O documento, assinado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, mostra que dentro do componente o preço do petróleo no mercado internacional foi o que mais pressionou a inflação, com 2,95 pontos percentuais, além de 0,71 ponto das commodities em geral e 0,44 ponto da desvalorização do real.

Desta vez, contudo, os preços desses produtos subiram ao mesmo tempo em que o real se depreciou, o que puxou ainda mais os valores para cima em moeda local.

Na prática, o país deixou de se beneficiar da alta das commodities porque os ruídos políticos e fiscais afastaram capital de investidores estrangeiros, o que desvalorizou o real.

“A inflação importada tem efeito parecido com o repasse cambial, mas quisemos dar mais atenção ao preço dos insumos. Naquele momento, acabávamos de sair de um ciclo de alta que foi muito bom para países emergentes e exportadores”, afirmou o economista.

“O câmbio influencia na inflação de duas formas. Primeiro na importação, já que temos de desembolsar mais em reais. Além disso exportamos mais porque fica mais vantajoso receber em moeda estrangeira, o que encarece o produto aqui dentro porque diminui a oferta”, afirmou.

Em 2018, por exemplo, o componente foi o único que puxou os preços para cima no Brasil, mas como a inflação fechou abaixo do centro da meta, o destaque ficou com o que puxou o indicador para baixo.

Quando a decomposição do IPCA vinha apenas com repasse cambial mensurado, o componente foi preponderante no estouro da meta apenas em 2002, quando teve participação de 5,8 pontos percentuais no desvio do índice, que fechou em 12,5% -a desvalorização do real teve peso de 43,8% nos preços.

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Originalmente Publicado: 13 de Janeiro de 2022 às 18:44

Fonte: Uol.com.br