O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais atualizou na manhã deste domingo (9) o número de pessoas desaparecidas após o desabamento de uma rocha no lago de Furnas, em Capitólio, no sul do estado. De acordo com a corporação, agora são três os nomes na lista de desaparecidos, contra seis registrados inicialmente.
A tragédia ocorreu na tarde de sábado (8), quando um bloco de pedra se desprendeu de um paredão de aproximadamente 20 metros de altura e caiu sobre embarcações que transportavam turistas. O impacto gerou ondas e destruição, deixando um saldo de dez mortos confirmados e cerca de 32 feridos, alguns em estado grave. As quatro embarcações diretamente atingidas ficaram parcialmente destruídas; dezenas de pessoas que estavam nas proximidades foram resgatadas por outros barcos e equipes de salvamento.
As buscas foram retomadas no início da manhã de domingo e contam com mergulhadores, sonares e cães farejadores. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a água turva e os detritos dificultam o trabalho. A redução no número de desaparecidos foi possível após a identificação de algumas vítimas que estavam entre os feridos ou já haviam sido resgatadas sem vida. As equipes de mergulho enfrentam baixa visibilidade e correnteza local, o que torna a varredura do fundo do lago mais lenta.
O acidente mobilizou diversas equipes de resgate, incluindo a Marinha do Brasil, Defesa Civil e o Samu. O governo de Minas Gerais decretou situação de emergência e disponibilizou apoio psicológico às famílias das vítimas. Um centro de acolhimento foi montado no ginásio municipal de Capitólio para receber parentes e prestar informações atualizadas.
Especialistas em geologia já iniciaram a análise do local para determinar as causas do desabamento. As fortes chuvas que atingiram a região nos dias anteriores são apontadas como o principal fator para a erosão e instabilidade do paredão rochoso. A área foi isolada e a visitação turística suspensa por tempo indeterminado. As primeiras inspeções indicam que o maciço rochoso apresentava fissuras profundas que podem ter sido alargadas pela infiltração de água da chuva.
O episódio repercutiu em todo o Brasil e reabriu o debate sobre a segurança em pontos turísticos naturais. O prefeito de Capitólio, Cristiano Silva, afirmou que a administração municipal trabalha para prestar assistência às famílias e que estudos técnicos serão realizados para evitar novas tragédias. Ele também mencionou a necessidade de revisar o plano de monitoramento geológico dos cânions do lago de Furnas, um dos principais atrativos turísticos da região.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que as buscas continuam ininterruptas até que todos os desaparecidos sejam localizados. A corporação também alerta para que a população evite circular nas áreas interditadas. As operações noturnas contam com iluminação artificial e botes de apoio; a cada hora as equipes se revezam para manter a eficiência.
Números atualizados
- Mortos: 10
- Desaparecidos: 3
- Feridos: 32 (sendo 7 em estado grave)
- Embarcações atingidas: 4
- Pessoas ilesas resgatadas: aproximadamente 60
Investigação e perícia
A Polícia Civil de Minas Gerais abriu inquérito para investigar as circunstâncias do acidente. Peritos do Instituto de Criminalística estiveram no local para coleta de evidências. A formação geológica da região apresenta fissuras naturais que podem ter sido agravadas pelas chuvas intensas, e a falta de monitoramento geológico em áreas turísticas é apontada como uma falha que precisa ser corrigida. Os peritos também analisam imagens de câmeras de segurança e celulares de testemunhas para entender a dinâmica exata do desabamento.
Cronologia dos fatos
Por volta das 15h30 de sábado (8), o paredão rochoso que margeia o lago de Furnas começou a trincar e, segundos depois, desabou sobre as lanchas que passavam pelo local. O resgate foi imediato: pescadores e outros turistas que estavam perto ajudaram a retirar feridos da água ainda antes da chegada dos bombeiros. Às 18h, o Corpo de Bombeiros já havia confirmado cinco mortes; número que subiu para dez ao longo da noite. Durante a madrugada, mergulhadores localizaram três corpos submersos. Na manhã de domingo, a lista de desaparecidos foi revisada de seis para três, após identificação de parte dos feridos.
Repercussão nacional
O desabamento gerou comoção nacional. Famílias das vítimas cobram respostas e melhorias na segurança. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, prestou solidariedade e determinou a criação de uma força-tarefa composta por técnicos da Defesa Civil, geólogos e engenheiros. A prefeitura de Capitólio decretou luto oficial de três dias. O presidente Jair Bolsonaro também se manifestou pelas redes sociais, oferecendo apoio federal às ações de resgate e investigação.
Perguntas frequentes sobre a tragédia
O que causou o desabamento da rocha?
Especialistas apontam que a combinação de fortes chuvas nos dias anteriores com a erosão natural do arenito pode ter fragilizado a estrutura do paredão. A infiltração de água nas fissuras aumentou a pressão interna, levando ao colapso.
Quantas pessoas estavam nas embarcações?
Estima-se que cerca de 40 pessoas estavam nas quatro lanchas atingidas. Muitas usavam colete salva-vidas, o que ajudou a evitar um número maior de mortes.
O local estava interditado?
Não havia alerta ou interdição naquele trecho dos cânions. Após o acidente, a área foi totalmente isolada para perícia e segurança.
Como ajudar as vítimas?
A Prefeitura de Capitólio criou um fundo municipal de apoio às famílias, e doações podem ser feitas por meio da conta oficial divulgada no site da prefeitura.
O turismo em Capitólio continuará?
A visitação nos cânions do Lago de Furnas está suspensa temporariamente. A retomada dependerá de laudos técnicos que atestem a segurança dos demais paredões.
A tragédia de Capitólio deixou marcas profundas na comunidade local e em todo o país. As autoridades seguem empenhadas nas buscas, na investigação e na prevenção de novos desastres.