Se ele tem o poder, você tem que fazer, tem que fazer o que ele mandar, independentemente do que seja", afirma Thaís, a funcionária que diz ter sido convidada por ele para ir sauna e, na mesma viagem, recebeu um beliscão.

Não fosse o assédio sexual, parece que seria o caso de discutir o assédio moral.

Expõe-se o duplo aspecto político da ocorrência: a) o machismo, vamos dizer, estrutural, que entende que a mulher pode receber uma investida indevida porque desfrutável; b) a mulher como alvo do predador, que pode mais.

Vocês se lembram daquela reunião ministerial de 22 de abril de 2020, em que ficou evidente a desordem que o governo Bolsonaro, quando o presidente expressou, então, entre palavrões, o desejo de controlar a Polícia Federal?

Pois bem, tratou-se lá do caso da mulher e da filha de uma parlamentar que teriam sido detidas pela Polícia porque estavam nadando em Copacabana, embora houvesse a proibição expressa de usar o mar em razão da Covid.

Guimarães disse o que aconteceria se o episódio envolvesse uma filha sua:“Que porra essa? O cara vai pro camburão com a filha.

Vejam aí: se a imposição de uma restrição policial, que valia para todo mundo, já levaria Guimarães a usar o seu arsenal, pode-se imaginar o que ele considera justo que pais, maridos, irmãos e namorados - além, claro!, das próprias vítimas - façam com um assediador, não mesmo? Seria preferível para as vítimas, para a Caixa e para o investigado que tudo não passasse de um equívoco, não é? Mas, infelizmente, não parece ser o caso.

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Originalmente Publicado: 29 de Junho de 2022 às 04:37

Fonte: Uol.com.br