O Senado Federal aprovou um projeto que destina parte dos recursos do Sistema S para a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já anunciou que deve vetar a proposta, gerando um impasse entre o Legislativo e o Executivo sobre a destinação de verbas parafiscais.
O Projeto de Lei
O texto aprovado pelos senadores altera a legislação que rege as contribuições ao Sistema S, permitindo que um percentual da arrecadação seja direcionado à Embratur. A justificativa apresentada pelos autores do projeto é a necessidade de aumentar a competitividade do turismo brasileiro no mercado internacional, setor que ainda busca se recuperar plenamente dos efeitos da pandemia.
O Sistema S é um conjunto de instituições privadas mantidas por contribuições sociais das empresas, incluindo entidades como SENAI, SESI, SENAC, SESC e SEBRAE. Atualmente, esses recursos são integralmente aplicados em formação profissional, assistência social e consultoria empresarial.
Votação no Senado
A aprovação ocorreu de forma simbólica no plenário, sem a contagem nominal de votos, mas com amplo debate. A base governista se dividiu: parte dos senadores apoiou a medida como uma forma de fortalecer o turismo sem impactar diretamente o orçamento fiscal, enquanto outros seguiram a orientação do governo contra o projeto. A oposição, em sua maioria, votou a favor.
Relatores da matéria destacaram que a Embratur precisa de recursos previsíveis e robustos para planejar campanhas de médio e longo prazo. "O turismo é um dos motores da economia brasileira e precisa de investimento contínuo", justificou um dos parlamentares favoráveis ao texto.
Posição do Governo Lula
O presidente Lula prometeu vetar o projeto caso ele chegue ao Palácio do Planalto. A justificativa oficial, defendida pela equipe econômica e pela Advocacia-Geral da União (AGU), é de que o projeto desvirtua a finalidade constitucional dos recursos do Sistema S, que são vinculados a áreas específicas como educação e assistência social.
"As entidades do Sistema S têm um propósito definido em lei. Retirar recursos delas para outras finalidades pode ser considerado inconstitucional e cria um precedente perigoso para o orçamento público", teria argumentado o presidente em reunião com líderes partidários. O governo busca alternativas para reforçar o orçamento da Embratur sem recorrer a essa medida.
Reações dos Setores Envolvidos
A Embratur comemorou a aprovação no Senado. Em nota, a agência destacou que os recursos extras permitirão a realização de mais ações de promoção do Brasil no exterior, como participação em feiras internacionais e campanhas publicitárias.
Já as entidades que compõem o Sistema S se posicionaram fortemente contra o projeto. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a proposta como "equivocada" e alertou para o risco de desmonte das atividades de formação profissional. Representantes do setor argumentam que o desvio de recursos comprometerá a qualidade dos serviços prestados à população.
Especialistas em direito orçamentário divergem sobre a legalidade da medida. Enquanto uns defendem o veto presidencial para preservar a segurança jurídica, outros apontam que o turismo é tão estratégico quanto a indústria e merece uma fatia dos recursos.
Próximos Passos
O projeto de lei segue agora para a sanção presidencial. Caso Lula efetivamente vete o texto, total ou parcialmente, o veto será submetido à apreciação do Congresso Nacional, que pode mantê-lo ou derrubá-lo por maioria absoluta em sessão conjunta de deputados e senadores.
Aliados do governo tentam negociar uma alternativa de financiamento para a Embratur que evite o conflito jurídico e político. Enquanto isso, o setor turístico acompanha atento os próximos movimentos do Palácio do Planalto.
Perguntas Frequentes
- O que é o Sistema S?
- É o conjunto de instituições privadas de interesse público mantidas por contribuições sociais das empresas. Exemplos: SENAI (indústria), SENAC (comércio), SESI (saúde), SESC (cultura e lazer) e SEBRAE (pequenas empresas).
- O que é a Embratur?
- A Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo é responsável por atrair turistas estrangeiros e divulgar os destinos brasileiros no exterior.
- Qual o valor dos recursos que seriam repassados?
- O texto aprovado no Senado não especifica um valor nominal, mas prevê a destinação de um percentual da arrecadação das contribuições sociais ao Sistema S.
- O que acontece se Lula vetar o projeto?
- O veto presidencial volta para o Congresso Nacional, que pode derrubá-lo por maioria absoluta dos votos de deputados e senadores. Se for mantido, a lei não entra em vigor.
- Quando a medida começaria a valer?
- Depende do trâmite. Se aprovada sem vetos, a lei entra em vigor na data de sua publicação oficial.