A Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos concluiu, em uma avaliação divulgada em janeiro de 2022, que é improvável que uma potência estrangeira ou um serviço de inteligência adversário seja o responsável pelos casos da chamada "Síndrome de Havana". A investigação, uma das mais complexas da história recente da agência, analisou aproximadamente mil casos relatados ao redor do mundo desde 2016.

A síndrome ganhou este nome após os primeiros relatos de diplomatas americanos em Havana, Cuba. Os sintomas incluem náuseas, dores de cabeça debilitantes, perda auditiva, zumbido e problemas cognitivos, frequentemente associados a sons agudos e sensação de pressão na cabeça. Muitos dos afetados necessitaram de tratamento médico especializado e licenças prolongadas.

Utilizando inteligência humana, interceptações de sinais e uma vasta gama de dados médicos, a força-tarefa da CIA descartou a hipótese de um ataque sistemático patrocinado por Rússia, China, Cuba ou outros países. A agência concluiu que a grande maioria dos incidentes pode ser atribuída a condições médicas pré-existentes, fatores ambientais ou estresse psicológico coletivo.

Apesar do afastamento do envolvimento de potências estrangeiras, a diretora da CIA, Avril Haines, afirmou que a agência continuará monitorando a situação e investigando os casos que permanecem sem explicação. Aproximadamente duas dúzias de incidentes não puderam ser totalmente explicados pelas hipóteses levantadas, mantendo a possibilidade de um mecanismo desconhecido.

A conclusão foi recebida com ceticismo por algumas das vítimas e seus representantes legais, que argumentam que os sintomas são reais e não podem ser simplesmente descartados. O caso reacendeu o debate sobre a segurança de instalações diplomáticas americanas e a necessidade de investigar causas ambientais ou tecnológicas não convencionais.

O relatório final da CIA, embora não conclusivo sobre todos os aspectos, representa o esforço mais abrangente até hoje para entender a origem da síndrome. A comunidade de inteligência americana permanece dividida sobre o assunto, mas a investigação oficial sobre o envolvimento de potências estrangeiras foi encerrada.