Após meses de queda, as internações por Covid-19 voltaram a crescer nos hospitais privados da cidade de São Paulo, conforme levantamento da Folha de S.Paulo. O movimento é atribuído principalmente à circulação de novas subvariantes da Ômicron e à redução da imunidade na população que não tomou as doses de reforço. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para a necessidade de retomar cuidados básicos, como uso de máscaras em locais fechados e ventilação adequada.
O cenário atual
Dados do sistema de saúde paulista indicam que a taxa de ocupação de leitos para Covid-19 em hospitais privados subiu nas últimas semanas, embora ainda esteja longe dos picos da pandemia. A maioria dos pacientes internados apresenta quadros moderados a graves, exigindo suporte de oxigênio. A alta, no entanto, não se reflete com a mesma intensidade nos hospitais públicos, o que sugere um perfil específico de pacientes com acesso à saúde privada.
Por que as internações estão aumentando?
O infectologista Roberto Oliveira, do Hospital Sírio-Libanês, explica que a combinação de fatores como o relaxamento do uso de máscaras, a volta de grandes eventos e a baixa adesão aos reforços vacinais contribuiu para o cenário. "A imunidade conferida pelas vacinas diminui com o tempo, e as novas variantes são mais transmissíveis", afirmou. Ele reforça que a vacina bivalente oferece proteção contra as cepas circulantes, mas a cobertura ainda é baixa entre os adultos. A testagem insuficiente também mascara o verdadeiro número de casos.
Perfil dos pacientes
Segundo a Folha, a maioria dos internados tem mais de 60 anos ou apresenta comorbidades como diabetes e doenças cardiovasculares. Entretanto, também há registros de adultos jovens sem comorbidades que não completaram o esquema vacinal. A média de permanência hospitalar gira em torno de 5 a 7 dias, e a taxa de mortalidade entre os internados permanece estável, graças à vacinação prévia e aos tratamentos disponíveis como antivirais.
A importância da vacinação
A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir formas graves da Covid-19. As vacinas disponíveis no Brasil, incluindo a bivalente, são seguras e atualizadas para as variantes em circulação. O Ministério da Saúde recomenda que todos os adultos tomem uma dose de reforço a cada ano, especialmente idosos, gestantes e imunocomprometidos. A baixa adesão à dose de reforço é uma das causas apontadas para o aumento atual de internações. Postos de saúde em todo o estado estão aplicando a vacina diariamente.
Prevenção e cuidados
Diante do aumento, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo recomenda que a população complete o ciclo vacinal e tome a dose de reforço anual. Além disso, é aconselhável usar máscara em locais fechados e mal ventilados, especialmente pessoas do grupo de risco. A testagem ao surgir sintomas gripais também é fundamental para evitar a propagação do vírus. As unidades de saúde mantêm testagem gratuita e distribuição de máscaras.
Reação das autoridades
O governo do estado de São Paulo anunciou a intensificação da campanha de vacinação nos postos de saúde e a distribuição de máscaras em unidades básicas. A prefeitura da capital também orienta as escolas e empresas a reforçarem a ventilação dos ambientes. Até o momento, não há previsão de novas restrições, mas a secretaria monitora os indicadores semanalmente para tomar decisões baseadas em dados.
Perspectivas para os próximos meses
Especialistas projetam que o número de internações pode continuar elevado nas próximas semanas, mas não deve levar a um colapso do sistema de saúde, graças à alta cobertura vacinal e à experiência adquirida durante a pandemia. A chegada do verão e das férias pode aumentar as aglomerações, o que exige atenção redobrada. A recomendação é manter os cuidados básicos e monitorar a evolução dos indicadores. A vacinação em massa continua sendo a principal ferramenta para evitar casos graves.