A semana começou com os juros dos títulos públicos do Tesouro Direto operando em alta consistente. O movimento reflete a crescente expectativa do mercado financeiro para a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em 2021, marcada para os dias 7 e 8 de dezembro. Investidores ajustam suas carteiras projetando uma nova alta expressiva da taxa Selic, na tentativa de conter as pressões inflacionárias que persistem na economia brasileira.

O Contexto da Alta dos Juros

As projeções do Boletim Focus da última segunda-feira apontam para uma elevação de 1,50 ponto percentual na Selic na reunião de dezembro, o que levaria a taxa básica para 9,75% ao ano. Entretanto, o mercado já começa a precificar um aperto ainda maior, com a curva de juros futuros indicando uma Selic terminal próxima de 12,50% a 13,00% ao ano em 2022.

Essa percepção é alimentada pela resiliência da inflação de serviços e pela falta de espaço fiscal para um ajuste mais brando. O comunicado do último encontro do Copom já sinalizava que o ciclo de aperto monetário seria estendido, e os dados econômicos recentes não indicam que a pressão sobre os preços esteja diminuindo no curto prazo. Este cenário de juros futuros em elevação impacta diretamente a precificação dos títulos do Tesouro Direto.

Como Reagiram os Títulos do Tesouro Direto

No Tesouro Direto, os efeitos da marcação a mercado são sentidos de forma distinta em cada tipo de título.

O Tesouro Selic (LFT), atrelado à taxa básica, manteve-se estável em termos de preço, com sua rentabilidade acompanhando passo a passo a alta dos juros. É a opção mais segura para quem não quer surpresas no curto prazo.

Já os títulos prefixados (LTN) sofreram com a alta das taxas. As NTN-F com vencimento em 2025 e 2027 viram suas taxas subirem para a casa dos 12% ao ano, o que significa uma queda no preço de negociação. Para o investidor que acredita que os juros vão cair mais rapidamente no futuro, este pode ser um bom momento de entrada.

O Tesouro IPCA+ (NTN-B) também registrou alta nos juros reais. Os títulos de longo prazo, como as NTN-B com vencimento em 2045 e 2055, passaram a oferecer prêmios reais acima de 5,5% ao ano. Esses patamares são historicamente atrativos e despertam o interesse de investidores de longo prazo que buscam proteger o poder de compra contra a inflação.

Estratégias para o Investidor

Diante deste cenário de juros elevados e perspectiva de continuidade da alta, qual a melhor estratégia?

Para a reserva de emergência, o Tesouro Selic continua imbatível em segurança e liquidez. A rentabilidade acompanha a Selic, que está em trajetória de alta.

Para quem busca diversificação e proteção inflacionária, o Tesouro IPCA+ com vencimentos intermediários (2026, 2029, 2032) oferece uma excelente relação entre prêmio e risco. Garantir um juro real acima de 5% ao ano por vários anos é uma oportunidade rara no mercado brasileiro.

O Tesouro Prefixado, por sua vez, é mais indicado para investidores com convicção sobre a futura queda dos juros. Comprar um prefixado agora pode gerar um belo ganho de capital se as taxas caírem, mas exige paciência para aguentar a volatilidade de curto prazo.

A Importância da Marcação a Mercado

Um ponto crucial que todo investidor em Tesouro Direto precisa entender é a marcação a mercado. Se você comprou um título prefixado ou IPCA+ e precisar vender antes do vencimento, o valor de resgate será o preço de mercado daquele título no momento da venda.

Em cenários de alta de juros como o atual, os títulos com taxas fixas mais antigas tendem a desvalorizar. Por isso, para prazos mais longos, é essencial ter disciplina e plano, seja para levar o título até o vencimento (resgatando o valor de face com a rentabilidade contratada) ou para fazer uma gestão ativa da carteira. Acompanhar o noticiário econômico e as atas do Copom ajuda o investidor a tomar decisões mais informadas.

Perguntas Frequentes sobre Tesouro Direto e a Alta da Selic

O que é o Tesouro Direto?

É o programa do Tesouro Nacional que permite a pessoas físicas comprarem títulos públicos pela internet. É considerada uma das formas mais seguras de investir em renda fixa, com liquidez diária e garantia do governo federal.

Como a alta da Selic me afeta?

A Selic alta eleva o custo do crédito, mas também aumenta o rendimento de aplicações conservadoras. Títulos atrelados à Selic ou ao IPCA se beneficiam diretamente, enquanto prefixados podem sofrer marcação a mercado se vendidos antes do prazo.

Qual o melhor título para investir agora?

Depende do seu objetivo financeiro. Para curto prazo e reserva de emergência, Tesouro Selic. Para longo prazo e proteção contra inflação, Tesouro IPCA+. Para quem aposta na queda dos juros futuros, os prefixados podem ser uma boa oportunidade, desde que o investidor esteja preparado para a volatilidade.