O São Paulo recebeu o Athletico-PR no estádio do Morumbi, na noite desta quinta-feira, 25 de novembro de 2021, em partida válida pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A. Com a necessidade urgente de somar pontos para se distanciar da zona de rebaixamento, o time da casa não conseguiu furar o bloqueio adversário e acabou ficando no empate sem gols. O resultado manteve o clube paulista em situação delicada, cada vez mais próximo do Z-4, e aumentou a pressão sobre o técnico Rogério Ceni e o elenco.
Diante de um rival que se posicionou de forma compacta e explorou os contra-ataques com velocidade, o São Paulo teve a maior posse de bola, mas faltou criatividade e pontaria para transformar o domínio territorial em gol. O Athletico-PR, bem organizado pelo técnico Alberto Valentim, soube neutralizar as principais jogadas são-paulinas e ainda levou perigo em algumas saídas rápidas. O empate reflete o momento irregular das duas equipes na competição.
Contexto da partida
A 34ª rodada chegava em um momento crítico para o São Paulo. Com 42 pontos antes do jogo, o time ocupava a 15ª colocação e via a distância para o primeiro time dentro da zona de rebaixamento ser de apenas dois pontos. A torcida, que compareceu em bom número ao Morumbi, esperava uma reação após a sequência de resultados negativos. O Athletico-PR, por sua vez, vinha de uma vitória importante e buscava se afastar de vez do risco de queda, ocupando a 11ª posição com 46 pontos.
Rogério Ceni escalou o São Paulo com três volantes (Luan, Liziero e Gabriel Neves) na tentativa de dar solidez defensiva, mas a equipe pecou na transição ofensiva. Pelo lado do Athletico-PR, Alberto Valentim apostou no 4-4-2 tradicional, com Nikão e David Terans abertos, e Marcinho e Pablo como dupla de ataque. A ausência de um centroavante de ofício no São Paulo ficou evidente, com Calleri ainda se recuperando de lesão e Eder não sendo a referência esperada.
Primeiro tempo
Nos primeiros minutos, o São Paulo tentou impor seu ritmo com troca de passes no campo ofensivo, mas esbarrou na barreira defensiva do Athletico-PR, que se fechava com duas linhas de quatro. A primeira chance clara saiu aos 15 minutos, quando Rigoni recebeu pela esquerda e cruzou para Reinaldo, que cabeceou por cima do gol de Santos. O Athletico-PR respondeu aos 22 minutos: em um contra-ataque rápido, Terans carregou e chutou cruzado, exigindo boa defesa de Tiago Volpi.
O São Paulo continuou com a posse de bola, mas as jogadas ofensivas eram previsíveis, concentradas pelo lado esquerdo com Reinaldo e Rigoni. O Athletico-PR, bem postado, cortava os cruzamentos e não dava espaços. Aos 38 minutos, Luan arriscou de fora da área, mas Santos defendeu sem dificuldades. O primeiro tempo terminou com um volume de jogo baixo e poucas emoções, refletindo o equilíbrio entre o ataque inoperante do São Paulo e a defesa segura do visitante.
Segundo tempo
Na volta do intervalo, Rogério Ceni promoveu a entrada de Marquinhos e Vitor Bueno nos lugares de Liziero e Gabriel Neves, buscando mais criatividade e velocidade. O time passou a atuar com dois homens mais abertos e tentou envolver a defesa do Athletico-PR com trocas de passes rápidas. Aos 12 minutos, Rigoni recebeu dentro da área e finalizou para defesa de Santos, que evitou o gol com o pé. Foi a chance mais clara do jogo.
O Athletico-PR, percebendo o avanço são-paulino, recuou ainda mais e passou a explorar os contra-ataques com Nikão e Pedrinho. Aos 25 minutos, Nikão lançou Marcinho, que invadiu a área e chutou cruzado, mas Volpi fez grande defesa. Nos minutos finais, o São Paulo pressionou com cruzamentos e bolas paradas, mas faltou pontaria. Aos 44 minutos, Reinaldo cobrou falta na área e Miranda cabeceou para fora. O placar não saiu do zero, deixando um amargo gosto de frustração para a torcida são-paulina.
Análise tática
A opção de Rogério Ceni por três volantes mostrou-se excessivamente conservadora. O meio-campo ficou congestionado, mas a falta de um articulador impediu que a bola chegasse com qualidade aos atacantes. Reinaldo e Rigoni foram os principais articuladores pelas laterais, mas os cruzamentos não encontraram finalizadores dentro da área. A entrada de Marquinhos melhorou a mobilidade, mas o time continuou sem conseguir infiltrar a defesa adversária.
O Athletico-PR, por sua vez, mostrou uma organização tática exemplar. O time recuava as linhas quando necessário e pressionava na saída de bola são-paulina nos momentos certos. O volante Erick foi o principal responsável por quebrar as jogadas de ataque, enquanto Nikão e Terans deram opções de contra-ataque pelas pontas. A dupla de zaga (Felipe e Zé Ivaldo) foi segura e não cometeu erros. O empate fora de casa foi considerado um bom resultado para o Furacão, que mantém a tranquilidade na tabela.
Situação na tabela e calendário
Com o ponto conquistado, o São Paulo chegou aos 43 pontos em 34 jogos, permanecendo na 15ª posição. A distância para o Sport Recife, primeiro time dentro do Z-4, era de apenas dois pontos. Faltando quatro rodadas para o fim do campeonato, a matemática ainda era favorável ao São Paulo, mas a cada tropeço a pressão aumentava. Os próximos jogos seriam contra Flamengo (fora), Grêmio (casa), Juventude (fora) e América-MG (casa), um calendário desafiador.
O Athletico-PR, com 47 pontos, praticamente livre do rebaixamento, mas sem chances de título ou Libertadores, poderia terminar o campeonato no meio da tabela. O foco do time paranaense era terminar a temporada com dignidade e projetar 2022 com uma base sólida. Para o São Paulo, a missão era clara: vencer pelo menos dois dos próximos quatro jogos e torcer por tropeços dos concorrentes para garantir a permanência na Série A.
Pontos-chave da partida
- Placar final: São Paulo 0 x 0 Athletico-PR, no Morumbi.
- Posse de bola: São Paulo teve 62% de posse, mas finalizou apenas 6 vezes ao gol, contra 4 do Athletico.
- Desperdício ofensivo: O time da casa não conseguiu transformar domínio em gols, pecando na última bola.
- Atuação defensiva do Athletico: O Furacão mostrou solidez tática e segurou o resultado com segurança.
- Pressão aumentada: O São Paulo fica a dois pontos do Z-4 com quatro rodadas restantes.
- Público: Mais de 35 mil torcedores presentes no Morumbi, que apoiaram, mas cobraram reação.
Repercussão e próximos desafios
Após o jogo, o técnico Rogério Ceni lamentou a falta de efetividade ofensiva e disse que a equipe precisa evoluir rapidamente para evitar o rebaixamento. "Tivemos volume, mas faltou qualidade na tomada de decisão. Precisamos vencer o próximo jogo para recuperar a confiança", afirmou o treinador em entrevista coletiva. Nas redes sociais, torcedores protestaram contra a diretoria e cobraram reforços para a próxima temporada, independentemente da divisão.
O próximo compromisso do São Paulo é contra o Flamengo, no Maracanã, um confronto direto entre times que buscam se afastar da zona de perigo. Já o Athletico-PR recebe o Santos, na Arena da Baixada, em busca de mais três pontos para fechar a temporada com tranquilidade. As atenções se voltam para a reta final do Brasileirão, que promete emoções fortes na parte de baixo da tabela.