O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, pediu formalmente ao ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, o fim do embargo à carne bovina brasileira. O encontro ocorreu à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, em um momento crítico para o agronegócio nacional, que aguardava com ansiedade a retomada das exportações para o principal parceiro comercial do Brasil.

Entenda o embargo

Em setembro de 2021, a China suspendeu as importações de carne bovina do Brasil após a confirmação de dois casos atípicos da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como "mal da vaca louca". Os casos foram detectados nos estados de Mato Grosso e Minas Gerais. O governo brasileiro, seguindo o protocolo sanitário internacional, notificou imediatamente a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que classificou os casos como atípicos e sem risco para a cadeia alimentar. Apesar disso, Pequim invocou uma cláusula presente no acordo sanitário bilateral para interromper as compras.

A reunião entre França e Wang Yi

Durante a reunião em Nova York, Carlos França reforçou a excelência do sistema de defesa sanitária brasileiro e a total rastreabilidade do rebanho. O chanceler brasileiro pediu que a China reconsiderasse a suspensão com base em evidências técnicas e científicas, destacando que o Brasil é um parceiro confiável e que o embargo não se justificava diante dos fatos apresentados. Wang Yi, por sua vez, reconheceu a solidez do diálogo bilateral, mas manteve a posição de que a China precisa seguir seus protocolos internos de segurança alimentar. A reunião foi considerada produtiva pela diplomacia brasileira, abrindo caminho para novas negociações técnicas em Pequim.

Impacto imediato no agro

A China é, de longe, o maior comprador de carne bovina do Brasil, responsável por mais da metade das exportações do produto. A paralisação das vendas gerou grande apreensão no setor pecuário, impactando diretamente os preços da arroba do boi gordo no mercado interno e elevando os estoques nas câmaras frias. Associações do setor, como a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), manifestaram preocupação e cobraram agilidade do governo. A cada dia de embargo, o prejuízo estimado para a cadeia produtiva era significativo, forçando frigoríficos a redirecionar cargas para outros mercados, muitas vezes com preços inferiores.

Ações paralelas do governo

Além do pedido formal do chanceler, o Brasil adotou uma estratégia dupla para reverter o embargo. No campo diplomático, a embaixada brasileira em Pequim manteve um canal direto com o Ministério da Agricultura chinês. No campo técnico, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) preparou uma comitiva para apresentar à China um relatório detalhado sobre as investigações dos casos atípicos e o plano de vigilância em vigor. O governo brasileiro demonstrou transparência total, oferecendo acesso a todas as informações solicitadas pelas autoridades chinesas, com o objetivo de retomar as exportações o mais rápido possível.

Perspectivas para a retomada

O histórico das relações comerciais entre Brasil e China no setor de proteínas mostra que embargos anteriores foram resolvidos em prazo relativamente curto, geralmente após negociações técnicas e diplomáticas. A expectativa do governo brasileiro, ao final da reunião entre França e Wang Yi, era de que a suspensão fosse revista nas semanas seguintes. A China depende da carne brasileira para abastecer seu mercado consumidor, e o Brasil depende do mercado chinês para escoar sua produção, o que cria uma interdependência que tende a favorecer a retomada das exportações. Analistas avaliavam que, apesar do entrave, a tendência era de normalização gradual.

Perguntas Frequentes

1. Por que a China suspendeu a compra de carne brasileira?

A China ativou uma cláusula sanitária automática após o Brasil confirmar dois casos atípicos de "mal da vaca louca" (EEB). Embora a OIE considere os casos atípicos como naturais e sem risco para a saúde pública, o protocolo bilateral permite a suspensão imediata como medida de precaução.

2. O que significa um caso "atípico" de EEB?

Diferente da forma clássica causada por ração contaminada, a forma atípica surge espontaneamente em bovinos mais velhos. Não há risco de epidemia e a carne não oferece perigo ao consumo humano. O Brasil nunca registrou um caso clássico da doença.

3. Qual o impacto econômico do embargo?

O impacto é alto, pois a China é o maior mercado para a carne bovina brasileira. A suspensão causa acúmulo de estoques, queda nos preços internos e perdas financeiras significativas para toda a cadeia produtiva, desde o pecuarista até o frigorífico.

4. O que o governo brasileiro fez para reverter a situação?

O governo atuou em duas frentes: a diplomática, com pedidos diretos como o do chanceler Carlos França, e a técnica, com o envio de informações detalhadas e uma comitiva a Pequim para comprovar a segurança sanitária do rebanho brasileiro.

5. A carne brasileira é segura para consumo?

Sim. O Brasil possui um dos mais rigorosos sistemas de defesa sanitária do mundo. Todos os casos suspeitos são investigados e as informações são compartilhadas com a OIE. Não há qualquer risco associado ao consumo da carne bovina brasileira comercializada.