O governador da Flórida, Ron DeSantis, oficializou sua candidatura à presidência dos Estados Unidos em 24 de maio de 2023, em uma transmissão ao vivo no Twitter Spaces ao lado de Elon Musk. O movimento marcou uma estreia inédita na política americana e acirrou ainda mais a disputa pela indicação republicana. DeSantis, que já era apontado como o principal rival de Donald Trump nas primárias, apostou em uma estratégia digital ousada para anunciar sua entrada na corrida eleitoral de 2024.
O lançamento no Twitter Spaces
A transmissão ao vivo começou com mais de 20 minutos de atraso após falhas técnicas que derrubaram o áudio repetidas vezes. Milhares de usuários tentaram acessar a conversa, que acabou sendo reiniciada diversas vezes antes de estabilizar. O evento simbolizou tanto a aposta de DeSantis em uma estratégia digital inovadora quanto os riscos de depender de uma plataforma ainda instável para eventos ao vivo de grande escala. Musk, que participou como anfitrião, minimizou os problemas e afirmou que o Twitter estava "sobrecarregado" pelo volume de acessos. Durante a conversa, DeSantis abordou suas principais propostas e criticou a administração Biden, enquanto Musk declarou simpatia pelo campo republicano sem endossar explicitamente o candidato.
A trajetória política de Ron DeSantis
Nascido em Jacksonville, Flórida, em 1978, DeSantis formou-se em História pela Universidade de Yale e em Direito pela Harvard Law School. Serviu como assessor jurídico na Marinha dos Estados Unidos e foi eleito para a Câmara dos Representantes em 2012, onde integrou o conservador Freedom Caucus. Em 2018, foi eleito governador da Flórida por uma margem estreita de pouco mais de 30 mil votos, após uma campanha marcada pelo forte apoio de Donald Trump. Em 2022, conquistou a reeleição com uma vitória expressiva de quase 20 pontos percentuais — a maior margem para um candidato a governador na história do estado —, convertendo a Flórida de um estado-pêndulo em um bastião republicano.
Durante seu mandato, DeSantis tornou-se um nome nacional ao adotar políticas conservadoras emblemáticas. Ele proibiu mandatos de vacinas no estado, restringiu o ensino sobre identidade de gênero e orientação sexual nas escolas com a lei conhecida como "Don't Say Gay", endureceu leis de imigração e assumiu uma postura confrontadora com empresas como a Disney. Essas medidas geraram tanto apoio entre conservadores quanto críticas de grupos de direitos civis e organizações progressistas.
A rivalidade com Donald Trump
DeSantis e Trump mantiveram uma relação de aliados nos primeiros anos. Trump apoiou DeSantis na campanha para governador em 2018 e chegou a chamá-lo de "um grande governador". No entanto, com o crescimento da projeção nacional de DeSantis, os dois passaram a competir pelo mesmo eleitorado conservador. Trump passou a atacar o governador com frequência crescente, chamando-o de "desleal" e usando apelidos como "Ron DeSanctimonious". Em suas redes sociais, Trump alegou que DeSantis deveu sua carreira política ao apoio do ex-presidente e que sem ele "não teria sido eleito".
Pesquisas de opinião ao longo de 2023 mostravam Trump liderando as intenções de voto entre republicanos, com DeSantis em segundo lugar. A distância entre os dois variou ao longo dos meses, com alguns levantamentos apontando DeSantis numericamente mais próximo em estados como Iowa e New Hampshire. A rivalidade expôs uma divisão no Partido Republicano entre a base leal a Trump e os eleitores abertos a uma alternativa mais jovem e igualmente conservadora.
Plataforma e propostas de campanha
A campanha de DeSantis baseou-se em uma agenda conservadora focada no combate ao que ele classifica como "ideologia woke". Na educação, defendeu a proibição do ensino de teorias raciais críticas e da discussão sobre identidade de gênero nas escolas. Na economia, propôs cortes de impostos, desregulamentação e incentivos ao setor energético, com ênfase na exploração de petróleo e gás natural. Na política externa, adotou uma linha dura contra a China e apoiou o envio de recursos à Ucrânia — posição que o diferenciava de Trump. Na imigração, defendeu o endurecimento das políticas de fronteira, a retomada da construção do muro e o fim do programa de liberdade condicional humanitária. DeSantis também prometeu combater a inflação, reduzir o tamanho do governo federal e nomear juízes conservadores.
Reações ao anúncio
O lançamento da candidatura gerou reações imediatas no cenário político americano. Trump criticou DeSantis em sua rede social, Truth Social, chamando-o de "um governador medíocre" e alegando que ele "não tem o que é preciso para ser presidente". Apoiadores de DeSantis destacaram sua vitória na reeleição na Flórida como prova de sua viabilidade eleitoral em um estado que antes era considerado um campo de batalha decisivo. Analistas políticos apontaram que DeSantis enfrentava o desafio de conquistar eleitores republicanos sem alienar moderados e independentes necessários para vencer uma eleição geral. Entre os doadores republicanos, DeSantis era visto como uma alternativa viável a Trump, com uma arrecadação robusta de mais de US$ 20 milhões nos primeiros meses de campanha.
Perspectivas para a corrida eleitoral
Com a entrada de DeSantis na corrida, o Partido Republicano passou a ter dois nomes de peso disputando a indicação. Além de Trump e DeSantis, outros candidatos como Nikki Haley, Mike Pence, Tim Scott e Chris Christie também anunciaram suas candidaturas. As primárias republicanas prometiam ser as mais concorridas em décadas. DeSantis apostou em uma campanha focada em seus resultados como governador e em uma mensagem de renovação geracional. Trump, por sua vez, contou com sua base fiel e com a nostalgia de seu mandato, além de utilizar as acusações judiciais contra ele como combustível político. O primeiro teste importante foi o caucus de Iowa, onde Trump obteve uma vitória esmagadora, consolidando sua posição de favorito e colocando em xeque a viabilidade da candidatura de DeSantis.
Perguntas frequentes
Ron DeSantis oficializou sua candidatura à presidência dos Estados Unidos em 24 de maio de 2023, durante uma transmissão ao vivo no Twitter Spaces.
A escolha fez parte de uma estratégia digital inovadora para alcançar eleitores diretamente, gerar engajamento nas redes sociais e evitar a mediação da imprensa tradicional. A parceria com Elon Musk também conferiu visibilidade global ao lançamento.
Embora ambos tenham posições conservadoras, DeSantis adotou uma postura mais linha-dura em temas culturais e educacionais, como a proibição do ensino sobre identidade de gênero nas escolas. Na política externa, DeSantis apoiou fortemente a Ucrânia, ao contrário da posição mais ambivalente de Trump. Na economia, ambos defenderam cortes de impostos, mas DeSantis enfatizou a desregulamentação e a independência energética.
Pesquisas iniciais mostravam Trump à frente, mas DeSantis mantinha uma base sólida de apoio entre conservadores e doadores republicanos. Sua vitória esmagadora na reeleição na Flórida em 2022 era vista como evidência de sua viabilidade eleitoral, embora a força da base de Trump nas primárias tenha se mostrado superior ao esperado.
Trump atacou DeSantis publicamente, chamando-o de "desleal" e "medíocre", e alegou que o governador devia sua carreira política ao apoio que recebeu do ex-presidente em 2018. A rivalidade entre os dois marcou as primárias republicanas de 2024.