As fortes chuvas que atingiram Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2022, deixaram um rastro de destruição. Com dezenas de mortos e centenas de desabrigados, a tragédia também deixou um número expressivo de desaparecidos — pessoas que foram arrastadas pela enxurrada ou soterradas pelos deslizamentos e cujo paradeiro ainda era desconhecido por suas famílias nos dias seguintes ao desastre.
Enquanto as equipes de resgate trabalhavam nos pontos mais afetados, familiares e amigos das vítimas iniciaram uma busca incansável por seus entes queridos. A rotina dessas pessoas passou a ser marcada por visitas a abrigos, hospitais, postos de identificação e ao Instituto Médico Legal (IML), na esperança de encontrar notícias — boas ou ruins — sobre o destino de seus familiares.
Muitos relataram a angústia de esperar por informações em meio à confusão dos primeiros dias após a tragédia. Sem telefone ou acesso a dados oficiais atualizados, centenas de pessoas se dirigiram pessoalmente aos locais de resgate e aos pontos de acolhimento. Cartazes com fotos e nomes foram espalhados pelas ruas da cidade, com pedidos de ajuda para localizar parentes desaparecidos.
A Prefeitura de Petrópolis, em conjunto com o governo do estado, montou uma força-tarefa para coordenar as buscas e o atendimento às vítimas. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e voluntários atuaram nos bairros mais atingidos, como o Morro da Oficina, onde uma série de deslizamentos soterrou dezenas de casas. As operações de resgate enfrentaram desafios como o terreno acidentado, a lama e a chuva que continuava a cair.
A população local também se mobilizou. Vizinhos, comerciantes e pessoas de outras regiões do país ofereceram abrigo, comida, roupas e apoio emocional às famílias afetadas. A solidariedade foi um dos pontos mais destacados nos relatos daqueles que viveram a tragédia de perto. Redes sociais foram usadas para compartilhar informações sobre desaparecidos e pontos de coleta de doações.
A rotina de quem buscava por desaparecidos em Petrópolis era marcada por esperança e sofrimento. A cada novo boletim divulgado pelas autoridades, famílias inteiras se reuniam em torno de rádios e telefones, torcendo por uma notícia positiva. Para muitos, o simples ato de encontrar o corpo de um ente querido passou a representar um alívio em meio à dor — a certeza de um enterro digno e do fim da angústia da espera.
Os relatos colhidos pela reportagem da G1 mostravam histórias de pessoas que passaram dias inteiros percorrendo hospitais e abrigos. Mães à procura de filhos, filhos à procura de pais idosos, famílias inteiras separadas pela força da água e da lama. Cada história era única, mas todas compartilhavam a mesma angústia diante da incerteza do paradeiro de seus entes.
A tragédia em Petrópolis entrou para a história como uma das maiores já registradas na cidade, que já havia sofrido com desastres semelhantes em 2011 e 2013. O ocorrido levantou debates sobre ocupação de áreas de risco, mudanças climáticas e a necessidade de políticas públicas mais eficazes para prevenção de desastres naturais. Especialistas apontaram que a combinação de chuvas intensas com ocupação desordenada de encostas contribuiu para a magnitude da tragédia.