A Coreia do Norte disparou um projétil não identificado em direção ao mar do Japão nesta terça-feira (11 de janeiro de 2022), segundo informaram as forças armadas da Coreia do Sul e do Japão. O lançamento ocorre em meio a um aumento das tensões na península coreana, com Pyongyang realizando uma série de testes de armas nas últimas semanas.
Principais pontos
- Lançamento ocorreu na manhã do dia 11 de janeiro de 2022;
- Projétil foi disparado da província de Jagang, na Coreia do Norte;
- Percurso aproximado de 700 km em direção ao mar do Japão;
- Governos da Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos condenaram o ato;
- Conselho de Segurança da ONU deve se reunir para discutir o caso.
Contexto
A Coreia do Norte tem realizado frequentes testes de mísseis desde o início de 2022, incluindo mísseis hipersônicos e balísticos. O país continua a desenvolver seu arsenal militar, desafiando as sanções internacionais e as resoluções da ONU. Os testes geram preocupação na comunidade internacional, especialmente entre os vizinhos Coreia do Sul e Japão, além dos Estados Unidos. Este é o terceiro lançamento registrado no mês de janeiro, indicando uma intensificação das atividades de teste por parte de Pyongyang.
Detalhes do lançamento
De acordo com o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul (JCS), o projétil foi lançado da província de Jagang, localizada na região central do país, e voou aproximadamente 700 quilômetros em direção ao mar do Japão (também chamado de Mar Oriental). O míssil atingiu uma altitude máxima de cerca de 60 quilômetros. As autoridades japonesas confirmaram o lançamento e afirmaram que o projétil não caiu em seu território. O primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, classificou o ato como "inaceitável" e ordenou que as equipes de segurança avaliassem possíveis impactos. O sistema de alerta japonês foi acionado para algumas ilhas, mas nenhum projétil atingiu solo japonês.
Reações internacionais
O governo dos Estados Unidos condenou o lançamento e reiterou seu compromisso com a defesa dos aliados na região. O Comando do Indo-Pacífico dos EUA afirmou que o teste não representa uma ameaça imediata ao território americano ou aos seus aliados, mas destacou que os lançamentos norte-coreanos desestabilizam a região e violam as resoluções da ONU.
O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional e expressou "profundo pesar" pelo teste. O governo sul-coreano pediu que a Coreia do Norte retome o diálogo e evite novas provocações.
O Japão apresentou uma queixa formal por meio de sua embaixada em Pequim e solicitou que a China e a Rússia exerçam sua influência sobre Pyongyang. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir a portas fechadas nos próximos dias para discutir os recentes lançamentos. Diplomatas indicam que uma nova resolução de sanções pode ser proposta, mas enfrenta oposição de China e Rússia.
A China, principal aliada da Coreia do Norte, pediu contenção de todas as partes e defendeu que as sanções não são a solução. O governo chinês instou as partes a retomarem as negociações de desnuclearização da península coreana.
O Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, ainda não se pronunciou oficialmente sobre este lançamento específico, mas em declarações anteriores defendeu a desnuclearização da península e o diálogo diplomático entre os envolvidos.
Análise
Analistas de segurança internacional avaliam que os lançamentos frequentes podem indicar que a Coreia do Norte está testando novas tecnologias de mísseis, incluindo sistemas de propulsão sólida e ogivas manobráveis. A capacidade de atingir alvos com maior precisão e dificultar a interceptação representa um desafio crescente para os sistemas de defesa antimísseis dos países vizinhos. Além disso, as ações de Pyongyang podem ser uma resposta às manobras militares conjuntas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, bem como uma forma de pressionar por concessões nas negociações nucleares paralisadas.
O momento dos testes também coincide com um período de transição política na Coreia do Sul — Moon Jae-in ainda estava no cargo em janeiro de 2022, mas o país se preparava para as eleições presidenciais de março. A situação na península coreana continua volátil, e os especialistas acreditam que novos lançamentos podem ocorrer caso não haja avanços diplomáticos significativos.
Perguntas frequentes
Por que a Coreia do Norte realiza testes de mísseis?
A Coreia do Norte defende que seus testes de mísseis são necessários para sua autodefesa e para dissuadir ameaças externas. O país considera o programa de mísseis um direito soberano e uma garantia de segurança diante do que chama de "hostilidade" dos Estados Unidos e seus aliados.
Qual o impacto nas relações internacionais?
Os testes frequentes aumentam as tensões na região e dificultam a retomada das negociações nucleares. A comunidade internacional, especialmente os países ocidentais, condena os lançamentos e reforça as sanções contra Pyongyang. A situação também afeta a estabilidade no leste asiático e pode provocar uma corrida armamentista na região.
O Brasil tem se manifestado sobre os testes norte-coreanos?
O Brasil, por meio do Itamaraty, defende a desnuclearização da península coreana e o diálogo diplomático como caminho para a paz. Em ocasiões anteriores, o governo brasileiro manifestou preocupação com os lançamentos e apoiou as resoluções da ONU que condenam os testes.
Conclusão: A situação na península coreana segue volátil. Os testes de mísseis da Coreia do Norte devem continuar, especialmente se não houver avanços nas negociações diplomáticas. A comunidade internacional permanece em alerta, monitorando os movimentos de Pyongyang e buscando uma resposta coordenada.
Fonte: Sputnik Brasil