A Coreia do Norte afirmou nesta quinta-feira (6) que testou com sucesso um míssil hipersônico, o segundo teste desse tipo em menos de uma semana, de acordo com a agência estatal KCNA. O lançamento ocorreu na quarta-feira (5 de janeiro) e teria percorrido cerca de 700 km antes de atingir um alvo no mar do Japão. O teste é o mais recente de uma série de lançamentos que visam modernizar o arsenal norte-coreano e aumentar o poder de barganha de Pyongyang nas negociações com os Estados Unidos.
O anúncio do teste
A KCNA informou que o míssil hipersônico foi lançado da província de Jagang, no noroeste do país, e voou por aproximadamente 700 km, caindo no mar entre a Coreia e o Japão. A agência destacou que a ogiva hipersônica demonstrou capacidade de manobra durante o voo, acertando com precisão o alvo designado. Diferentemente do primeiro teste de míssil hipersônico realizado em setembro de 2021, este novo teste parece ter envolvido um sistema mais avançado, possivelmente o Hwasong-8, que utiliza combustível sólido e pode ser lançado de forma mais rápida.
O líder norte-coreano Kim Jong-un não esteve presente no lançamento, mas cientistas e técnicos do setor de armamentos participaram. A KCNA afirmou que o teste cumpriu todos os requisitos técnicos e que o programa de mísseis hipersônicos é uma prioridade para a defesa nacional. O país já havia testado um míssil balístico de submarino (SLBM) em outubro de 2021, demonstrando um ritmo acelerado de desenvolvimento militar.
O que é um míssil hipersônico?
Mísseis hipersônicos são armas que voam a velocidades superiores a Mach 5 (cerca de 6.125 km/h) e podem manobrar durante o trajeto, tornando sua trajetória imprevisível. Diferentemente dos mísseis balísticos tradicionais, que seguem uma trajetória parabólica fixa, os hipersônicos podem mudar de curso, o que dificulta a interceptação por sistemas de defesa antimísseis. Existem dois tipos principais: os mísseis de cruzeiro hipersônicos (HCM) e os veículos de planeio hipersônico (HGV). A Coreia do Norte afirma estar desenvolvendo ambos.
O desenvolvimento de mísseis hipersônicos é considerado um salto tecnológico significativo, pois exige materiais capazes de suportar temperaturas extremas e sistemas de navegação precisos. Poucos países, como Estados Unidos, Rússia e China, possuem programas avançados nessa área. A entrada da Coreia do Norte nesse grupo preocupa as potências ocidentais, pois representa uma ameaça potencial à segurança regional e global.
Reações internacionais
O governo dos Estados Unidos condenou o teste, classificando-o como uma violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU que proíbem a Coreia do Norte de testar mísseis balísticos. O porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington continuará a impor sanções e a pressionar Pyongyang para retomar o diálogo. O Pentágono informou que está avaliando o impacto do novo míssil na segurança da região.
O Japão, por meio do Ministério da Defesa, informou que o míssil caiu em sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE) e apresentou um protesto formal contra o lançamento. O primeiro-ministro Fumio Kishida classificou o teste como "lamentável" e disse que o Japão tomará as medidas necessárias para proteger seu território. A Coreia do Sul, através do Conselho de Segurança Nacional, expressou "grave preocupação" e pediu que a Coreia do Norte interrompa as provocações e retome o diálogo.
A China, principal aliada da Coreia do Norte, pediu moderação a todas as partes e defendeu uma solução diplomática para a crise. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que "sanções e pressão não são o caminho" e que o diálogo é a única forma de alcançar a paz na península coreana. A Rússia também se manifestou pedindo contenção.
Contexto geopolítico
O teste ocorre em meio a um impasse nas negociações entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Desde a fracassada cúpula de Hanói em 2019, as conversas sobre desnuclearização estão paralisadas. Kim Jong-un tem priorizado o desenvolvimento de armas de alta tecnologia, incluindo mísseis hipersônicos, submarinos de mísseis balísticos (SLBM) e satélites de reconhecimento, como forma de pressionar Washington a aliviar as sanções econômicas.
Analistas apontam que o teste de janeiro de 2022 pode ser uma tentativa de chamar a atenção do governo Biden, que assumiu em 2021 e ainda não definiu uma estratégia clara para a Coreia do Norte. O regime norte-coreano tradicionalmente utiliza testes de armas para ganhar influência antes de negociações. Além disso, o teste pode estar relacionado ao aniversário de Kim Jong-un ou a datas políticas importantes no calendário norte-coreano.
Principais pontos do anúncio
- A Coreia do Norte testou com sucesso um míssil hipersônico em 5 de janeiro de 2022.
- O míssil voou cerca de 700 km e caiu no mar do Japão, dentro da ZEE japonesa.
- A agência estatal KCNA afirmou que o teste cumpriu todos os requisitos técnicos.
- Kim Jong-un não acompanhou o lançamento, mas cientistas e técnicos estiveram presentes.
- Este é o segundo teste de míssil hipersônico da Coreia do Norte; o primeiro ocorreu em setembro de 2021.
- EUA, Japão e Coreia do Sul condenaram o teste como violação das resoluções da ONU.
- A China pediu moderação e uma solução diplomática.
- O teste ocorre em um contexto de impasse nas negociações entre EUA e Coreia do Norte.
Perguntas frequentes sobre o míssil hipersônico norte-coreano
O que é um míssil hipersônico?
É um míssil que atinge velocidades superiores a Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som) e pode manobrar durante o voo, tornando sua trajetória imprevisível e difícil de interceptar por sistemas antimísseis tradicionais.
Qual a diferença entre um míssil hipersônico e um míssil balístico?
Um míssil balístico segue uma trajetória parabólica previsível após o lançamento, enquanto um míssil hipersônico pode mudar de direção durante o voo, o que o torna mais difícil de rastrear e abater.
Por que a Coreia do Norte está desenvolvendo mísseis hipersônicos?
Para fortalecer sua capacidade de dissuasão militar e aumentar seu poder de barganha nas negociações com os Estados Unidos. O país busca tecnologias que possam penetrar as defesas antimísseis de seus adversários.
O teste viola resoluções da ONU?
Sim, as resoluções do Conselho de Segurança da ONU proíbem a Coreia do Norte de realizar testes com mísseis balísticos, e os mísseis hipersônicos se enquadram nessa categoria.
Qual foi a reação dos países vizinhos?
Japão e Coreia do Sul condenaram veementemente o teste. O Japão informou que o míssil caiu em sua Zona Econômica Exclusiva e apresentou um protesto formal. A Coreia do Sul pediu a retomada do diálogo e expressou grave preocupação.
Como o mercado financeiro reagiu?
Após o anúncio, os mercados asiáticos apresentaram leve queda, mas o impacto foi limitado. Investidores monitoram as tensões geopolíticas na região, mas o foco principal permanece na política monetária dos EUA e na recuperação econômica global.