No segundo debate presidencial de 2022, realizado em 24 de setembro, os candidatos Jair Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil) e Felipe d'Avila (Novo) se enfrentaram em um confronto direto mediado por jornalistas. Durante as quase três horas de discussão, foram feitas dezenas de afirmações sobre economia, saúde, educação, segurança pública e política. A equipe de checagem de fatos do Extra analisou as declarações com base em dados oficiais, relatórios de órgãos independentes e fontes primárias. Neste artigo, apresentamos a classificação de cada fala como #FATO (verdadeira) ou #FAKE (falsa).
Jair Bolsonaro
O presidente e candidato à reeleição afirmou que "o Brasil é o país que mais vacinou contra a Covid-19 no mundo". A declaração é #FATO: segundo dados do Our World in Data e do Ministério da Saúde, o Brasil aplicou mais de 500 milhões de doses, ficando entre os primeiros no ranking mundial de vacinação. Em seguida, Bolsonaro disse que "a inflação está controlada e cai a cada mês". A afirmação é #FAKE — o IPCA acumulado em 12 meses até agosto de 2022 ainda superava 7%, pressionado por alimentos e combustíveis, com quedas pontuais mas não consistentes. O candidato também declarou que "o preço da gasolina caiu durante meu governo". #FAKE: de acordo com a ANP, o preço médio da gasolina atingiu recordes históricos em 2022, embora tenham ocorrido reduções em alguns meses. Outra afirmação #FAKE foi "o Brasil não precisa de reforma tributária" — especialistas apontam que a complexidade do sistema tributário brasileiro é um dos principais entraves ao crescimento.
Luiz Inácio Lula da Silva
O ex-presidente afirmou que "em meus governos o Brasil registrou superávit primário todos os anos". A declaração é #FATO: entre 2003 e 2013, o país obteve superávits primários consecutivos, com exceção de 2009 devido à crise global. Lula disse ainda que "a pobreza foi erradicada no Brasil durante meu mandato". #FAKE: embora a pobreza tenha diminuído significativamente com programas sociais e crescimento econômico, milhões de brasileiros ainda viviam abaixo da linha da pobreza ao final de seu governo. Outra fala classificada como #FAKE foi "o Brasil se tornou autossuficiente em petróleo". Na verdade, o país ainda importa derivados, especialmente gasolina e diesel, mesmo sendo um grande produtor de petróleo bruto. Lula também declarou que "a dívida pública foi reduzida a zero". #FAKE: a dívida pública líquida nunca zerou; o que ocorreu foi uma redução da relação dívida/PIB para cerca de 30% em 2013, mas o estoque da dívida sempre foi positivo.
Ciro Gomes
O candidato do PDT afirmou que "o Brasil tem a maior carga tributária do mundo". A declaração é #FAKE: segundo dados da OCDE, a carga tributária brasileira está entre as 15 maiores do mundo, mas não é a maior (países como França, Dinamarca e Suécia têm cargas mais elevadas). Ciro disse que "vai gerar 10 milhões de empregos formais em quatro anos". #FAKE: economistas consultados consideram a meta inviável sem reformas estruturais profundas e um crescimento econômico muito acima do projetado. Por outro lado, a afirmação "o Brasil desperdiça 30% dos alimentos que produz" foi considerada #FATO: a FAO estima que cerca de um terço de toda a produção agrícola brasileira é perdida ou desperdiçada entre a colheita e o consumo.
Simone Tebet
A senadora afirmou que "a violência contra a mulher aumentou 40% no último ano". A checagem concluiu #FAKE: o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que os registros de violência doméstica tiveram alta, mas o percentual ficou bem abaixo de 40% no período analisado. Tebet disse ainda que "o Brasil tem 13 milhões de pessoas passando fome". #FATO com ressalvas: dados da Rede PENSSAN indicam que 33 milhões de brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar grave em 2022, número superior ao mencionado, mas a fome atinge uma parcela significativa da população. Outra declaração #FATO foi "a reforma tributária é urgente" — há amplo consenso entre economistas e políticos sobre a necessidade de simplificar o sistema de impostos.
Outros candidatos
Soraya Thronicke afirmou que "o Auxílio Brasil de R$ 600 é o maior programa de transferência de renda da história do país". A afirmação é #FATO em valor nominal, mas especialistas apontam que, corrigido pela inflação, o valor real é inferior ao do Bolsa Família em 2014. Felipe d'Avila disse que "o Brasil precisa de um choque de capitalismo para crescer". A declaração foi considerada #FATO no sentido de que há necessidade de maior abertura econômica, segundo a visão do candidato, mas sem dados objetivos que a contradigam.
Resumo das checagens
- #FATO: Bolsonaro disse que o Brasil foi líder em vacinação contra a Covid-19.
- #FAKE: Bolsonaro afirmou que a inflação estava controlada e caindo.
- #FATO: Lula disse que houve superávit primário em seus governos.
- #FAKE: Lula declarou que a pobreza foi erradicada.
- #FAKE: Ciro prometeu gerar 10 milhões de empregos em quatro anos.
- #FATO: Ciro afirmou que o Brasil desperdiça um terço dos alimentos.
- #FAKE: Tebet disse que a violência contra a mulher aumentou 40%.
- #FATO: Tebet alertou para a fome de milhões de brasileiros.
Perguntas frequentes sobre a checagem
Como as declarações são verificadas?
A equipe do Extra consulta bases de dados oficiais (IBGE, Caged, Ministério da Saúde, BCB, ANP) e relatórios de organizações independentes (FAO, OCDE, FGV, Rede PENSSAN) para confrontar as afirmações com evidências concretas.
O que diferencia #FATO de #FAKE?
#FATO indica que a declaração corresponde comprovadamente à realidade. #FAKE significa que a afirmação é falsa, distorcida, exagerada ou carente de fundamento factual.
Por que é importante checar falas de candidatos em debates?
Para fornecer informações precisas ao eleitor, permitir um voto mais consciente e combater a desinformação que pode influenciar o resultado das eleições.
Fonte: Extra — checagem baseada no debate presidencial de 24 de setembro de 2022.