O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou duramente o governador de São Paulo, João Doria, durante entrevista coletiva nesta sexta-feira (14), acusando-o de transformar a campanha de vacinação contra a Covid-19 em um palanque político. A declaração gerou forte repercussão no cenário político nacional e reacendeu a disputa entre o governo federal e o estado paulista sobre as estratégias de imunização.

Contexto da disputa entre governo federal e São Paulo

Desde o início da pandemia, Doria utilizou a gestão da crise sanitária como uma de suas principais bandeiras políticas, especialmente na negociação com o Instituto Butantan e a parceria com a Sinovac para produção da CoronaVac. O governo federal, sob Jair Bolsonaro, adotou uma postura cética em relação à vacina chinesa e priorizou a parceria com a AstraZeneca via Fiocruz.

No início de 2022, com a alta demanda por doses de reforço e a necessidade de vacinar crianças, os dois entes voltaram a se confrontar. Doria anunciou que o estado de São Paulo compraria 25 milhões de doses da Pfizer para acelerar o cronograma, enquanto o Ministério da Saúde afirmava que a distribuição era responsabilidade federal e que não faltariam vacinas. A tensão escalou com a fala de Queiroga.

As declarações de Queiroga

Em resposta às críticas do governador paulista sobre a lentidão na distribuição de vacinas, Queiroga foi duro: "Não se pode fazer palanque político com vacinas. O governo federal está trabalhando para imunizar toda a população brasileira, e não é aceitável que um governador tente tirar proveito eleitoral de uma campanha de saúde pública. Os paulistas merecem alguém melhor", afirmou.

O ministro ainda destacou que o governo federal investiu bilhões na aquisição de imunizantes e que mais de 80% da população adulta já estava com o esquema vacinal completo até aquela data. "Precisamos de união, não de disputas midiáticas", completou.

Reação de Doria e do governo paulista

João Doria não demorou a rebater as acusações. Em suas redes sociais, o governador afirmou que Queiroga estava "desinformado" e que a gestão federal "abandonou" os brasileiros. "São Paulo sempre liderou a vacinação no Brasil. O Ministério da Saúde errou ao não comprar vacinas suficientes, e agora tentam culpar quem agiu. Paulistas merecem respeito e um ministro que não use a saúde como arma política", escreveu.

O secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, também saiu em defesa da gestão paulista, destacando que o estado aplicou mais de 80 milhões de doses e que a compra de vacinas pela iniciativa estadual foi necessária para salvar vidas.

Implicações políticas

O confronto ocorre em um período pré-eleitoral, com Doria cogitando uma candidatura à presidência pelo PSDB. A troca de acusações entre os governantes expõe a polarização que marcou a pandemia no Brasil. Especialistas apontam que a crise pode desgastar a imagem pública de ambos os lados, mas também mobilizar suas bases eleitorais.

Enquanto isso, a população continua a busca por vacinação. Dados do consórcio de imprensa mostravam que cerca de 10% dos adultos ainda não haviam tomado a segunda dose, e a corrida pelo reforço avançava lentamente. O episódio reforçou a necessidade de coordenação entre União e estados para evitar que a politização atrapalhe a imunização.

Principais pontos do conflito

  • Queiroga acusa Doria de fazer campanha eleitoral com a vacinação.
  • Governo federal e estado de SP disputam narrativa sobre compra e distribuição de vacinas.
  • Doria nega e afirma que o Ministério da Saúde não agiu com rapidez.
  • Episódio tem potencial de impactar a corrida presidencial de 2022.
  • População fica no meio do fogo cruzado enquanto busca imunização.

Perguntas frequentes sobre o caso

Por que Queiroga criticou Doria?

O ministro respondeu às críticas do governador sobre a suposta falta de vacinas, acusando-o de usar a campanha de vacinação como plataforma política para sua pré-candidatura presidencial.

Doria realmente comprou vacinas por conta própria?

Sim. São Paulo negociou diretamente com a Pfizer a compra de 25 milhões de doses para reforçar a imunização, o que gerou reação do governo federal alegando que as vacinas deveriam ser centralizadas.

A fala de Queiroga teve impacto na campanha de vacinação?

Embora não tenha afetado diretamente a logística, o episódio evidenciou a falta de coordenação entre os entes federativos e gerou ruído na comunicação pública sobre a continuidade da vacinação.