitude máxima de aproximadamente 60 km, de acordo com as forças armadas sul-coreanas. O lançamento foi detectado por sistemas de radar e monitoramento, e a Coreia do Sul condenou a ação como uma violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

O governo japonês também protestou contra o lançamento, classificando-o como uma ameaça à segurança regional. O primeiro-ministro Fumio Kishida afirmou que o Japão está em contato com os Estados Unidos e outros aliados para coordenar uma resposta. Enquanto isso, os Estados Unidos pediram moderação e reiteraram seu compromisso com a desnuclearização da Península Coreana.

Contexto do teste e programa SLBM norte-coreano

Este foi o primeiro teste de SLBM realizado pela Coreia do Norte desde outubro de 2019, quando um míssil Pukguksong-3 foi lançado de um submarino. O país asiático continua a desenvolver sua capacidade de dissuasão nuclear, apesar das sanções internacionais e das conversas diplomáticas estagnadas. O teste ocorre em meio a um impasse nas negociações com os Estados Unidos, que buscam engajar Pyongyang diplomaticamente sem sucesso desde 2019.

O submarino utilizado no teste foi provavelmente da classe Sinpo (Gorae), um submarino experimental de propulsão convencional modificado para lançar mísseis balísticos. A Coreia do Norte possui uma frota de submarinos pequenos e médios, mas apenas um ou dois estão equipados para SLBMs. Especialistas ocidentais estimam que o míssil voou em uma trajetória elevada (lofted trajectory) para reduzir a distância percorrida, uma técnica comum em testes para não violar o espaço aéreo de países vizinhos. O alcance de 600 km em trajetória normal poderia se estender para mais de 2.000 km, cobrindo todo o Japão e partes do Pacífico.

Reações internacionais e impacto regional

Em Seul, o Conselho de Segurança Nacional convocou uma reunião de emergência para discutir a situação. O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, expressou preocupação e pediu que o Norte interrompa as provocações que elevam a tensão militar. Em Tóquio, o governo japonês informou que o míssil caiu fora da Zona Econômica Exclusiva do Japão, mas ainda assim considerou o teste inaceitável.

Os Estados Unidos, por meio do porta-voz do Departamento de Estado, condenaram o lançamento e reafirmaram o compromisso de defender aliados como Coreia do Sul e Japão. Washington também sinalizou disposição para o diálogo, desde que Pyongyang demonstre vontade de negociar a desnuclearização.

O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir a portas fechadas para discutir o lançamento, a pedido dos Estados Unidos e de aliados. A Coreia do Norte, por meio de sua agência estatal KCNA, afirmou que o teste foi bem-sucedido e que o míssil atingiu precisamente o alvo planejado, ressaltando o direito do país à autodefesa. China e Rússia, membros permanentes do Conselho, pediram moderação e defenderam a retomada do diálogo sem pré-condições.

Cronologia dos testes de mísseis da Coreia do Norte em 2021

O SLBM de outubro não foi o único lançamento do ano. Em janeiro, Pyongyang testou um míssil de cruzeiro de longo alcance; em março, realizou o primeiro teste de um novo míssil balístico tático guiado; e em setembro, lançou mísseis de curto alcance e um míssil hipersônico. O ritmo de testes intensificou-se após o fracasso da cúpula de Hanói em 2019.

Os lançamentos frequentes indicam que a Coreia do Norte continua a modernizar seu arsenal, mesmo sob sanções econômicas rigorosas. Para os estrategistas militares, o desenvolvimento do SLBM é particularmente preocupante porque, ao ser lançado de um submarino, o míssil pode ser disparado de qualquer lugar do oceano, tornando a detecção prévia muito mais difícil.

Pontos-chave sobre o lançamento

  • Data: 19 de outubro de 2021.
  • Local de lançamento: Próximo a Sinpo, costa leste da Coreia do Norte, base de submarinos.
  • Tipo de míssil: SLBM (míssil balístico lançado de submarino), provavelmente da família Pukguksong.
  • Distância percorrida: Cerca de 600 km em trajetória elevada.
  • Altitude máxima: Aproximadamente 60 km.
  • Plataforma: Submarino classe Sinpo (Gorae), com capacidade para um tubo de lançamento.
  • Reação internacional: Condenação por parte de Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos; reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
  • Posição norte-coreana: Teste de autodefesa bem-sucedido, parte do direito soberano do país.

Capacidade técnica e implicações estratégicas

O míssil testado pertence à série Pukguksong (conhecida como KN-11 no Ocidente), um SLBM de combustível sólido que já passou por vários testes desde 2015. A versão Pukguksong-3, testada em 2019, tem alcance estimado entre 1.900 km e 2.500 km. O míssil de outubro de 2021 pode ser uma variante melhorada, com maior precisão e capacidade de manobra durante o reentrada.

O uso de combustível sólido é relevante porque permite que o míssil seja lançado com menos tempo de preparo, aumentando a capacidade de sobrevivência do submarino. Além disso, a Coreia do Norte tem investido em submarinos maiores (como o novo submarino de ataque de propulsão convencional lançado em 2019) que podem transportar mais mísseis.

Para os analistas de defesa, o SLBM é considerado uma arma de "segundo ataque", pois mesmo que a Coreia do Norte sofra um ataque nuclear em terra, um submarino armado no mar poderia retaliar. Isso torna a dissuasão norte-coreana mais crível e complica os cenários de conflito na região.

Perguntas frequentes

O que significa SLBM?
SLBM é a sigla em inglês para Submarine-Launched Ballistic Missile, ou míssil balístico lançado de submarino. Esses mísseis são difíceis de detectar e representam uma capacidade de segundo ataque, pois podem ser lançados de posições móveis no mar.

Por que a Coreia do Norte realiza esses testes?
Pyongyang considera os testes de mísseis essenciais para sua segurança nacional e para aumentar seu poder de barganha nas negociações com os Estados Unidos. O regime também busca modernizar suas forças armadas e obter capacidade de dissuasão nuclear crível.

Qual o alcance de um SLBM norte-coreano?
O míssil testado em outubro de 2021 percorreu 600 km em trajetória elevada. Em um voo normal, poderia alcançar até 2.500 km, colocando alvos no Japão e Guam ao alcance. A versão mais recente, Pukguksong-4, pode ter alcance ainda maior.

Como a comunidade internacional reage?
As potências ocidentais e vizinhos regionais condenam os lançamentos como violações das resoluções da ONU. No entanto, há divergências sobre a abordagem: enquanto EUA e aliados pressionam por sanções, China e Rússia pedem moderação e retomada do diálogo.

Qual a diferença entre SLBM e ICBM?
ICBMs (mísseis balísticos intercontinentais) têm alcance superior a 5.500 km e são geralmente lançados de silos terrestres ou veículos móveis. SLBMs são lançados de submarinos e podem ter alcance semelhante (como os SLBMs russos e americanos), mas os norte-coreanos ainda estão em desenvolvimento. A principal vantagem do SLBM é a mobilidade e furtividade.

Como os EUA monitoram esses lançamentos?
Os Estados Unidos utilizam uma rede de satélites de alerta precoce (SBIRS), radares terrestres e navais, e aeronaves de reconhecimento (como o RC-135S) para detectar e rastrear lançamentos de mísseis. Os dados são compartilhados com aliados como Coreia do Sul e Japão.