O grupo Estado Islâmico (EI) confirmou oficialmente a morte de seu líder, Abu Ibrahim al-Hashimi al-Quraishi, e anunciou seu substituto em uma mensagem de áudio divulgada nesta quinta-feira (10) pelo porta-voz do grupo, Abu Hamza al-Quraishi. A gravação, de aproximadamente sete minutos, pede lealdade ao novo califa, identificado como Abu al-Hassan al-Hashimi al-Quraishi, descrito como um "veterano da jihad". A confirmação encerra semanas de especulações após a operação militar das forças especiais dos Estados Unidos na Síria, em 3 de fevereiro de 2022.

Detalhes da operação militar

A operação que resultou na morte de Abu Ibrahim ocorreu na cidade de Atmeh, na província de Idlib, noroeste da Síria, uma região dominada por grupos rebeldes e jihadistas. Segundo o Pentágono, as forças especiais americanas realizaram um ataque aéreo e terrestre coordenado, com o objetivo de capturar o líder terrorista. Durante a incursão, Abu Ibrahim detonou uma carga explosiva no andar superior do prédio onde estava escondido, matando a si mesmo, sua esposa e outras pessoas, incluindo civis. O presidente dos EUA, Joe Biden, acompanhou a operação em tempo real e declarou que "a mensagem é que os Estados Unidos não permitirão que grupos terroristas tenham refúgio seguro".

O governo americano informou que não houve vítimas entre as forças dos EUA, mas a explosão causou a morte de 13 pessoas, entre elas quatro crianças. A Casa Branca classificou a operação como um sucesso e afirmou que a morte do líder do EI representa um grande golpe para a organização. Os vizinhos de Atmeh relataram que o barulho do helicóptero e dos disparos durou cerca de duas horas, e que o prédio onde Abu Ibrahim estava ficou completamente destruído.

Quem foi Abu Ibrahim al-Hashimi al-Quraishi

Abu Ibrahim, um ex-oficial do exército iraquiano durante o regime de Saddam Hussein, assumiu a liderança do EI em 2019, após o suicídio de Abu Bakr al-Baghdadi durante uma operação similar das forças especiais dos EUA na Síria. Sua gestão foi marcada pela transição do grupo de um "califado" territorial para uma insurgência global. Sob seu comando, o EI reorganizou suas células e passou a atuar de forma descentralizada, com ênfase em ataques de inspiração e filiais regionais.

Ele era considerado um estrategista experiente e estava envolvido em operações de coordenação de ataques em todo o mundo. Acredita-se que tenha supervisionado a expansão do EI para a África e a Ásia, fortalecendo grupos como o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) e o Estado Islâmico na Província de Khorasan (ISIS-K) no Afeganistão. Sua liderança foi marcada por uma postura mais reservada do que a de Baghdadi, mas igualmente implacável.

O novo califa: Abu al-Hassan al-Hashimi al-Quraishi

A escolha de Abu al-Hassan al-Hashimi al-Quraishi como sucessor era amplamente esperada por especialistas em contraterrorismo. O nome "al-Quraishi" é uma referência à tribo do profeta Maomé, uma tradição utilizada pelos líderes do EI para reforçar sua legitimidade religiosa. A rápida sucessão demonstra que, apesar das perdas significativas em sua cúpula, o EI mantém uma linha de comando estruturada e capacidade de comunicação.

Pouco se sabe publicamente sobre a identidade real do novo líder. Sua descrição como "veterano da jihad" sugere que ele tem longa experiência nos campos de batalha do Oriente Médio. Analistas apontam que ele pode ser um nome já conhecido dentro dos círculos internos do grupo, possivelmente alguém que atuava como conselheiro militar de Abu Ibrahim. A mensagem de áudio pede que todos os membros do EI jurem lealdade a ele e sigam suas ordens.

A reorganização global do Estado Islâmico

Embora o EI não controle mais vastos territórios na Síria e no Iraque como em 2014-2017, o grupo expandiu sua presença para outras regiões, principalmente na África e na Ásia. Filiais como o ISWAP na Nigéria, o ISIS-K no Afeganistão e o Estado Islâmico no Sahel (Níger, Mali, Burkina Faso) têm se mostrado particularmente ativas. Essas filiais não apenas realizam ataques localizados, mas também inspiram atentados em todo o mundo, como os atentados em Kerman (Irã) e em Moscou (Rússia) em 2024, que foram reivindicados pelo ISIS-K.

Especialistas apontam que a descentralização do EI torna mais difícil o combate, já que a eliminação de líderes centrais não desmantela imediatamente as células regionais. No entanto, a perda de figuras carismáticas como Abu Ibrahim reduz a capacidade de arrecadação de recursos e coordenação global. O grupo continua a usar propaganda online para inspirar ataques e a recrutar seguidores, especialmente em regiões instáveis.

Perspectivas futuras

A comunidade internacional observa com cautela os próximos passos do grupo. A aliança global contra o EI, liderada pelos Estados Unidos, continua suas operações de inteligência e ataques aéreos, mas o vácuo de poder em regiões como a África Subsaariana e as incertezas geopolíticas globais podem oferecer novas oportunidades para o grupo reorganizar suas forças. Analistas do Conselho de Segurança da ONU alertam que o EI ainda representa uma ameaça de longo prazo, com capacidade de realizar ataques de alto perfil e de se adaptar às contramedidas.

A nomeação de Abu al-Hassan não deve alterar significativamente a estratégia do grupo, que já vinha operando sob a liderança de Abu Ibrahim com foco na insurgência global e na expansão para a África. O sucessor terá o desafio de manter a coesão interna do grupo, que sofreu rachas entre facções moderadas e radicais, além de garantir financiamento contínuo.

Resumo em pontos

  • O EI confirmou a morte de Abu Ibrahim al-Hashimi al-Quraishi, que morreu em uma operação dos EUA na Síria em 3 de fevereiro de 2022.
  • O novo líder é Abu al-Hassan al-Hashimi al-Quraishi, descrito como "veterano da jihad".
  • A operação em Atmeh matou o líder e sua família; 13 civis morreram.
  • Abu Ibrahim liderou o EI de 2019 a 2022, período em que o grupo se descentralizou e expandiu filiais na África e Ásia.
  • O EI ainda é considerado uma ameaça global, com destaque para as filiais ISWAP (África Ocidental) e ISIS-K (Afeganistão).
  • Especialistas creem que a sucessão não interromperá as operações do grupo, mas reduz sua capacidade de coordenação central.

Perguntas frequentes

Como morreu Abu Ibrahim al-Hashimi?

Ele morreu em 3 de fevereiro de 2022 durante uma operação das forças especiais dos EUA em Atmeh, noroeste da Síria. Para evitar a captura, detonou um colete ou carga explosiva, matando a si mesmo e a sua esposa, além de causar a morte de 13 civis no local.

Quem é o novo líder do Estado Islâmico?

O novo líder é Abu al-Hassan al-Hashimi al-Quraishi. Sua identidade real é desconhecida publicamente, mas ele é descrito como um veterano jihadista de longa data dentro do grupo. O EI pede lealdade a ele como o novo califa.

O Estado Islâmico ainda representa uma ameaça global?

Sim, embora o grupo tenha perdido seu território na Síria e no Iraque, ele ainda mantém capacidade de realizar ataques e inspirar atentados por meio de suas filiais regionais, especialmente na África e no Afeganistão. A ameaça é considerada significativa, mas com menor capacidade de coordenação centralizada.

O que aconteceu com o Estado Islâmico após a morte de Abu Bakr al-Baghdadi?

Após a morte de Baghdadi em 2019, o grupo se reorganizou sob a liderança de Abu Ibrahim, que priorizou a descentralização e o fortalecimento das filiais regionais. A perda do líder não interrompeu as operações, e o grupo continuou a realizar ataques, embora em menor escala na região central do Oriente Médio.

Como o Estado Islâmico se financia?

O EI historicamente se financiou por sequestros, extorsão, contrabando de petróleo, doações e, mais recentemente, por meio de criptomoedas e atividades criminosas nas regiões onde atua. Com a perda do território, fontes de receita diminuíram, mas o grupo ainda mantém acesso a recursos, especialmente na África.