A NASA anunciou em 19 de maio de 2023 que selecionou a Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos, como a segunda fornecedora de um módulo lunar para o programa Artemis. A decisão estabelece que a Blue Origin desenvolverá o Blue Moon Mark 2 (MK2) para transportar astronautas à superfície da Lua a partir da missão Artemis V, prevista para o final da década.
Competição no programa Artemis
Até então, a SpaceX era a única contratada para fornecer um sistema de pouso humano (HLS) com sua nave Starship, selecionada em 2021 para as missões Artemis III e IV. A NASA sempre manifestou o desejo de ter ao menos dois fornecedores concorrentes para aumentar a segurança, reduzir custos e estimular a inovação. Em 2022, a agência lançou a solicitação de propostas para o Sustainable HLS, permitindo que outras empresas concorressem.
A Blue Origin, que havia perdido a primeira seleção para a SpaceX em 2021 e posteriormente contestou a decisão, apresentou uma proposta baseada no projeto Blue Moon. Desta vez, a empresa conseguiu convencer a NASA com um design maduro e uma equipe industrial sólida, formada por parceiros como Lockheed Martin, Draper, Boeing e Astrobotic.
Blue Moon Mark 2: a aposta da Blue Origin
O Blue Moon MK2 é um módulo lunar de grande porte, capaz de transportar até 30 toneladas de carga na descida. Diferente do Starship, que utiliza um design monocasco e pouso vertical com flaps, o Blue Moon possui uma estrutura mais modular e utiliza motores BE-7 movidos a hidrogênio e oxigênio líquidos. O módulo foi projetado para pousar com precisão nas regiões polares da Lua, onde há luz solar contínua e possíveis depósitos de gelo.
A Blue Origin já vinha testando componentes do BE-7 e realizando simulações de voo. O contrato da NASA, no âmbito do Option A do Sustainable HLS, prevê o desenvolvimento, testes e uma missão de demonstração não tripulada antes do primeiro pouso tripulado.
Implicações para o ritmo do programa Artemis
A entrada da Blue Origin como segundo fornecedor reduz a dependência exclusiva da SpaceX e oferece à NASA maior flexibilidade no cronograma. Caso um dos sistemas enfrente atrasos significativos, o outro pode manter o programa em andamento. Além disso, a competição tende a impulsionar melhorias técnicas e redução de custos a longo prazo.
No entanto, ainda existem desafios técnicos e orçamentários. O desenvolvimento do Blue Moon exigirá testes extensivos e a adaptação do veículo ao Sistema de Lançamento Espacial (SLS) e à cápsula Orion, que transportarão a tripulação até a órbita lunar.
Principais pontos sobre a escolha
- A Blue Origin foi selecionada como segunda fornecedora de módulo lunar para o programa Artemis, após processo competitivo.
- O módulo Blue Moon Mark 2 será projetado para transportar astronautas e carga até a superfície lunar.
- A primeira missão tripulada utilizando o Blue Moon está prevista para ocorrer na Artemis V, atualmente planejada para 2029 ou 2030.
- A SpaceX continuará como fornecedora primária para as missões Artemis III e IV com o Starship.
- O contrato é do tipo fixed-price com marcos de desempenho, seguindo o modelo adotado pela NASA.
- A Blue Origin lidera a equipe National Team, que inclui Lockheed Martin, Draper, Boeing e Astrobotic.
Perguntas frequentes sobre a escolha da Blue Origin
Por que a NASA escolheu uma segunda empresa para o módulo lunar?
A NASA busca redundância e concorrência no programa Artemis. Ter dois fornecedores diferentes reduz riscos de atraso e promove inovação, além de potencialmente baratear o custo por missão no longo prazo.
Qual é o valor do contrato com a Blue Origin?
O valor específico não foi divulgado publicamente no anúncio. O contrato é da modalidade fixed-price com pagamentos baseados em marcos de desenvolvimento cumpridos.
Quando a Blue Origin levará astronautas à Lua?
A primeira missão tripulada com o Blue Moon está prevista para a Artemis V, atualmente programada para meados de 2029 ou início de 2030, dependendo do cronograma geral do programa e do desenvolvimento do veículo.
O Blue Moon substituirá o Starship da SpaceX?
Não. O Starship continuará sendo usado nas missões Artemis III e IV, e a NASA pretende utilizar ambos os módulos de forma complementar em missões futuras.