O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou neste sábado (14) que as Forças Armadas ucranianas retomaram o controle de mais de 1.000 assentamentos que estavam sob ocupação russa desde o início da invasão, em fevereiro. A declaração ocorre em meio a uma contraofensiva relâmpago na região de Kharkiv, segunda maior cidade do país, de onde tropas russas estão se retirando apressadamente. A informação foi verificada pelo UOL Confere junto a fontes oficiais do governo ucraniano.
A guerra na Ucrânia completava quase três meses em maio de 2022. Após o fracasso em tomar Kiev, a Rússia concentrou seus esforços militares no leste e no sul, buscando consolidar o controle sobre as regiões de Donetsk e Luhansk. No entanto, a resistência ucraniana se mostrou mais forte do que o esperado, e a partir de abril as forças locais começaram a reconquistar territórios perdidos nos primeiros dias do conflito.
A declaração de Zelensky
Em seu discurso noturno, Zelensky afirmou que “mais de 1.000 assentamentos foram libertados das forças de ocupação”. O presidente ucraniano destacou que a luta continua, mas que o moral das tropas está elevado. “Estamos gradualmente, mas seguramente, expulsando o inimigo do nosso solo”, disse. Ele também agradeceu o apoio militar recebido dos países ocidentais, que tem sido crucial para a resistência ucraniana.
De acordo com o governo ucraniano, as áreas retomadas incluem cidades e vilarejos nas regiões de Kiev, Chernihiv, Sumy e, mais recentemente, na região de Kharkiv. As forças ucranianas afirmam ter capturado equipamentos militares russos abandonados durante a retirada.
A retirada russa de Kharkiv
A retirada das tropas russas da região de Kharkiv foi confirmada por analistas militares ocidentais e por imagens de satélite. A Ucrânia lançou uma contraofensiva na região que forçou os russos a recuar para além da fronteira, em direção à Rússia. A cidade de Kharkiv, que vinha sendo bombardeada intensamente desde o início da guerra, voltou a ter relativa calma, embora ainda haja registros de ataques esporádicos.
Analistas apontam que a retirada pode representar uma mudança significativa na estratégia russa, que agora parece focar no avanço no Donbass. No entanto, a rapidez do avanço ucraniano em Kharkiv surpreendeu muitos observadores e mostrou a fragilidade das linhas de defesa russas.
Impacto humanitário
Com a retomada dos assentamentos, equipes de resgate e autoridades locais têm encontrado evidências de atrocidades, incluindo corpos de civis e valas comuns. O governo ucraniano estima que milhares de pessoas ainda precisam de assistência humanitária básica, como comida, água e medicamentos. A evacuação de civis das áreas mais afetadas continua, embora em ritmo mais lento devido aos combates ainda ativos em algumas regiões.
A ONU e organizações não governamentais têm pressionado por corredores humanitários seguros para permitir a saída de civis e a entrega de ajuda. A situação em Mariupol, no sul, continua crítica, mas a reconquista de territórios no norte e leste traz esperança de alívio para milhares de famílias.
Reação internacional
Os Estados Unidos e a União Europeia saudaram o avanço ucraniano e prometeram mais ajuda militar. O presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que “a Ucrânia está lutando bravamente por sua liberdade” e anunciou um novo pacote de armamentos. Por outro lado, a Rússia negou que esteja em retirada, afirmando que as tropas estavam apenas sendo reposicionadas para outras frentes. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que “a operação militar especial continua conforme o planejado”.
Perspectivas para o conflito
Analistas acreditam que a contraofensiva ucraniana pode mudar o rumo da guerra, mas alertam para uma possível reação russa. A Rússia ainda possui vasto poderio militar e pode tentar retaliar com ataques mais intensos no leste. O presidente Zelensky pediu mais sanções contra a Rússia e mais armas para seus soldados. O conflito ainda não tem previsão de término, e a comunidade internacional acompanha com atenção os próximos movimentos de ambos os lados.
Principais pontos
- Zelensky afirma que mais de 1.000 assentamentos foram retomados pelos ucranianos.
- Tropas russas se retiram da região de Kharkiv sob pressão da contraofensiva.
- Ucrânia recebe elogios e promessas de mais ajuda militar dos EUA e da UE.
- Rússia nega retirada estratégica e diz que reposiciona tropas.
- Situação humanitária ainda é grave, com milhares de desabrigados.
Perguntas frequentes
Quantos assentamentos foram retomados?
Mais de 1.000, de acordo com o presidente Zelensky. A informação foi checada pelo UOL Confere com fontes oficiais.
Os russos realmente deixaram Kharkiv?
Sim. A retirada das tropas russas da região de Kharkiv foi confirmada por autoridades ucranianas e por analistas internacionais. A cidade não está mais sob cerco, embora ainda haja riscos de ataques.
O que essa retomada significa para a guerra?
A contraofensiva ucraniana mostra que as forças do país são capazes de recuperar territórios, mas a guerra continua intensa no leste. A Rússia ainda concentra tropas no Donbass e a expectativa é de novos combates.