A taxa de desemprego no Brasil ficou em 8,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro de 2023, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgada pelo IBGE. O índice representa uma estabilidade na comparação com o trimestre de agosto a outubro de 2022, quando a taxa foi de 8,3%. O resultado veio dentro do esperado pelo mercado financeiro, que projetava uma ligeira alta ou manutenção do percentual diante do cenário de desaceleração econômica global e dos efeitos da política monetária restritiva no Brasil.
A estabilidade da taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro sinaliza um esfriamento do mercado de trabalho em relação ao forte aquecimento observado no ano anterior. O Brasil criou vagas em ritmo acelerado ao longo de 2022, puxado principalmente pelo setor de serviços e pela recuperação do comércio e da indústria pós-pandemia. No entanto, a partir do último trimestre do ano passado, os efeitos dos juros altos sobre a economia real começaram a se fazer sentir, especialmente nos setores mais sensíveis ao crédito, como a construção civil e o comércio de bens duráveis. A taxa de desemprego oscilou entre 8,3% e 8,4% nos últimos meses, indicando que o mercado de trabalho pode ter atingido um platô. Para os economistas, a manutenção do patamar é um sinal positivo, mas acende um alerta para os próximos meses, já que a atividade econômica tende a perder fôlego no primeiro semestre.
População ocupada e rendimento
Apesar da estabilidade na taxa de desemprego, o número de pessoas ocupadas no país atingiu a marca de 98 milhões de pessoas, um recorde da série histórica da PNAD Contínua. Esse dado indica que o mercado de trabalho brasileiro ainda está gerando vagas, mas em um ritmo insuficiente para absorver o crescimento da força de trabalho. O rendimento real habitual dos trabalhadores foi de R$ 2.901, apresentando alta de 2,2% no trimestre. Esse avanço é explicado, em grande medida, pelo reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 1.212 para R$ 1.302 em janeiro, e pelas negociações salariais em diversas categorias que conseguiram repor as perdas inflacionárias. A massa de rendimentos totalizou R$ 278,8 bilhões, também um recorde da série. O aumento da massa de rendimentos é um fator crucial para sustentar o consumo das famílias e a atividade econômica como um todo.
O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado cresceu 1,1% no trimestre, totalizando 36,8 milhões de vínculos formais. Este crescimento, embora modesto, é significativo por representar uma recuperação consistente do emprego formal, que havia sido fortemente impactado pela crise sanitária. O setor público também manteve estabilidade. Já o trabalho por conta própria, que havia explodido durante a pandemia como alternativa ao desemprego, recuou levemente, sinalizando uma migração gradual de trabalhadores para vagas com carteira assinada.
Informalidade e desalento
A taxa de informalidade no Brasil ficou em 39,1% da população ocupada, o que representa 38,3 milhões de trabalhadores informais. Apesar da melhora no emprego formal, a informalidade ainda atinge um contingente expressivo de brasileiros que operam sem a proteção da legislação trabalhista e previdenciária, tornando-os mais vulneráveis a oscilações econômicas. A taxa de informalidade de 39,1% é inferior aos 40% registrados no mesmo trimestre de 2022, mas ainda é considerada elevada. A reforma trabalhista de 2017 e o crescimento de plataformas digitais de serviços são apontados como fatores que influenciam a composição do mercado de trabalho informal.
O número de trabalhadores desalentados — aqueles que desistiram de procurar emprego — foi de 4,1 milhões de pessoas, estável em relação ao trimestre anterior. O desalento é um indicador sensível ao ciclo econômico e sua estabilidade sugere que, por enquanto, não há uma deterioração significativa das expectativas em relação ao mercado de trabalho.
Contexto setorial e regional
No setor de serviços, que responde pela maior parte dos empregos no país, houve estabilidade na comparação trimestral, mas com crescimento em áreas como alojamento e alimentação. A construção civil manteve um ritmo positivo de contratações, impulsionada por obras privadas e programas habitacionais. Já a agricultura, que costuma ter sazonalidade, registrou leve recuo na ocupação. Regionalmente, as taxas de desemprego mais altas foram registradas no Nordeste, enquanto as mais baixas foram observadas no Sul. A concentração de empregos formais e a diversificação econômica explicam, em parte, as diferenças regionais.
Perguntas frequentes sobre a taxa de desemprego
O que é a PNAD Contínua? É a principal pesquisa domiciliar do Brasil, realizada pelo IBGE, que acompanha as flutuações do mercado de trabalho de forma contínua, produzindo indicadores mensais e trimestrais.
O que significa trimestre móvel? O trimestre móvel é uma janela de três meses que se move a cada mês. O trimestre encerrado em janeiro de 2023, por exemplo, coleta dados de novembro de 2022 a janeiro de 2023, permitindo uma visão mais atualizada e suavizando oscilações mensais.
Qual a diferença entre desemprego e informalidade? O desemprego é a parcela da força de trabalho que está sem trabalho e procurou por ele. A informalidade é uma característica do trabalho, indicando vínculos não formais. Uma pessoa pode estar ocupada na informalidade e não ser contada como desempregada.
O que influencia a taxa de desemprego? Diversos fatores, como o crescimento do PIB, a taxa de juros (Selic), a inflação, os investimentos públicos e privados, e as políticas de geração de emprego e renda.
A manutenção da taxa de desemprego em 8,4% é um dado positivo no curto prazo, mas o cenário para os próximos meses requer cautela. A desaceleração da economia global, os juros ainda elevados e as incertezas fiscais são desafios que podem impactar o mercado de trabalho. Acompanhar os próximos levantamentos da PNAD Contínua será fundamental para entender a trajetória do emprego no Brasil em 2023.