Os motoristas e cobradores de ônibus que operam na capital paulista decidiram, em assembleia realizada na noite desta quarta-feira (29), entrar em greve por tempo indeterminado a partir da zero hora da próxima segunda-feira, 4 de julho. A paralisação foi aprovada por ampla maioria dos trabalhadores após o rompimento das negociações com a SPTrans e o consórcio de empresas que administram o transporte público na cidade.

Reivindicações e impasse nas negociações

A pauta de reivindicações da categoria inclui um reajuste salarial de 15%, a manutenção integral do plano de saúde e do vale-alimentação, além de melhorias nas condições de segurança nos terminais e dentro dos veículos. O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) afirma que a data-base da categoria é maio e que as empresas vêm postergando as negociações desde então, o que gerou forte insatisfação entre os trabalhadores. A última oferta patronal, que previa um reajuste de 6%, foi considerada insuficiente, uma vez que a inflação acumulada nos últimos 12 meses ultrapassou os 11%, representando, na prática, uma perda significativa do poder de compra. As empresas, por sua vez, alegam que o aumento dos custos operacionais, especialmente com o diesel, e a queda no número de passageiros desde a pandemia limitam a capacidade de conceder reajustes mais elevados. A SPTrans atuou como mediadora, mas não conseguiu aproximar as partes.

Funcionamento da greve e impactos na cidade

Conforme determina a legislação municipal, a greve deverá manter 30% da frota circulando nos horários de pico (das 6h às 9h e das 17h às 20h), com 100% dos veículos nos demais horários para tentar minimizar os transtornos. No entanto, a categoria promete realizar piquetes nos principais terminais para conscientizar a população sobre as reivindicações, o que pode reduzir ainda mais o número de ônibus em circulação. A expectativa é de que a cidade enfrente um caos no trânsito, com reflexos em todas as regiões, especialmente nas periferias, onde o ônibus é o único meio de transporte disponível para milhões de pessoas. Estima-se que a paralisação impacte diretamente cerca de 4 milhões de passageiros que utilizam os ônibus municipais diariamente. Setores como comércio e serviços já se preparam para um possível aumento do absenteísmo.

Medidas da SPTrans e orientações aos usuários

A SPTrans informou, por meio de nota oficial, que considera a greve prematura, uma vez que ainda há espaço para negociação. O órgão afirmou que irá ingressar com uma ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região para garantir o cumprimento da frota mínima e pedir a aplicação de multa em caso de descumprimento. A prefeitura orienta os passageiros a buscarem alternativas de transporte, como metrô e trem, que não devem ser afetados pela paralisação, além de recomendarem a adoção de home office sempre que possível. Aplicativos de mobilidade, como Uber e 99, devem operar livremente, mas com preços dinâmicos. A recomendação é planejar os deslocamentos com antecedência e buscar informações oficiais nos canais da SPTrans e do sindicato.

Histórico de greves e contexto

Esta é a primeira grande paralisação da categoria desde 2019, quando uma greve de três dias gerou um prejuízo estimado em R$ 500 milhões para a economia da cidade. Na ocasião, a Justiça do Trabalho determinou a circulação de 70% da frota nos horários de pico, mas o serviço foi fortemente afetado. Especialistas em mobilidade urbana apontam que o desgaste entre a categoria e os patrões vem se acumulando, e o cenário econômico adverso, com inflação alta e desemprego, contribui para o acirramento do conflito.

Perguntas frequentes sobre a greve

  • Quando a greve começa? A paralisação está marcada para a zero hora de segunda-feira, 4 de julho.
  • A greve é legal? O sindicato cumpriu os trâmites legais, notificando a SPTrans e as empresas com 72 horas de antecedência. A legalidade, no entanto, depende de julgamento do TRT, que pode ser acionado pelas empresas.
  • Quanto tempo vai durar? Não há previsão. A greve é por tempo indeterminado e continuará até que uma nova assembleia seja convocada para avaliar propostas.
  • Quais linhas serão afetadas? Todas as linhas municipais operadas pelo consórcio de empresas privadas. As linhas metropolitanas da EMTU não serão afetadas pela paralisação.
  • Metrô e CPTM vão funcionar? Sim. O metrô e a CPTM operarão normalmente durante todo o período da greve.
  • Como saber se meu ônibus vai passar? A SPTrans prometeu divulgar a lista de linhas e horários em tempo real em seu site e aplicativo oficial. O usuário deve consultar antes de sair de casa.
  • O que fazer se eu precisar pegar ônibus? A orientação é buscar rotas alternativas, sair mais cedo, utilizar metrô ou trem e adotar horários alternativos de trabalho, se possível.

A cidade de São Paulo vive a expectativa de mais uma greve de ônibus enquanto aguarda um desfecho nas negociações entre sindicato e empresas. O Sindmotoristas afirmou que está aberto ao diálogo, mas que a greve só será suspensa mediante uma proposta concreta que atenda às reivindicações da categoria. Até lá, a orientação é planejar os deslocamentos com cuidado e buscar informações oficiais para amenizar os impactos da paralisação.