O governo britânico pediu desculpas formais à rainha Elizabeth II nesta sexta-feira (14) após a revelação de que funcionários do gabinete de Boris Johnson realizaram uma festa na residência oficial de Downing Street na véspera do funeral do príncipe Philip, em abril de 2021. O episódio ocorreu quando o Reino Unido estava sob rigorosas restrições da pandemia de Covid-19, que proibiam aglomerações em ambientes fechados e limitavam severamente os encontros sociais.

O que aconteceu

De acordo com reportagem do jornal The Daily Telegraph, cerca de 30 funcionários participaram de uma reunião social no jardim de Downing Street na noite de 16 de abril de 2021, véspera do funeral do duque de Edimburgo. A confraternização contou com bebidas alcoólicas e teria se estendido até altas horas da madrugada, conforme relatos de fontes do governo ouvidas pelo jornal britânico.

Na ocasião, o Reino Unido estava sob as regras do lockdown determinado pelo próprio governo, que permitia apenas encontros ao ar livre com até seis pessoas ou duas famílias. O funeral do príncipe Philip, realizado no sábado seguinte, teve a presença de apenas 30 convidados na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor, seguindo as restrições sanitárias. A rainha Elizabeth II, viúva do príncipe, apareceu sozinha na cerimônia, usando máscara e mantendo distanciamento, em uma imagem que comoveu o mundo.

O pedido de desculpas

O gabinete de Boris Johnson confirmou que funcionários do governo entraram em contato com representantes da família real para se desculpar pelo ocorrido. "Funcionários do gabinete estiveram em contato com a casa real para pedir desculpas pelo ocorrido", disse um porta-voz do governo britânico, que falou sob condição de anonimato. A rainha Elizabeth II, que na época seguia protocolos rígidos de isolamento no Castelo de Windsor, teria sido informada sobre o incidente por seus assessores.

O pedido de desculpas foi feito de forma privada, e a casa real não emitiu comentários públicos sobre o episódio. No entanto, fontes palacianas disseram à imprensa britânica que a rainha estava ciente da situação e que considerava o assunto "profundamente decepcionante".

Contexto do escândalo Partygate

O caso se soma a uma série de revelações sobre confraternizações realizadas em Downing Street e em outros prédios do governo durante os períodos de lockdown no Reino Unido, episódios que ficaram conhecidos como "Partygate". Entre os eventos já revelados estavam festas no jardim de Downing Street em maio de 2020, quando o país estava em lockdown rigoroso, e confraternizações de Natal em dezembro do mesmo ano, também proibidas pelas regras sanitárias.

A oposição trabalhista criticou duramente o governo. O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, classificou o episódio como "totalmente inaceitável" e pediu uma investigação completa sobre o ocorrido. "Enquanto o povo britânico seguia as regras, se despedia de seus entes queridos sozinho e não podia nem enterrar seus mortos com dignidade, os funcionários do governo faziam festa nos jardins de Downing Street", afirmou Starmer em discurso no Parlamento.

Investigação em curso

A Polícia Metropolitana de Londres já havia iniciado uma investigação sobre eventos semelhantes em Downing Street, e este novo episódio foi incluído no inquérito. A funcionária pública Sue Gray, encarregada pelo governo de investigar as festas, preparava um relatório detalhado sobre os acontecimentos, que deveria ser divulgado nas semanas seguintes. O relatório de Gray era aguardado com grande expectativa, pois poderia conter detalhes comprometedores sobre a conduta de membros do alto escalão do governo.

Boris Johnson enfrentava o momento mais difícil de seu mandato. Pesquisas de opinião indicavam queda significativa na aprovação do governo, e parlamentares conservadores começavam a discutir a possibilidade de uma moção de desconfiança contra o primeiro-ministro. Até mesmo aliados de Johnson expressaram preocupação com o impacto do escândalo na credibilidade do governo.

Repercussão internacional

O caso ganhou destaque na imprensa internacional, gerando constrangimento para o Reino Unido. A imagem do governo britânico ficou arranhada, especialmente por ter ocorrido em um momento de luto da família real. Jornais dos Estados Unidos, França, Alemanha e outros países destacaram a contradição entre as regras impostas à população e o comportamento dos funcionários do governo.

No Brasil, veículos como G1, UOL e Folha de S.Paulo noticiaram o episódio com destaque. A história repercutiu especialmente por envolver a rainha Elizabeth II, figura de grande respeito internacional, e por ocorrer em um momento em que o Reino Unido registrava altos números de mortes por Covid-19.

A população britânica reagiu com indignação nas redes sociais. Muitos cidadãos relataram histórias de não terem conseguido se despedir de familiares que morreram durante a pandemia, enquanto os funcionários do governo violavam as regras que eles próprios haviam estabelecido. Hashtags como #Partygate e #BorisJohnsonResign ficaram entre os assuntos mais comentados no Twitter no Reino Unido.

Perguntas frequentes sobre o caso

Por que a festa na véspera do funeral foi considerada tão grave?
Porque ocorreu em um momento em que o Reino Unido estava sob lockdown rigoroso devido à pandemia de Covid-19. A rainha Elizabeth II, que havia perdido o marido, seguiu todas as restrições impostas pelo governo, enquanto funcionários de Downing Street realizavam uma confraternização com bebidas alcoólicas, violando as próprias regras que o governo havia imposto à população. O contraste entre o luto solitário da rainha e a festa dos funcionários chocou a opinião pública.

O que foi o escândalo Partygate?
"Partygate" foi o nome dado pela imprensa britânica a uma série de eventos sociais realizados em Downing Street e em outros prédios do governo durante os lockdowns de Covid-19 no Reino Unido entre 2020 e 2021. As revelações incluíram festas, happy hours e confraternizações que violavam as restrições sanitárias, gerando indignação pública e crises políticas para o primeiro-ministro Boris Johnson. O escândalo levou a múltiplas investigações e contribuiu significativamente para o desgaste do governo conservador.

Boris Johnson renunciou após o escândalo?
Na época, Boris Johnson enfrentava forte pressão, mas permaneceu no cargo. O escândalo Partygate contribuiu para o desgaste de seu governo. Johnson acabaria renunciando posteriormente em julho de 2022, após uma série de crises em seu gabinete, incluindo a insatisfação com sua liderança e a perda de confiança de membros de seu próprio partido, embora o Partygate tenha sido um dos fatores que corroeram sua credibilidade ao longo do tempo.