O Partido Social-Democrata, que está no poder na Suécia, aprovou neste domingo (15 de maio de 2022) a candidatura do país à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A decisão histórica representa o fim de mais de dois séculos de neutralidade militar sueca e ocorre em meio à escalada de tensões na Europa após a invasão russa da Ucrânia.

Durante a Guerra Fria, a Suécia manteve uma posição de neutralidade ativa, evitando alinhar-se tanto à Otan quanto ao Pacto de Varsóvia. No entanto, após o fim do conflito bipolar, o país aproximou-se gradualmente da aliança ocidental, participando de parcerias e missões de paz. A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, porém, foi vista como um ponto de inflexão: o governo sueco concluiu que a neutralidade já não era uma garantia suficiente de segurança.

A Suécia e a Finlândia vinham debatendo a adesão à aliança militar desde o início do conflito em fevereiro. Até então, ambos os países mantinham política de não alinhamento, mas a opinião pública e a classe política passaram a considerar a Otan como uma salvaguarda necessária diante da agressão russa. Pesquisas de opinião indicavam que a maioria dos suecos era favorável ao ingresso.

Dentro do Partido Social-Democrata, o debate foi intenso. A ala esquerda do partido, historicamente pacifista, resistia à ideia, temendo que a adesão provocasse uma resposta militar russa e comprometesse a estabilidade na região do Mar Báltico. No entanto, a primeira-ministra Magdalena Andersson e os líderes do partido argumentaram que a neutralidade já não oferecia segurança suficiente. Após reunião de cerca de seis horas, a decisão foi tomada com amplo apoio dos membros.

Com o aval do partido governista, o governo sueco deve encaminhar o pedido formal de ingresso ao parlamento. No Riksdag, a maioria das legendas já se declarou favorável: além dos social-democratas, os partidos Moderado, Liberal, Democrata-Cristão e Centro anunciaram apoio. Apenas o Partido da Esquerda e o Partido Verde manifestaram oposição. A expectativa é que o parlamento aprove a candidatura com significativa margem.

No plano internacional, a Otan saudou a decisão. O secretário-geral Jens Stoltenberg afirmou que a entrada da Suécia e da Finlândia fortalecerá a aliança e que o processo de ratificação será célere. A Rússia, por outro lado, criticou a medida e prometeu retaliar, possivelmente com reforço militar na região do Báltico. Analistas apontam que a Suécia e a Finlândia já cumprem os requisitos técnicos e políticos para a adesão, o que deve encurtar o processo.

A adesão à Otan segue um protocolo: o país candidato apresenta a solicitação, o Conselho do Atlântico Norte avalia, e todos os trinta membros atuais precisam ratificar a entrada. O processo pode durar entre alguns meses e um ano, mas o contexto de crise na Ucrânia tende a acelerá-lo. A Suécia já participa de exercícios militares conjuntos e adota padrões de interoperabilidade, o que facilita a transição.

Simultaneamente, a Finlândia, que compartilha uma longa fronteira com a Rússia, também se prepara para solicitar ingresso. Os dois países nórdicos coordenam seus movimentos e devem assinar os protocolos de adesão lado a lado. Para a Otan, a entrada do bloco nórdico representa um ganho estratégico, com controle sobre o mar Báltico e capacidade militar avançada.

Do lado russo, a reação foi de forte oposição. O governo russo classificou a expansão da Otan como uma ameaça à sua segurança nacional e prometeu tomar medidas de retaliação, que podem incluir a instalação de sistemas de mísseis em Kaliningrado e o reforço da frota do Báltico. Analistas internacionais acreditam que a Rússia não tem capacidade militar para impedir a adesão, mas pode aumentar as provocações na região.

O parlamento sueco deve votar a candidatura nos próximos dias. A expectativa é de que o projeto seja aprovado com cerca de três quartos dos votos. Com a luz verde do legislativo, o governo apresentará formalmente o pedido ao secretário-geral da Otan. A organização já sinalizou que abrirá negociações de adesão o mais rápido possível.

Resumo dos pontos principais

  • Fim da neutralidade sueca: decisão histórica motivada pela guerra na Ucrânia.
  • O partido governista Social-Democrata aprovou a candidatura internamente.
  • O parlamento sueco deve aprovar o pedido com maioria confortável.
  • A Otan promete rápida tramitação; Rússia reage com ameaças.
  • Finlândia também deve anunciar sua candidatura em breve.

Perguntas frequentes

  1. Por que a Suécia decidiu ingressar na Otan agora? A invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022 gerou um novo cenário de segurança na Europa, levando a Suécia a reavaliar sua neutralidade histórica e buscar proteção coletiva.
  2. A Suécia precisa da aprovação de todos os membros da Otan? Sim, a adesão exige consenso entre os 30 países-membros atuais. Cada parlamento nacional precisa ratificar o protocolo de adesão.
  3. Quando a Suécia se tornará membro efetivo? O processo de ratificação pode levar de alguns meses a um ano, mas a expectativa é de que ocorra ainda em 2022 ou início de 2023, devido à urgência geopolítica.