A Coreia do Norte realizou, na manhã desta sexta-feira (14), o terceiro teste de mísseis em menos de 15 dias, elevando ainda mais as tensões na península coreana. De acordo com os Estados-Maiores Conjuntos da Coreia do Sul e o governo japonês, foram detectados dois projéteis não identificados disparados da região de Uiju, na costa oeste do país, em direção ao Mar do Leste (Mar do Japão). Os mísseis voaram aproximadamente 700 km antes de caírem no mar.
Este é o mais recente de uma série de lançamentos que demonstram o avanço técnico do programa armamentista norte-coreano e a determinação do regime de Kim Jong-un em expandir sua capacidade de dissuasão, ignorando as sanções internacionais e as resoluções da ONU que proíbem o país de realizar testes com tecnologia balística.
Contexto dos Testes de Mísseis
O início de 2022 marcou uma aceleração significativa nos testes de armas da Coreia do Norte. Antes do teste de 14 de janeiro, Pyongyang já havia realizado dois lançamentos importantes:
- 5 de janeiro: Teste de um míssil hipersônico. A mídia estatal norte-coreana afirmou que o projétil atingiu um alvo a 700 km de distância, com capacidade de manobra durante o voo, tornando sua interceptação extremamente difícil.
- 11 de janeiro: Teste de um míssil balístico. Este foi o primeiro lançamento de um míssil balístico desde outubro de 2021. O teste foi condenado por diversos países, e os EUA aplicaram novas sanções.
Analistas apontam que a cadência acelerada de testes serve a múltiplos propósitos: desenvolver e validar novas tecnologias (como os veículos de reentrada manobráveis para mísseis hipersônicos), aumentar a pressão sobre a administração Biden, e solidificar a imagem de Kim Jong-un como um líder forte e tecnologicamente avançado perante a população norte-coreana e as forças armadas.
Reação Internacional e Diplomacia
A comunidade internacional reagiu com forte condenação aos testes. A Coreia do Sul expressou "profundo pesar" e convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional, classificando os lançamentos como uma violação das resoluções da ONU e uma ameaça à estabilidade regional. O Japão, por sua vez, afirmou que os mísseis caíram fora de sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE), mas ainda assim considerou o ato "lamentável e inaceitável".
Os Estados Unidos condenaram veementemente os testes e reiteraram seu compromisso com a defesa da Coreia do Sul e do Japão. O governo Biden afirmou estar monitorando a situação e consultando aliados. Em um comunicado, o Departamento de Estado pediu que a Coreia do Norte se abstivesse de novas provocações e se engajasse em um diálogo diplomático sustentado. Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU realizou reuniões fechadas para discutir a escalada, mas o consenso para novas sanções é dificultado pelo poder de veto de China e Rússia, que pedem cautela e uma solução pacífica.
Implicações Geopolíticas e Estratégicas
A série de testes representa um desafio direto à ordem internacional na Ásia-Pacífico. Para a Coreia do Norte, a mensagem é clara: o país não será ignorado e não negociará sob pressão de sanções. Os lançamentos também servem para testar a resposta dos novos governos na região e consolidar o programa de mísseis como um trunfo diplomático inegociável.
Especialistas apontam que Pyongyang pode estar buscando criar "fatos consumados" antes de qualquer eventual retomada das negociações de desnuclearização, que estão paralisadas desde 2019. Além disso, a modernização do arsenal, incluindo mísseis hipersônicos e balísticos de curto alcance, aumenta a capacidade de dissuasão e dificulta a capacidade de resposta de aliados. A comunidade internacional enfrenta o dilema de como responder: sanções mais duras correm o risco de isolar ainda mais o regime, enquanto a falta de resposta pode encorajar novas provocações.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Por que a Coreia do Norte está realizando tantos testes de mísseis?
Pyongyang busca modernizar seu arsenal, testar novas tecnologias (como mísseis hipersônicos) e aumentar sua capacidade de dissuasão. Os testes também são uma forma de pressionar a comunidade internacional por alívio de sanções e ganhar vantagem em futuras negociações.
Os testes violam o direito internacional?
Sim. As resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) proíbem a Coreia do Norte de realizar lançamentos de mísseis balísticos ou qualquer outra tecnologia que possa ser usada para veículos de entrega de armas nucleares.
Qual a capacidade dos novos mísseis testados?
O míssil hipersônico testado em 5 de janeiro representa um salto tecnológico significativo, pois é capaz de voar a velocidades superiores a Mach 5 e manobrar durante o voo, dificultando sua interceptação. Os mísseis balísticos de curto alcance testados em 14 de janeiro têm alcance estimado de 700 km, suficiente para atingir qualquer alvo na Coreia do Sul e partes do Japão.
O que a ONU pode fazer?
O CSNU pode impor novas sanções econômicas e diplomáticas, mas a eficácia é limitada. China e Rússia, membros permanentes com poder de veto, são favoráveis a uma abordagem mais conciliatória e se opõem a sanções mais duras, o que dificulta a ação coletiva.
Como o mercado e as economias locais reagem?
Testes de mísseis na península coreana geralmente causam volatilidade de curto prazo nos mercados financeiros sul-coreanos e japoneses, mas o impacto duradouro é limitado. A incerteza geopolítica, no entanto, pode afetar investimentos e o turismo regional.
Fonte: G1