No início de janeiro de 2022, a capital cearense registrou um dos momentos mais críticos da pandemia de Covid-19. A ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) reservados para pacientes com a doença ultrapassou 90%, alcançando o segundo lugar no ranking de taxas mais altas entre todas as capitais brasileiras. O cenário acendeu um alerta vermelho nas autoridades sanitárias e expôs a fragilidade do sistema de saúde diante do avanço da variante Ômicron, que se espalhava com velocidade inédita no país.
A rápida disseminação da variante Ômicron
A chegada da variante Ômicron ao Brasil, no final de 2021, provocou uma explosão de casos. Altamente transmissível, ela se aproveitou das aglomerações típicas do Natal e do Réveillon para se disseminar por todas as regiões. Em Fortaleza, o número de novos casos diários disparou, sobrecarregando os postos de saúde e elevando a demanda por internações. Embora estudos indicassem que a Ômicron causava, em média, quadros menos graves que a variante Delta, o volume colossal de infectados fez com que o número absoluto de hospitalizações aumentasse drasticamente.
Taxa de ocupação e comparação nacional
De acordo com boletins epidemiológicos divulgados na época, a taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivos para Covid-19 em Fortaleza girava em torno de 95% nos dias mais críticos de janeiro. Esse percentual só perdia para o registrado em uma outra capital — um sinal claro de que a cidade estava à beira de um colapso hospitalar. A fila por um leito chegou a acumular dezenas de pacientes, e a necessidade de transferências para hospitais do interior do Ceará tornou-se rotina. Hospitais públicos e privados operaram no limite da capacidade, adiando cirurgias eletivas e redirecionando equipes para o atendimento Covid.
Medidas adotadas pelas autoridades
Diante do agravamento, a Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado do Ceará colocaram em prática um conjunto de ações emergenciais. Hospitais de campanha foram reabertos para ampliar a oferta de leitos, e a testagem em massa foi reforçada, com a instalação de tendas em pontos estratégicos da cidade. A campanha de vacinação ganhou novo impulso, com foco na aplicação da dose de reforço em adultos e idosos, além da vacinação de crianças entre 5 e 11 anos, que havia sido autorizada recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O uso obrigatório de máscaras em espaços fechados foi reiterado, e eventos de grande porte foram temporariamente suspensos ou tiveram o público reduzido.
A importância da vacinação e da dose de reforço
Especialistas em saúde pública destacam que, sem a vacinação em massa, a situação teria sido ainda mais grave. Fortaleza apresentava uma das maiores coberturas vacinais do país entre a população adulta, mas a proteção oferecida pelas duas doses iniciais diminuía com o tempo, especialmente contra a infecção pela Ômicron. A dose de reforço mostrou-se essencial para restaurar a eficácia contra formas graves da doença, reduzindo significativamente as internações e óbitos entre os vacinados. Dados locais indicaram que a maioria dos pacientes internados em UTI era composta por pessoas não vacinadas ou com o esquema vacinal incompleto.
Principais desafios enfrentados
- Alta demanda por testes: Os centros de testagem chegaram a formar filas de horas, com resultados positivos em mais de 40% dos exames realizados.
- Falta de insumos hospitalares: A corrida por leitos pressionou o estoque de medicamentos usados na intubação, como sedativos e bloqueadores neuromusculares.
- Desgaste dos profissionais de saúde: Equipes médicas e de enfermagem atuaram sob carga extrema, com alta taxa de afastamento por contaminação ou esgotamento.
- Desinformação e hesitação vacinal: A circulação de notícias falsas sobre a vacina ainda prejudicava a adesão de parte da população à dose de reforço e à vacinação infantil.
- Coordenação interfederativa: A necessidade de manter um diálogo constante entre município, estado e União para realocar recursos e definir protocolos.
Perguntas frequentes sobre a crise em Fortaleza
- O que motivou o aumento de casos em janeiro de 2022? A combinação da variante Ômicron, muito mais transmissível, com as aglomerações das festas de fim de ano, levou a uma explosão de contaminações.
- A vacinação protege contra a Ômicron? Sim, especialmente contra casos graves. A dose de reforço é fundamental para elevar a proteção, já que a eficácia das duas doses iniciais diminui ao longo do tempo.
- Quais os sintomas mais comuns naquele período? Coriza, dor de garganta, tosse seca, cansaço, dores no corpo e febre baixa predominaram, com menos casos de perda de paladar ou olfato.
- O que fazer ao apresentar sintomas? Procurar um centro de testagem, manter isolamento social, monitorar a saturação de oxigênio e buscar atendimento médico em caso de falta de ar ou piora do quadro.
- Quantos leitos de UTI foram abertos para enfrentar a crise? Foram reativados leitos de campanha e ampliadas parcerias com hospitais privados, mas o número exato variou conforme a demanda diária.
- A situação já estava prevista? Modelos epidemiológicos já alertavam para o risco de uma nova onda devido à Ômicron, mas a velocidade de propagação superou as expectativas iniciais.
- Como proteger os grupos de risco? Priorizando a dose de reforço, mantendo o uso de máscaras bem ajustadas em locais fechados e evitando aglomerações desnecessárias.
- O que aconteceu com os pacientes que não conseguiram leito em Fortaleza? Foram transferidos para hospitais de outras cidades do Ceará, como Sobral e Juazeiro do Norte, por meio de um sistema de regulação estadual.
Lições para o futuro
O pico de ocupação de UTI em Fortaleza serviu como um alerta definitivo sobre a imprevisibilidade da pandemia e a necessidade de um sistema de saúde resiliente. A experiência mostrou que o monitoramento genômico do vírus, a agilidade na campanha de vacinação e a comunicação clara com a população são ferramentas indispensáveis para enfrentar novas emergências sanitárias. Embora o pior já tivesse passado em meados de 2022, a crise de janeiro reforçou a importância de manter estoques estratégicos, treinar equipes e consolidar a atenção primária como porta de entrada do sistema.