O governador de São Paulo, João Doria, classificou como "golpe" as articulações internas do PSDB que ameaçam sua candidatura à Presidência da República. Em meio à crise, a direção do partido convocou uma reunião para definir os rumos da chamada "terceira via", coalizão de partidos de centro que busca romper a polarização entre Lula e Bolsonaro nas eleições de 2022. O encontro é considerado decisivo para o futuro da candidatura tucana e para a viabilidade de um projeto alternativo de poder.

Doria venceu as prévias do PSDB em novembro de 2021, consolidando-se como o nome oficial do partido para a disputa presidencial. No entanto, desde então, setores internos passaram a articular uma candidatura alternativa, argumentando que o governador não teria viabilidade eleitoral devido à alta rejeição e à falta de apoio de outras legendas. A pressão aumentou após a desistência de outros potenciais candidatos e a aproximação do PSDB com o União Brasil e o MDB para formar uma chapa única de centro.

Em declarações à imprensa, Doria afirmou que as manobras para inviabilizar sua candidatura representam um "golpe" contra a vontade expressa nas prévias. "Não aceitarei imposições. O partido precisa respeitar a democracia interna e a decisão dos filiados", disse o governador. A declaração gerou reações imediatas entre aliados e adversários, acirrando o debate sobre os rumos da legenda.

Contexto da crise no PSDB

A insatisfação de parte do PSDB com a candidatura de Doria não é recente. Desde que venceu as prévias, o governador enfrenta resistência de lideranças históricas do partido, que consideram sua candidatura inviável diante do cenário eleitoral. Pesquisas de intenção de voto mostravam Doria com índices baixos, o que alimentou o movimento por uma "terceira via" mais competitiva.

Além disso, a aliança com outros partidos de centro, como União Brasil e MDB, ganhou força nos últimos meses. A ideia é lançar um nome único que possa agregar votos e construir uma alternativa viável à polarização. No entanto, a falta de consenso sobre quem seria esse nome paralisou as negociações.

A reunião do PSDB

A direção nacional do PSDB marcou uma reunião para discutir o impasse. O encontro, que deve contar com governadores, senadores e dirigentes partidários, tem como objetivo decidir se o partido mantém a candidatura de Doria ou se busca um nome de consenso. Entre as lideranças que devem participar estão o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o presidente do partido, Bruno Araújo.

A expectativa é que a reunião produza uma definição sobre o apoio a uma candidatura única da terceira via. Caso o PSDB decida abandonar a candidatura própria, o partido pode apoiar a pré-candidatura de Simone Tebet (MDB) ou lançar um nome alternativo, como o ex-ministro Henrique Meirelles.

Impacto na terceira via

A indefinição no PSDB enfraquece o projeto da terceira via, que já conta com a pré-candidatura de Simone Tebet (MDB) e de outros nomes. Analistas políticos apontam que a falta de uma definição clara pode beneficiar os candidatos mais polarizados, que já iniciaram suas campanhas. Doria, por sua vez, tenta mobilizar apoio popular e de aliados para garantir sua permanência na disputa. Ele intensificou uma agenda de viagens e encontros com lideranças locais para reverter a baixa popularidade.

O cenário econômico e as pesquisas de intenção de voto também influenciam as decisões dos partidos. A terceira via precisa consolidar um nome até o prazo de registro de candidaturas para ter chances reais de competitividade.

Principais pontos do impasse

  • Doria rejeita abrir mão da candidatura e critica a direção do partido, classificando as manobras como "golpe".
  • Parte do PSDB defende uma aliança com União Brasil e MDB para lançar um candidato único de centro.
  • Eduardo Leite é cogitado como substituto, mas nega interesse público na candidatura.
  • A indefinição dificulta o crescimento da terceira via nas pesquisas eleitorais.
  • A reunião do PSDB pode resultar em apoio a uma candidatura externa, como a de Simone Tebet (MDB).
  • A pressão interna e externa aumenta à medida que o prazo para definições partidárias se aproxima.

Perguntas frequentes sobre a terceira via e a candidatura de Doria

O que é a terceira via?

A terceira via é um movimento político que reúne partidos de centro, como PSDB, MDB e União Brasil, com o objetivo de oferecer uma alternativa aos candidatos Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.

Por que a terceira via é importante?

Ela busca representar o eleitorado que não se identifica com a polarização entre esquerda e direita, defendendo um projeto de centro, com ênfase em responsabilidade fiscal, reformas institucionais e diálogo.

Doria ainda pode ser candidato?

Sim, se o PSDB mantiver sua candidatura. Caso contrário, o partido pode apoiar outro nome, ou Doria pode tentar viabilizar sua candidatura por outra legenda, embora isso seja improvável.

O que acontece se o PSDB desistir de Doria?

O partido pode optar por apoiar Simone Tebet (MDB) ou buscar um nome de consenso, como o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ou o governador Eduardo Leite. A definição deve sair da reunião marcada pela cúpula partidária.

Qual o papel do UOL Confere nessa notícia?

O UOL Confere é o veículo de checagem de fatos do portal UOL, que verificou as declarações de Doria e da direção do PSDB. A checagem ajuda a esclarecer informações e a combater desinformação no período eleitoral.