A NASA anunciou nesta sexta-feira (19) a seleção da Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos, para desenvolver o módulo lunar que será utilizado na missão Artemis V, prevista para ocorrer no final da década de 2020. A decisão marca um novo capítulo na competição espacial comercial, colocando a Blue Origin como segunda fornecedora de sistemas de pouso lunar, ao lado da SpaceX, que já havia sido escolhida para as missões Artemis III e IV.

Contexto da escolha da Blue Origin

A trajetória da Blue Origin no programa Artemis não foi linear. Em 2021, a NASA concedeu à SpaceX um contrato exclusivo de US$ 2,9 bilhões para desenvolver o módulo lunar Starship para a missão Artemis III. A Blue Origin contestou a decisão, apresentando protestos ao Government Accountability Office (GAO) e posteriormente entrando com uma ação judicial. Após a derrota na Justiça, a empresa de Jeff Bezos continuou a desenvolver seu módulo lunar por conta própria, até que a NASA decidiu abrir uma nova concorrência para um segundo módulo lunar, o que culminou no anúncio de maio de 2023. A agência espacial justificou a decisão de ter dois fornecedores como uma estratégia para aumentar a redundância, a segurança e a frequência das missões, além de promover a competição saudável entre as empresas.

Blue Moon Mark 2: o novo módulo lunar

O Blue Moon Mark 2 é um módulo de pouso de grande porte, capaz de transportar astronautas e cargas da órbita lunar até a superfície da Lua. O projeto é liderado pela Blue Origin em parceria com a "National Team", um consórcio que reúne empresas como Lockheed Martin (responsável pelo veículo de ascensão), Draper (sistemas de navegação e guiamento), Boeing (estágio de descida e sistemas de propulsão), Astrobotic (sistemas de pouso de precisão) e Honeybee Robotics (sistemas de manipulação de cargas). O módulo se destaca por sua capacidade de pousar com alta precisão em regiões lunares de interesse científico, especialmente no polo sul da Lua, onde se planeja explorar recursos como gelo de água. A Blue Origin afirma que o Blue Moon Mark 2 terá espaço suficiente para a tripulação realizar experimentos e preparar a superfície para futuras missões de longa duração.

Comparação com a Starship da SpaceX

A SpaceX, com sua Starship, já está desenvolvendo o primeiro módulo lunar do programa Artemis. Enquanto a Starship é um veículo massivo, com capacidade de transportar dezenas de toneladas de carga e servir como uma estação de superfície, o Blue Moon Mark 2 é projetado para ser um módulo complementar, com foco em pousos de precisão e missões científicas específicas. A NASA enxerga as duas abordagens como complementares: a Starship para missões de grande escala e estabelecimento de infraestrutura, e o Blue Moon Mark 2 para missões mais ágeis e diversificadas. A convivência dos dois sistemas permitirá à agência flexibilidade na exploração lunar e reduzirá a dependência de um único fornecedor.

A missão Artemis V e os próximos passos

A Artemis V está prevista como parte da segunda fase do programa Artemis, que visa o retorno humano sustentável à Lua. Antes dela, as missões Artemis I (não tripulada) e Artemis II (tripulada sem pouso) servirão para testar os sistemas da cápsula Orion e do foguete SLS. As missões Artemis III e IV utilizarão a Starship da SpaceX para o pouso lunar. Com a Artemis V, a NASA planeja enviar quatro astronautas à Lua, dos quais dois descerão à superfície a bordo do Blue Moon Mark 2 por cerca de seis dias. A missão incluirá atividades extraveiculares, coleta de amostras e experimentos científicos. A data exata ainda não foi confirmada, mas as estimativas apontam para 2029 ou 2030, dependendo do cronograma de desenvolvimento dos novos sistemas.

Impacto para a exploração espacial

A escolha da Blue Origin representa um marco importante para a comercialização do espaço e para o programa Artemis. Ter dois fornecedores de módulos lunares aumenta a robustez do programa e incentiva a inovação. Além disso, a competição pode contribuir para a redução de custos a longo prazo. Jeff Bezos, em comunicado, celebrou a decisão, afirmando que a Blue Origin está pronta para "ajudar a NASA a estabelecer uma presença humana permanente na Lua". A comunidade científica também vê com bons olhos a diversificação dos meios de acesso à superfície lunar, o que pode acelerar descobertas e preparar o terreno para futuras missões tripuladas a Marte, objetivo final do programa Artemis.

Principais pontos sobre a seleção da Blue Origin

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual o valor do contrato da NASA com a Blue Origin?

O contrato é de US$ 3,4 bilhões para o desenvolvimento do módulo lunar Blue Moon Mark 2.

Como se chama o módulo lunar da Blue Origin?

O módulo lunar se chama Blue Moon Mark 2.

Por que a NASA escolheu duas empresas para construir módulos lunares?

Para garantir redundância, segurança e estimular a competição, tendo mais opções para o pouso na Lua e assegurando o progresso do programa Artemis.

Quando está prevista a missão Artemis V?

A previsão é para o final da década de 2020, possivelmente entre 2029 e 2030.

Qual a diferença entre o Blue Moon Mark 2 e a Starship?

Enquanto a Starship da SpaceX é um veículo de grande porte focado em infraestrutura e transporte de cargas pesadas, o Blue Moon Mark 2 é um módulo de pouso de precisão, projetado para missões científicas e exploração do polo sul lunar. Ambos serão complementares no programa Artemis.

A Blue Origin já tinha um contrato com a NASA para pouso lunar?

Não. A Blue Origin havia perdido o primeiro contrato do programa Human Landing System (HLS) em 2021 para a SpaceX. Após recursos e ações judiciais, a NASA abriu nova concorrência para um segundo módulo lunar, que resultou na seleção da Blue Origin em 2023.