A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve aprovar até a próxima terça-feira, 18 de janeiro de 2022, a venda de autotestes de Covid-19 no Brasil. A medida representa uma mudança significativa na estratégia de testagem do país, que até então restringia os testes rápidos de antígeno à aplicação por profissionais de saúde em farmácias e postos credenciados.
Segundo apuração da imprensa, a decisão será tomada em reunião da diretoria colegiada da agência marcada para a semana do dia 17. A aprovação vinha sendo aguardada desde o final de 2021, quando a Anvisa sinalizou que poderia liberar os autotestes diante do avanço da variante Ômicron, que elevou drasticamente a demanda por diagnóstico e sobrecarregou os serviços de saúde.
Os autotestes de antígeno são kits similares aos testes rápidos usados em farmácias, mas projetados para serem aplicados pela própria pessoa, sem necessidade de treinamento profissional. O kit contém um swab (cotonete) para coleta de secreção nasal, um frasco com solução reagente e um dispositivo de teste. Após esfregar o swab nas narinas, o usuário mergulha o swab na solução e goteja algumas gotas no dispositivo. O resultado sai em 15 a 30 minutos: se aparecer uma linha na região de controle (C), o teste é negativo; se surgirem duas linhas (C e T), o resultado é positivo.
A principal vantagem da autotestagem é a praticidade. O teste pode ser feito em casa, a qualquer hora, sem filas ou exposição a aglomerações. O resultado rápido permite que a pessoa tome providências imediatas, como o isolamento, e evite infectar outras pessoas. Além disso, reduz a carga sobre o sistema de saúde, liberando profissionais e insumos para atendimentos mais urgentes. Em países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, a distribuição em massa de autotestes foi adotada como parte central da estratégia de controle da pandemia, e estudos mostram que o uso frequente por pessoas assintomáticas pode detectar casos precocemente e reduzir a transmissão.
Apesar dos benefícios, especialistas alertam para limitações importantes. A sensibilidade dos autotestes é inferior ao RT-PCR, especialmente em pessoas com baixa carga viral, como assintomáticos ou no período inicial da infecção. Isso significa que há risco de falso negativo — a pessoa pode estar infectada e transmitir o vírus sem saber. Outra preocupação é a subnotificação: diferentemente dos testes laboratoriais, que alimentam automaticamente os sistemas de vigilância, os autotestes dependem de notificação voluntária. Sem um mecanismo eficiente de registro, os dados epidemiológicos podem ficar defasados, dificultando o monitoramento da pandemia. Para minimizar esses problemas, a Anvisa deve exigir que as embalagens incluam instruções claras sobre a conduta em caso de positivo e um código para notificação digital.
Após a aprovação, a expectativa é que os autotestes cheguem às farmácias e drogarias em poucos dias. Os preços devem ficar entre R$ 30 e R$ 70, dependendo da marca e do canal de venda. Laboratórios nacionais e internacionais já se preparam para atender a demanda do mercado brasileiro. A Anvisa também estabelecerá critérios rigorosos de qualidade e segurança, com monitoramento pós-comercialização para verificar a eficácia em condições reais de uso.
Para esclarecer as principais dúvidas da população, reunimos perguntas frequentes sobre os autotestes:
1. Autoteste substitui o PCR? Não. O autoteste é um teste de triagem. O diagnóstico confirmatório deve ser feito por RT-PCR sempre que possível, especialmente em casos de sintomas persistentes. Em caso de autoteste positivo, é recomendável buscar a confirmação por PCR e notificar as autoridades de saúde.
2. Posso viajar com resultado de autoteste? A maioria dos países e companhias aéreas não aceita autotestes para embarque. Exigem testes RT-PCR ou testes rápidos supervisionados por profissional, realizados em laboratórios ou farmácias.
3. Se der negativo, posso descartar a infecção? Não totalmente. Se houver sintomas compatíveis ou exposição conhecida, é recomendável repetir o teste após 48 horas ou procurar um serviço de saúde para avaliação.
A aprovação dos autotestes pela Anvisa é um avanço na democratização do acesso ao diagnóstico de Covid-19. Embora não resolvam todos os desafios da testagem, representam uma ferramenta adicional importante no combate à pandemia. O sucesso da medida dependerá da educação da população para o uso correto e da integração com os sistemas de notificação. Cabe aos órgãos de saúde pública, às farmácias e à sociedade civil promover uma adoção responsável.
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