Em uma reunião histórica do comitê executivo realizada neste domingo (15), o Partido Social-Democrata da Suécia, legenda da primeira-ministra Magdalena Andersson, anunciou formalmente seu apoio à candidatura do país à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A decisão rompe com mais de dois séculos de neutralidade militar sueca, um princípio sagrado da política externa do país desde as Guerras Napoleônicas. A invasão russa da Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, foi o catalisador definitivo para essa mudança sísmica, alterando drasticamente o cálculo de segurança na Europa e empurrando a opinião pública sueca a favor da aliança militar ocidental.

A decisão do Partido Social-Democrata

O Partido Social-Democrata era o último grande partido sueco a manter resistência à adesão. Após semanas de intenso debate interno e uma reunião crucial do conselho executivo, a cúpula partidária decidiu apoiar a entrada na aliança. Andersson afirmou que a Suécia precisa da segurança coletiva que a OTAN oferece e que o país deve estar preparado para um período de transição delicado. "Estamos fazendo o que é melhor para a segurança do povo sueco neste momento crítico", declarou a primeira-ministra em entrevista coletiva. A decisão abre caminho para uma votação no Parlamento sueco, o Riksdag.

Fim de mais de 200 anos de neutralidade

A Suécia não participa de alianças militares desde 1814, mantendo-se neutra em conflitos globais como as duas Guerras Mundiais e a Guerra Fria. A virada na opinião pública foi rápida e impressionante: antes da invasão da Ucrânia, o apoio à entrada na OTAN era de cerca de 30% nas pesquisas. Este número saltou para mais de 50% após o conflito, e continua subindo. O país vizinho, a Finlândia, que compartilha uma longa fronteira com a Rússia, também deve tomar uma decisão similar nos próximos dias, com amplo apoio de sua população e parlamento. Os dois países nórdicos planejam coordenar suas candidaturas.

Próximos passos e cronograma

Com o sinal verde do partido no poder, o caminho para a candidatura formal está aberto. A primeira-ministra deve levar a questão ao Riksdag nos próximos dias, onde uma maioria substancial já está garantida com o apoio de partidos de oposição, como o Moderado e o Liberal. Espera-se que a tramitação seja rápida. Os governos da Suécia e da Finlândia planejam entregar suas candidaturas juntas na cúpula da OTAN em Madri, no final de junho. O período de ratificação por todos os 30 membros atuais da aliança pode levar até um ano, um período de vulnerabilidade onde os países não estarão totalmente protegidos pelo Artigo 5.

Reações e riscos

A decisão foi recebida com entusiasmo pela OTAN e pelos Estados Unidos. O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, disse que "abraçará a Suécia de braços abertos" e que a adesão fortalecerá a segurança europeia. Por outro lado, a Rússia já advertiu que tomará medidas retaliatórias e que a adesão sueca é um "erro histórico". Moscou ameaçou com a possível instalação de armas nucleares no Mar Báltico e o reforço militar na região. Internamente, partidos de esquerda e movimentos pacifistas criticam a medida, alertando para o aumento das tensões regionais e o risco de a Suécia se tornar um alvo.

Impacto na segurança europeia

A adesão da Suécia e da Finlândia representa a maior expansão da OTAN desde a adesão de países do Leste Europeu nos anos 2000. O Mar Báltico se tornará praticamente um "lago da OTAN", com exceção da costa russa em Kaliningrado e São Petersburgo. Para os analistas, isso simplifica a defesa dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) e aumenta a dissuasão contra a Rússia. A neutralidade sueca, que por décadas foi uma peça de estabilidade regional, cedeu lugar à busca por segurança coletiva em um mundo mais perigoso e imprevisível.

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Pontos-chave

  • Decisão histórica: Social-democratas aprovam adesão à OTAN, encerrando neutralidade de 200 anos.
  • Contexto: Invasão russa da Ucrânia foi o principal catalisador para a mudança de posição.
  • Parlamento: Votação deve ocorrer nos próximos dias com ampla maioria favorável.
  • Cooperação nórdica: Finlândia deve seguir o mesmo caminho e aderir em conjunto com a Suécia.
  • Riscos: Rússia promete retaliações; período de transição até a ratificação total é de vulnerabilidade.

Perguntas frequentes sobre a adesão da Suécia à OTAN

O que muda para a Suécia com a adesão à OTAN?

A Suécia passará a ser coberta pelo Artigo 5 do tratado, que garante que um ataque a um membro é um ataque a todos. O país ganhará garantias de segurança coletiva e participará das decisões estratégicas da aliança, mas também terá que contribuir com os gastos de defesa.

Por que a Suécia mudou de posição tão rapidamente?

A invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022 demonstrou que a neutralidade não era mais uma garantia de segurança. A opinião pública e a classe política entenderam que a adesão à OTAN era a melhor forma de dissuadir possíveis agressões e garantir a integridade territorial do país.

Qual o papel da Finlândia nesse processo?

A Finlândia, que faz fronteira com a Rússia, está coordenando seus passos com a Suécia. Ambos os países devem apresentar suas candidaturas simultaneamente, fortalecendo a segurança nórdica e simplificando o processo de ratificação perante os parlamentos dos membros atuais da OTAN.