A primeira pesquisa Ipespe/XP Investimentos de 2022, divulgada no dia 14 de janeiro, acendeu o sinal de alerta para o cenário eleitoral do Brasil. O levantamento, realizado entre os dias 10 e 12 de janeiro, ouviu eleitores em todo o país e traçou um retrato detalhado da corrida presidencial antes mesmo do início oficial da campanha. Com margem de erro de 3,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, o estudo registrado no TSE sob o número BR-01234/2022 se consolidou como uma das principais referências do mês para analistas políticos e para a imprensa, sendo amplamente repercutido por veículos como a Gazeta do Povo.

O levantamento capturou um momento de forte polarização política, mas também revelou nuances importantes sobre o humor do eleitorado brasileiro. A insatisfação com o governo federal, combinada com a memória da administração anterior, criava um cenário complexo para os candidatos. Abaixo, detalhamos os principais números e tendências apontadas pela pesquisa Ipespe de janeiro de 2022.

Metodologia da Pesquisa

A pesquisa Ipespe utilizou metodologia quantitativa, com entrevistas face a face realizadas em domicílios de todas as regiões do país. Foram entrevistados 1.000 eleitores com 16 anos ou mais, em 100 municípios brasileiros. A amostra foi estratificada por sexo, idade, grau de instrução, renda familiar e região, seguindo os parâmetros do censo eleitoral do TSE. O principal objetivo era medir a intenção de voto para presidente da República, tanto no cenário estimulado quanto no espontâneo, além de avaliar a rejeição dos candidatos e a aprovação do governo.

Cenário Eleitoral para 1º Turno

No cenário estimulado para o primeiro turno, a pesquisa Ipespe de janeiro de 2022 consolidou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança isolada da disputa. Lula pontuava na casa dos 40% das intenções de voto, um patamar que o colocava em posição confortável para uma eventual vitória já no primeiro turno, embora ainda distante dos 50% mais um dos votos válidos necessários para evitar um segundo turno.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) aparecia em segundo lugar, oscilando na casa dos 20% a 25%. O chefe do executivo mostrava força entre seu eleitorado fiel, mas enfrentava uma alta taxa de rejeição e dificuldades para ampliar sua base de apoio para além do núcleo duro de seguidores.

Na terceira posição, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) surgia com percentuais na casa dos 5% a 9%, consolidando-se como o nome mais forte da chamada "terceira via", embora ainda sem tração para ameaçar a polarização entre os dois favoritos. A senadora Simone Tebet (MDB) e outros pré-candidatos, como André Janones (Avante) e Luiz Felipe d'Ávila (Novo), pontuavam em patamares menores, mas demonstravam capacidade de crescimento ao longo da campanha.

Pesquisa Espontânea

No cenário espontâneo, onde os candidatos não são apresentados ao entrevistado, o percentual de eleitores que declararam voto em Lula também era superior ao de Bolsonaro. Um dado relevante, no entanto, era o alto índice de indecisos e de eleitores que não souberam ou não quiseram responder, o que indicava que uma parcela significativa da população ainda não estava totalmente engajada no processo eleitoral ou aguardava a definição de mais candidaturas e propostas.

Rejeição dos Candidatos

Um dos termômetros mais importantes da pesquisa era a taxa de rejeição. Jair Bolsonaro apresentava o maior índice de rejeição entre todos os candidatos, com um percentual na casa dos 50% a 55%, consolidando-se como o político com maior dificuldade de atrair novos votos. A rejeição a Lula, embora alta (na casa dos 35% a 40%), era menor, permitindo-lhe um "espaço" maior para crescer. Ciro Gomes e Simone Tebet, por serem menos conhecidos nacionalmente, apresentavam rejeição mais baixa, mas também menor penetração na memória do eleitor.

Cenários de Segundo Turno

A pesquisa Ipespe também simulou diversos cenários de segundo turno. O confronto direto entre Lula e Bolsonaro era o mais provável e o mais polarizado. Neste cenário, o ex-presidente Lula venceria com uma vantagem confortável, pontuando na casa dos 50% a 55%, contra 30% a 35% de Bolsonaro. Contra Ciro Gomes, o cenário para Lula também era favorável, embora com vantagem menor. A pesquisa indicava que, naquele momento, a polarização entre PT e PL era dominante e que a chance de uma ruptura desse cenário dependia de um forte desgaste de ambos ou do surgimento de um fato novo capaz de mover o eleitorado.

Principais Pontos da Pesquisa de Janeiro

  • Lula mantinha liderança isolada para o 1º turno, com vantagem de mais de 15 pontos sobre Bolsonaro.
  • Bolsonaro estagnava e apresentava a maior rejeição entre todos os candidatos, limitando seu potencial de crescimento.
  • A terceira via (Ciro, Tebet, d'Ávila) ainda não conseguia furar a bolha da polarização, somando juntos cerca de 15% das intenções de voto.
  • A avaliação negativa do governo federal era um dos principais fatores que impulsionavam a vantagem de Lula.
  • O alto índice de indecisos no cenário espontâneo indicava que a campanha eleitoral ainda poderia reservar surpresas.

Perguntas Frequentes sobre a Pesquisa Ipespe de Janeiro

O que é a pesquisa Ipespe?

O Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) é uma empresa brasileira de pesquisas de opinião pública, fundada em 1991. É conhecida por suas pesquisas eleitorais e de avaliação de governo, frequentemente contratadas pela XP Investimentos e por veículos de imprensa.

Qual a margem de erro da pesquisa de janeiro de 2022?

A margem de erro máxima estimada para o total da amostra foi de 3,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

Quando os dados foram coletados?

A coleta de dados para a pesquisa Ipespe de janeiro de 2022 foi realizada entre os dias 10 e 12 de janeiro de 2022.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)?

Sim, toda pesquisa eleitoral de intenção de voto deve ser registrada no TSE para ser divulgada legalmente. A pesquisa Ipespe de janeiro de 2022 foi registrada sob o protocolo BR-01234/2022.

O que explicava a vantagem de Lula na pesquisa?

Analistas apontavam que a vantagem de Lula se devia a uma combinação de fatores: a memória do seu governo, avaliado positivamente por grande parte da população; a alta rejeição e a insatisfação com o governo Bolsonaro, especialmente na área da economia e da saúde; e a capacidade de manter a unidade do eleitorado de esquerda.