RIO DE JANEIRO/WASHINGTON - O diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos disse a autoridades de alto escalão do Brasil no ano passado que o presidente Jair Bolsonaro deveria parar de questionar o sistema eleitoral do país antes do pleito de outubro, segundo disseram fontes Reuters.

Os comentários do diretor da CIA, William Burns, que ainda não haviam sido levados a público, foram feitos em uma reunião a portas fechadas em julho, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto, que falaram sob condição de anonimato.

Uma terceira pessoa em Washington com conhecimento do assunto confirmou que a delegação liderada por Burns havia dito a assessores importantes de Bolsonaro que o presidente deveria parar de minar a confiança do sistema eleitoral do Brasil.

Isso tem gerado temor entre seus adversários de que Bolsonaro, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de opinião, esteja semeando a dúvida para que possa seguir o exemplo de Trump, rejeitando uma possível derrota na votação de outubro.

Mês passado, por exemplo, Burns disse em um discurso público que em novembro, quatro meses depois de visitar Brasília, Biden o enviou a Moscou “Para transmitir diretamente ao Putin e vários de seus conselheiros próximos a profundidade da nossa preocupação sobre seus planos de guerra e as consequências Rússia” caso eles seguissem em frente.

No entanto, a mensagem da delegação de Burns foi mais forte que a de Sullivan, disse a fonte que mora em Washington, sem entrar em mais detalhes.

No último sábado, no entanto, em mais um sinal de inquietação entre o establishment da política externa de Washington, o ex-cônsul dos EUA no Rio de Janeiro escreveu em um jornal brasileiro que os Estados Unidos deveriam deixar claro a Bolsonaro que qualquer tentativa de minar as eleições deveria gerar sanções multilaterais.

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Originalmente Publicado: 5 de Maio de 2022 às 20:22

Fonte: Istoe.com.br