O ano de 2021 consolidou-se como o sexto ano mais quente já registrado no planeta, de acordo com análises independentes da NASA e da NOAA. A temperatura média global do ano ficou cerca de 0,85°C acima da média do século XX, e aproximadamente 1,04°C acima dos níveis pré-industriais. Os dados confirmam a tendência de aquecimento impulsionada pela ação humana, com a última década sendo a mais quente da história moderna.
Os números de 2021
Segundo a NASA, a temperatura global em 2021 foi 0,84°C acima da média de 1951-1980. Já para a NOAA, foi 0,84°C acima da média do século XX. O ano de 2021 também foi o 45º ano consecutivo com temperaturas globais acima da média do século XX. Os sete anos mais quentes já registrados ocorreram desde 2014, sendo 2016 e 2020 os mais quentes da história. A última vez que a Terra registrou um ano mais frio do que a média do século XX foi em 1976, destacando o forte aquecimento das últimas décadas.
A tendência de aquecimento global
Apesar da presença do fenômeno La Niña, que costuma trazer temperaturas globais ligeiramente mais amenas, 2021 ainda ficou entre os anos mais quentes da série histórica. A NOAA destacou que a temperatura média global aumentou a uma taxa média de 0,08°C por década desde 1880, mas essa taxa mais que dobrou para 0,18°C por década desde 1981. Isso demonstra uma aceleração clara do aquecimento global. A concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera atingiu níveis recordes, ultrapassando 415 partes por milhão (ppm), o nível mais alto em milhões de anos.
Eventos extremos em 2021
O calor recorde ou quase recorde foi observado em várias partes do mundo. Na Europa, o verão de 2021 foi marcado por ondas de calor intensas e incêndios florestais devastadores no sul do continente, como na Itália, Grécia e Turquia. Nos Estados Unidos, o oeste sofreu uma seca histórica e temperaturas extremas, com o Vale da Morte atingindo 54,4°C. A região do Ártico continua aquecendo de forma desproporcional, acelerando o derretimento das geleiras e contribuindo para o aumento do nível do mar. As enchentes na Europa Central e na China também foram agravadas por umidade atmosférica mais alta causada pelo aquecimento.
Os dados no Brasil
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Brasil registrou em 2021 a maior temperatura média desde 1961. A região Sul enfrentou enchentes históricas, enquanto o Sudeste e o Centro-Oeste lidaram com uma das piores crises hídricas em 90 anos. A Amazônia atingiu níveis recordes de desmatamento e queimadas, fatores que combinados alteram o regime de chuvas em todo o país. A crise hídrica gerou impactos diretos na economia, com aumento nas contas de luz e pressão inflacionária.
Principais pontos sobre a temperatura de 2021
- 2021 foi o sexto ano mais quente desde o início dos registros em 1880.
- A temperatura média global ficou 0,85°C acima da média do século XX.
- Os sete anos mais quentes já registrados ocorreram desde 2014.
- A concentração de CO₂ na atmosfera ultrapassou 415 ppm.
- Mesmo com o fenômeno La Niña (que resfria o planeta), 2021 esteve entre os anos mais quentes.
O que esperar do futuro?
As projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) são claras: sem uma redução drástica e imediata nas emissões globais, o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris pode ser atingido já na próxima década. Os cientistas enfatizam que cada fração de grau de aquecimento evitada reduz os impactos. A transição para fontes de energia renovável, a proteção das florestas e a adoção de tecnologias de baixo carbono são as principais ferramentas para evitar os piores cenários das mudanças climáticas.
FAQ - Perguntas Frequentes
Por que 2021 foi tão quente se houve La Niña?
La Niña é um fenômeno natural que resfria temporariamente a temperatura global, mas o efeito do aquecimento global proveniente das emissões de gases de efeito estufa é mais forte e dominante. Os anos de La Niña hoje são mais quentes do que os anos de El Niño de algumas décadas atrás, mostrando o poder do aquecimento de fundo.
Qual a diferença entre os dados da NASA e da NOAA?
Ambas as agências usam metodologias ligeiramente diferentes, mas os resultados são consistentes e se confirmam mutuamente: 2021 foi o sexto ano mais quente. A NASA utiliza a média de 1951-1980 como referência, enquanto a NOAA usa a média do século XX inteiro.
Como o aquecimento global afeta o Brasil?
Os impactos no Brasil incluem o aumento da temperatura média, mudanças severas no regime de chuvas (secas prolongadas em algumas regiões e enchentes em outras), derretimento de geleiras nos Andes, maior frequência de eventos climáticos extremos e impactos diretos na agricultura e na geração de energia.
O aquecimento de 2021 já estava previsto?
Sim. As previsões climáticas anuais da NOAA indicavam que 2021 tinha mais de 99% de chance de estar entre os 10 anos mais quentes. A tendência de aquecimento é bem compreendida pela ciência e modelada com alta precisão.
Fonte: Olhar Digital (adaptado)
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