Mulher caminha em frente a venda de alimentos em Buenos Aires; Argentina vive momento de inflação descontrolada - Foto: Eitan Abramovich/AFP. O índice de preços ao consumidor na Argentina se acelerou em dezembro, quando registrou 3,8%, fechando a 50,9% em 2021, uma das taxas de inflação mais altas do mundo, informou nesta quinta-feira o estatal Instituto de Estadísticas.

A inflação da Argentina em 2020, ano de paralisia da economia devido pandemia de Covid-19, tinha sido de 36,1%. Em 2019, registrou 53,8%. Para 2022, o governo projetou um índice inflacionário de 33% no orçamento nacional, que acabou sendo rejeitado pelo Parlamento, onde a oposição criticou que os números não são realistas.

Segundo pesquisa do Banco Central, a inflação deste ano será de 55%. “Durante 2021, o governo tentou ancorar a inflação e para isso usou basicamente a regulação do preço das tarifas de serviços públicos e da taxa de câmbio. Embora seja certo que não foi bem sucedido, sem isso a inflação teria sido mais alta”, disse AFP Hernán Fletcher, do Centro de Economia Política Argentina.

Na Argentina vigora desde 2019 um controle do câmbio que se tornou cada vez mais estrito e permite a compra de apenas US$ 200 mensais aos cidadãos na taxa oficial.

Com reservas internacionais líquidas que os analistas estimam abaixo dos US$ 4 bilhões e sem acesso aos mercados internacionais de crédito, a Argentina enfrenta pagamentos ao FMI de US$ 19 bilhões este ano e outros US$ 20 bilhões em 2023, além de US$ 4 bilhões em 2024.

“O FMI não vai aprovar nada que o Congresso argentino não tenha aprovado e isso vai depender de que o plano que o governo apresente possa ser cumprido. Um déficit fiscal não ruim, desde que não seja permanente e possa se financiar”, comentou AFP o analista de mercados Sebastián Maril.

Fernández tem insistido em que otimista sobre a possibilidade de alcançar um novo acordo com o FMI e até agora descartou que o país possa cair em default.

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Originalmente Publicado: 13 de Janeiro de 2022 às 21:11

Fonte: Globo