A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou suas diretrizes de tratamento para a Covid-19 e passou a recomendar formalmente dois novos medicamentos: o baricitinib e o sotrovimab. A decisão, publicada no British Medical Journal (BMJ), é baseada em evidências de ensaios clínicos que indicam a eficácia desses fármacos na redução de hospitalizações e mortes causadas pelo coronavírus.
- Baricitinib – inibidor de JAK recomendado para pacientes hospitalizados com Covid-19 grave ou crítica, em combinação com corticosteroides.
- Sotrovimab – anticorpo monoclonal indicado para pacientes não graves com alto risco de hospitalização, administrado precocemente.
- As novas recomendações atualizam as diretrizes anteriores da OMS e ampliam o arsenal terapêutico contra a doença.
- O baricitinib é administrado por via oral e o sotrovimab por via intravenosa em dose única.
- Ambos os medicamentos demonstraram redução significativa de mortalidade e progressão para formas graves em populações específicas.
As recomendações da OMS servem como referência global para sistemas de saúde e governos, orientando a escolha de terapias conforme a gravidade do paciente e a disponibilidade de recursos. As novas diretrizes ampliam o leque de opções terapêuticas em um momento em que a variante Ômicron se espalhava rapidamente pelo mundo.
Baricitinib para pacientes graves
O baricitinib é um medicamento imunomodulador, da classe dos inibidores de JAK, originalmente desenvolvido para o tratamento de artrite reumatoide. Nas diretrizes da OMS, ele é fortemente recomendado para pacientes com Covid-19 grave ou crítica. O fármaco atua reduzindo a inflamação causada pela resposta exagerada do sistema imunológico ao vírus, um dos principais fatores de agravamento da doença.
Segundo a OMS, o baricitinib deve ser administrado em combinação com corticosteroides, como a dexametasona. A recomendação se baseou em estudos que demonstraram uma redução na mortalidade e na necessidade de ventilação mecânica entre os pacientes tratados com a combinação. O ensaio clínico COV-BARRIER, por exemplo, mostrou uma queda significativa no risco de morte em pacientes hospitalizados que receberam o medicamento. Por ser administrado por via oral, o baricitinib facilita o tratamento em ambientes hospitalares com recursos limitados. É contraindicado em pacientes com infecções ativas graves devido ao risco de supressão imunológica adicional.
Sotrovimab para pacientes de alto risco
O sotrovimab é um anticorpo monoclonal desenvolvido para neutralizar o SARS-CoV-2. A OMS recomenda seu uso para pacientes com Covid-19 não grave, mas que apresentam alto risco de hospitalização. Isso inclui idosos, pessoas com comorbidades (como diabetes, obesidade e doenças cardíacas) e indivíduos imunossuprimidos.
O medicamento foi um dos poucos anticorpos monoclonais que mantiveram eficácia contra a variante Ômicron, ao contrário de outros tratamentos similares, como o casirivimabe e imdevimabe, que perderam potência contra a nova cepa. A recomendação da OMS ressalta a importância de administrar o sotrovimab precocemente, nos primeiros dias após o início dos sintomas. O ensaio COMET-ICE demonstrou redução de 85% no risco de hospitalização ou morte quando o medicamento foi infundido nos primeiros cinco dias de sintomas. A administração é feita por via intravenosa em dose única, o que requer infraestrutura hospitalar, mas pode ser decisivo para evitar internações prolongadas.
Contexto da atualização
As novas orientações fazem parte de um esforço contínuo da OMS para revisar e atualizar as recomendações terapêuticas da Covid-19 à medida que novas evidências científicas surgem. A entidade reúne um painel internacional de especialistas que avalia criticamente os dados de ensaios clínicos randomizados.
Antes dessa atualização, as diretrizes da OMS incluíam remdesivir para casos graves e corticosteroides como padrão para pacientes críticos. A inclusão do baricitinib amplia as opções para pacientes que não podem usar corticoides ou que necessitam de terapia adicional. Já o sotrovimab preenche uma lacuna importante para pacientes de alto risco na fase inicial da doença, especialmente durante a onda da Ômicron. A OMS também revisou a recomendação de outros anticorpos monoclonais, como casirivimabe e imdevimabe, que deixaram de ser indicados por perda de eficácia contra as novas variantes.
Com a inclusão do baricitinib e do sotrovimab, a OMS espera que mais países tenham acesso a diretrizes claras sobre o uso desses medicamentos, especialmente em regiões com recursos limitados. A organização também enfatiza que o tratamento deve ser sempre acompanhado por profissionais de saúde qualificados e que a vacinação continua sendo a principal estratégia de prevenção.
Perguntas frequentes sobre os novos medicamentos
1. Quem pode receber o baricitinib?
Pacientes hospitalizados com Covid-19 grave ou crítica, que necessitam de oxigênio suplementar ou ventilação mecânica. O medicamento é combinado com corticosteroides e administrado por via oral.
2. O sotrovimab é indicado para todos os pacientes com Covid-19?
Não. Ele é recomendado apenas para pacientes com risco elevado de evoluir para formas graves da doença. Para a maioria dos pacientes com Covid-19 leve, a OMS não recomenda tratamento com anticorpos monoclonais.
3. O baricitinib e o sotrovimab substituem a vacina?
Não. Os medicamentos são opções terapêuticas para quem já contraiu a doença. A vacinação continua sendo a principal ferramenta de prevenção contra casos graves e óbitos.
4. Esses medicamentos estão disponíveis no Brasil?
O baricitinib já é aprovado pela ANVISA para artrite reumatoide e pode ser usado em hospitais para Covid-19. O sotrovimab teve uso autorizado em caráter emergencial em diversos países. A disponibilidade depende de políticas locais de saúde e distribuição.
5. Quais são os efeitos colaterais mais comuns do baricitinib?
Os efeitos colaterais incluem aumento do risco de infecções, trombose, alterações nas enzimas hepáticas e anemia. O uso deve ser monitorado por profissionais de saúde, especialmente em pacientes com comorbidades.
6. O sotrovimab funciona contra todas as variantes do SARS-CoV-2?
Na época da recomendação, o sotrovimab mantinha atividade contra a variante Ômicron, ao contrário de outros anticorpos. No entanto, a eficácia pode diminuir com o surgimento de novas subvariantes. A OMS recomenda sua administração apenas quando a variante circulante for suscetível ao medicamento.
A pandemia da Covid-19 exigiu uma corrida global por tratamentos eficazes. As recomendações da OMS representam um passo importante para consolidar as evidências científicas e garantir que os pacientes recebam o cuidado adequado com base no que há de mais atual na pesquisa médica.