Entenda o surto de escarlatina em São Paulo

De acordo com reportagem do UOL, o estado de São Paulo registrou um aumento expressivo de casos de escarlatina, com os surtos crescendo cerca de nove vezes em comparação com o período anterior. A doença, que afeta principalmente crianças, voltou a acender o alerta das autoridades sanitárias. A escarlatina é uma infecção bacteriana que, se não tratada, pode levar a complicações sérias.

Especialistas apontam que o aumento pode estar relacionado à redução da exposição ao estreptococo durante a pandemia de COVID-19, quando medidas de isolamento e uso de máscaras diminuíram a circulação de diversos patógenos. Com o retorno às atividades normais e o contato mais próximo em escolas e creches, a população infantil passou a ter contato com a bactéria novamente, sem a imunidade natural que normalmente seria adquirida ao longo dos anos.

O que é escarlatina

A escarlatina é uma infecção bacteriana causada pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A). Os sintomas incluem febre alta (acima de 38 °C), dor de garganta intensa, dor de cabeça, náuseas e uma erupção cutânea característica que se espalha pelo corpo. A erupção tem textura áspera, semelhante a uma lixa, e geralmente aparece 1 a 2 dias após o início da febre. Outros sinais incluem a “língua em framboesa” (língua vermelha e inchada) e gânglios linfáticos aumentados no pescoço.

A transmissão ocorre por gotículas respiratórias liberadas ao tossir ou espirrar, ou pelo contato direto com secreções nasais. O período de incubação varia de 2 a 5 dias. A doença é mais comum em crianças de 5 a 15 anos, mas pode ocorrer em adultos.

Características da erupção cutânea

A erupção da escarlatina começa geralmente no peito e no abdômen, espalhando-se para outras partes do corpo. Ela é composta por pequenas manchas vermelhas que se parecem com lixa ao toque. A erupção tende a ser mais intensa nas axilas, cotovelos e virilhas. Após cerca de uma semana, a pele pode descamar, especialmente nas pontas dos dedos, similar ao que ocorre após outras infecções estreptocócicas.

Língua em framboesa

Um sinal clássico é a língua vermelha e inchada, com papilas salientes, dando a aparência de uma framboesa. Esse sintoma aparece por volta do quarto ou quinto dia de doença e é um importante indicador para o diagnóstico clínico.

Aumento expressivo em São Paulo

Segundo a reportagem do UOL, os casos de escarlatina em São Paulo tiveram um salto de aproximadamente nove vezes. Dados da Secretaria Estadual da Saúde indicam que as notificações cresceram rapidamente a partir de meados de 2023, com maior concentração em regiões metropolitanas. O aumento repentino levou as autoridades a reforçar a vigilância epidemiológica.

O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Países como Reino Unido e Estados Unidos também relataram aumento de infecções estreptocócicas após a pandemia de COVID-19. Especialistas apontam que o distanciamento social e o uso de máscaras reduziram a circulação de patógenos nos últimos anos, criando uma “dívida imunológica”. Com o relaxamento das medidas, a população voltou a se expor a agentes infecciosos com menor proteção.

Tratamento e prevenção

O tratamento da escarlatina é feito com antibióticos, sendo a penicilina a primeira opção. Para pacientes alérgicos, podem ser usados eritromicina ou outros macrolídeos. O tratamento deve durar 10 dias, mesmo com melhora dos sintomas, para evitar recaídas e complicações como febre reumática (que pode prejudicar o coração) e glomerulonefrite (inflamação renal).

Além disso, recomenda-se repouso, hidratação abundante e medicamentos para reduzir febre e dor (paracetamol ou ibuprofeno, sempre com orientação médica).

A prevenção inclui medidas de higiene: lavar as mãos com frequência, não compartilhar objetos pessoais, cobrir a boca ao tossir e espirrar e evitar contato próximo com pessoas infectadas. Crianças com escarlatina devem ficar em casa até que estejam sem febre e tenham completado pelo menos 24 horas de tratamento antibiótico. Ambientes ventilados também ajudam a reduzir a transmissão.

Complicações possíveis

Quando não tratada adequadamente, a escarlatina pode evoluir para complicações graves:

  • Febre reumática: inflamação que pode afetar articulações, coração e sistema nervoso. Surge semanas após a infecção estreptocócica não tratada.
  • Glomerulonefrite pós-estreptocócica: inflamação dos rins que pode causar urina escura, inchaço no rosto e hipertensão. Geralmente aparece 1 a 2 semanas após a infecção.
  • Otite média, sinusite e pneumonia: infecções bacterianas secundárias.

O tratamento precoce com antibióticos reduz drasticamente o risco de complicações. Por isso é fundamental procurar atendimento médico ao surgirem os sintomas.

Resumo dos principais pontos

  • Aumento de cerca de 9 vezes nos casos de escarlatina em SP.
  • Doença bacteriana que atinge principalmente crianças de 5 a 15 anos.
  • Sintomas principais: febre alta, dor de garganta intensa, erupção cutânea áspera e “língua em framboesa”.
  • Tratamento com antibióticos (penicilina) por 10 dias.
  • Prevenção baseada em higiene e isolamento de doentes.
  • Complicações podem ser evitadas com tratamento antibiótico adequado.
  • Não há vacina disponível; prevenção depende de medidas não farmacológicas.

Perguntas frequentes

O que causa escarlatina?

A escarlatina é causada pela bactéria Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A). Ela produz toxinas que provocam a erupção cutânea característica.

A escarlatina é contagiosa?

Sim, altamente contagiosa. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e contato direto com secreções. O período de incubação é de 2 a 5 dias, e o indivíduo pode transmitir a doença antes mesmo dos sintomas.

Qual a diferença entre escarlatina e faringite comum?

A escarlatina é uma infecção estreptocócica mais grave, que inclui a erupção cutânea. A faringite estreptocócica comum não apresenta erupção, mas pode ser igualmente contagiosa.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é principalmente clínico, baseado nos sintomas. Pode ser confirmado com teste de garganta (cultura ou teste rápido) para detectar o estreptococo.

Existe vacina?

Não há vacina disponível contra o estreptococo do grupo A. A prevenção depende de medidas não farmacológicas e tratamento precoce.

É possível pegar escarlatina mais de uma vez?

Sim, embora raro. A bactéria Streptococcus pyogenes produz vários tipos de toxinas, e a infecção por um tipo não confere imunidade contra outros. Portanto, uma pessoa pode ter escarlatina mais de uma vez se for infectada por uma cepa diferente.

Escarlatina pode afetar adultos?

Embora seja muito mais comum em crianças de 5 a 15 anos, adultos também podem contrair escarlatina, especialmente se tiverem contato próximo com crianças infectadas. Os sintomas são semelhantes, mas podem ser mais intensos.