O acidente com o voo MU5735 da China Eastern Airlines, ocorrido em 21 de março de 2022, chocou o mundo. As 132 pessoas a bordo do Boeing 737-800 morreram quando a aeronave caiu em uma região montanhosa na província de Guangxi, no sul da China. Após meses de investigação, os dados recuperados do Gravador de Dados de Voo (FDR) indicam que a queda foi causada por uma ação deliberada de alguém dentro da cabine de comando.

De acordo com o relatório preliminar divulgado pelas autoridades chinesas e corroborado pelo National Transportation Safety Board (NTSB) dos Estados Unidos, os dados do FDR mostram que alguém na cabine programou o avião para um mergulho. As evidências técnicas apontam que os comandos de voo foram manipulados manualmente para fazer o nariz da aeronave apontar para o solo, uma trajetória incompatível com uma falha mecânica ou uma emergência padrão.

O avião decolou do Aeroporto Internacional de Kunming Changshui com destino a Guangzhou. Cerca de uma hora e meia após a decolagem, enquanto navegava em altitude de cruzeiro, a aeronave iniciou uma descida abrupta e acelerada. Os controladores de tráfego aéreo não receberam nenhuma comunicação de emergência vinda da cabine. O FDR registrou que os manetes de potência foram puxados para a posição idle e que o profundor foi acionado repetidamente de forma a levar o avião a um mergulho sustentado.

O relatório final da Administração de Aviação Civil da China (CAAC) afirmou que o avião foi derrubado por "mergulho intencional". Especialistas internacionais em aviação afirmam que os dados são consistentes com uma ação humana deliberada, não havendo evidências de uma falha técnica ou de um ataque cibernético. O gravador de voz da cabine (CVR) também foi recuperado, mas seu áudio não forneceu uma explicação clara sobre o que motivou a ação, tendo sido descrito como "ruído de fundo e alertas" antes do impacto.

Os dados do FDR indicam que as tentativas automáticas do sistema de alerta de proximidade do solo (GPWS) de evitar o impacto foram ignoradas. O avião desceu de uma altitude de aproximadamente 29.000 pés (cerca de 8.839 metros) para o solo em menos de dois minutos, atingindo uma velocidade descendente altíssima. A investigação foi complexa devido ao terreno montanhoso e ao alto impacto, que fragmentou a aeronave em milhares de peças. As buscas pelos destroços e pelos corpos das vítimas foram exaustivas, e o FDR foi encontrado dias após o acidente.

O caso reacendeu debates sobre a segurança em cockpits e a saúde mental de pilotos. Embora a China não tenha divulgado oficialmente o nome do responsável, o relatório indica claramente que a ação partiu de alguém com acesso aos controles da aeronave. Este cenário é um dos mais temidos na aviação, comparável ao voo 9525 da Germanwings em 2015, onde o copiloto derrubou intencionalmente o avião nos Alpes Franceses, e ao voo 370 da Malaysia Airlines, que também envolve teorias de ação deliberada na cabine.

Em resposta ao acidente, as autoridades chinesas intensificaram os exames psicológicos e as verificações de histórico de todos os pilotos em atividade no país. As companhias aéreas também reforçaram a regra de que deve haver sempre duas pessoas na cabine de comando em todos os momentos. A tragédia do voo MU5735 deixou uma marca profunda na aviação global, servindo como um duro lembrete das vulnerabilidades humanas dentro dos sistemas de segurança mais rigorosos.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que os dados da caixa-preta mostraram?

O Gravador de Dados de Voo (FDR) mostrou que os comandos de voo foram manipulados manualmente para colocar a aeronave em um mergulho intencional. Os manetes foram reduzidos e o profundor foi acionado repetidamente para baixo, o que é consistente com uma ação humana deliberada. Não houve comunicação de emergência da tripulação.

A investigação apontou um culpado específico?

O relatório final da CAAC não menciona nomes ou atribui culpa a um piloto específico. No entanto, a conclusão técnica é de que a ação partiu de alguém que estava dentro da cabine de comando da aeronave. As autoridades chinesas afirmaram que não há evidências de invasão externa.

Houve algum precedente para esse tipo de acidente?

Sim. O caso mais famoso e diretamente comparável é o do voo 9525 da Germanwings (2015), onde o copiloto Andreas Lubitz derrubou intencionalmente o avião nos Alpes Franceses. Outros casos, como o voo 370 da Malaysia Airlines (2014) e o voo 990 da EgyptAir (1999), também envolvem investigações ou confirmações de ações deliberadas na cabine de comando.