Em abril de 2022, o governo britânico autorizou a extradição de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, para os Estados Unidos. A decisão foi assinada pela então ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel, após uma longa batalha judicial que se arrastava por anos. Assange enfrenta acusações nos EUA que podem resultar em uma pena de até 175 anos de prisão.

O caso teve um novo capítulo em janeiro de 2021, quando a juíza Vanessa Baraitser, do Tribunal de Magistrados de Westminster, negou a extradição com base em preocupações sobre a saúde mental de Assange e o risco de suicídio. O governo americano, no entanto, recorreu da decisão. Em dezembro de 2021, o Tribunal Superior de Londres acolheu o recurso, aceitando as garantias diplomáticas oferecidas pelos EUA sobre o tratamento de Assange em solo americano.

Com a decisão favorável ao recurso, o caso foi encaminhado à ministra do Interior, que assinou a ordem de extradição em 20 de abril de 2022. A defesa de Assange classificou a medida como um ataque à liberdade de imprensa e anunciou que recorreria às instâncias superiores.

Julian Assange é acusado pelo governo dos EUA de 18 crimes sob a Lei de Espionagem de 1917, relacionados à divulgação de documentos confidenciais militares e diplomáticos pelo WikiLeaks entre 2010 e 2011. As acusações incluem conspiração para obter e divulgar informações de defesa nacional. Os defensores de Assange argumentam que ele agiu como jornalista e que as acusações têm motivação política.

Assange passou aproximadamente sete anos asilado na embaixada do Equador em Londres, entre 2012 e 2019, para evitar a extradição. Em abril de 2019, o governo equatoriano retirou seu asilo, e ele foi detido pela polícia britânica. Desde então, permaneceu em uma prisão de segurança máxima no Reino Unido, onde também respondia a um processo separado por violação das condições de fiança.

Organizações de defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa, como a Anistia Internacional e a Repórteres Sem Fronteiras, manifestaram críticas à decisão. As entidades alertaram que a extradição de Assange e sua possível condenação poderiam estabelecer um precedente perigoso para jornalistas e denunciantes em todo o mundo.

Após a assinatura da ordem de extradição, a defesa de Assange iniciou o processo de apelação. O caso foi levado à Corte Europeia de Direitos Humanos, que posteriormente solicitou ao governo britânico que não extraditasse Assange enquanto analisava o pedido. O caso de Julian Assange continua sendo um dos mais emblemáticos do século XXI, envolvendo questões complexas sobre segurança nacional, liberdade de imprensa e direitos humanos.

A decisão do governo britânico ocorreu em meio a uma intensa campanha internacional de organizações de jornalistas e defensores dos direitos digitais, que pediam a libertação de Assange. Parlamentares australianos, diplomatas e ativistas de diversos países se mobilizaram para tentar impedir a extradição, argumentando que o caso estabeleceria um precedente preocupante para a liberdade de expressão em escala global.