No primeiro turno das eleições presidenciais argentinas, realizado em 22 de outubro de 2023, o candidato liberal Javier Milei foi o mais votado em 20 das 23 províncias do país. Apesar de ter vencido na maioria dos distritos, Milei ficou atrás em termos de votos totais, com cerca de 30% dos votos, contra 36% do peronista Sergio Massa, que venceu nas províncias de Buenos Aires, Formosa e Santiago del Estero. Com isso, os dois candidatos disputaram o segundo turno em 19 de novembro, no qual Milei saiu vitorioso, tornando-se presidente eleito com 55,7% dos votos válidos.

Contexto das eleições argentinas de 2023

A Argentina foi às urnas em outubro de 2023 em meio a uma grave crise econômica, com inflação anual acima de 120%, aumento da pobreza e desvalorização da moeda. O cenário criou um terreno fértil para candidatos anti-establishment como Javier Milei, economista e deputado liberal, que prometia dolarizar a economia, fechar o Banco Central e cortar gastos públicos. Seus principais adversários foram Sergio Massa, ministro da Economia e candidato peronista, e Patricia Bullrich, do Juntos por el Cambio, que representava a centro-direita tradicional. A campanha foi marcada por debates acalorados e uma polarização incomum, com Milei conquistando especialmente o eleitorado jovem e de regiões interioranas, descontentes com a política tradicional.

Resultados detalhados por província

Milei obteve vitórias expressivas em 20 províncias, incluindo Córdoba, Santa Fe, Mendoza, Tucumán, Entre Ríos, Salta, Misiones, Corrientes, Chaco, Chubut, Jujuy, La Pampa, La Rioja, Neuquén, Río Negro, San Juan, San Luis, Santa Cruz, Tierra del Fuego e a capital Buenos Aires. Em Córdoba, por exemplo, Milei superou 40% dos votos, refletindo o forte apoio no interior agrícola. Já na província de Buenos Aires, a mais populosa do país, Massa obteve cerca de 41% dos votos, o que lhe garantiu a liderança no total nacional. Nas províncias de Formosa e Santiago del Estero, Massa também venceu, mantendo a tradicional força peronista no norte argentino. A vitória territorial de Milei foi histórica: nunca um candidato de direita liberal havia conquistado tantas províncias em uma eleição presidencial argentina.

A análise dos resultados por região mostra que Milei teve melhor desempenho no centro e no sul do país, regiões com forte produção agrícola e pecuária, onde o descontentamento com as políticas do governo Kirchner era mais acentuado. Nas províncias do norte, mais dependentes de programas sociais, Massa manteve vantagem. Essa divisão geográfica ilustra a polarização entre o interior produtivo e a periferia dependente do Estado.

O segundo turno e a vitória de Milei

O segundo turno, realizado em 19 de novembro, foi precedido por uma intensa campanha. Milei recebeu o apoio de Patricia Bullrich, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno com cerca de 23% dos votos, embora parte de sua coligação — especialmente os setores mais moderados — tenha declarado neutralidade ou apoio a Massa. No entanto, o apoio de Bullrich foi crucial para Milei ampliar sua base. Nas semanas entre os turnos, Milei moderou parcialmente seu discurso, tentando atrair eleitores de centro. Massa, por sua vez, tentou associar Milei ao caos econômico e à falta de experiência. No final, Milei venceu com 55,7% dos votos contra 44,3% de Massa, uma diferença de quase 11 pontos percentuais, surpreendendo muitas pesquisas que apontavam empate técnico.

A vitória de Milei representou a primeira vez na história argentina que um candidato liberal de direita chega à presidência por meio de eleições democráticas desde o início do século XX. Seu discurso de combate à inflação, redução do Estado e liberdade econômica ressoou fortemente entre os argentinos cansados da crise crônica.

Reações e impactos

O resultado das eleições gerou reações imediatas nos mercados financeiros. As ações argentinas em Wall Street subiram, e o risco-país caiu, refletindo expectativas de reformas econômicas. Internacionalmente, líderes como Jair Bolsonaro e Donald Trump parabenizaram Milei, enquanto governos de esquerda, como o do Brasil e da Colômbia, mantiveram cautela. Milei nomeou uma equipe econômica liberal, com promessas de cortar gastos, unificar o câmbio e eliminar barreiras comerciais. No entanto, a falta de maioria no Congresso impõe desafios para a aprovação de suas reformas mais ambiciosas.

A transição de governo foi tranquila, com Massa entregando o cargo a Milei em 10 de dezembro. Nos primeiros meses de mandato, Milei implementou um ajuste fiscal severo, com desvalorização do peso e corte de subsídios, gerando controvérsias mas também algum avanço no controle da inflação. O impacto político da vitória de Milei também se fez sentir na região, inspirando movimentos liberais em outros países latino-americanos.

Fatos rápidos sobre as eleições

  • Javier Milei venceu em 20 das 23 províncias argentinas no primeiro turno.
  • Sergio Massa venceu em três províncias: Buenos Aires, Formosa e Santiago del Estero.
  • Milei obteve cerca de 30% dos votos válidos (7,8 milhões), contra 36% de Massa (9,8 milhões).
  • Patricia Bullrich obteve aproximadamente 23% dos votos e apoiou Milei no segundo turno.
  • Participação eleitoral foi de aproximadamente 74%.
  • O segundo turno realizado em 19 de novembro de 2023 deu a vitória a Milei com 55,7% contra 44,3% de Massa.
  • Milei assumiu a presidência em 10 de dezembro de 2023.

Perguntas frequentes

Quantos votos Javier Milei obteve no primeiro turno?

Milei recebeu cerca de 7,8 milhões de votos, equivalentes a 29,9% dos votos válidos, ficando em segundo lugar atrás de Massa.

Em quais províncias Sergio Massa venceu?

Massa venceu na província de Buenos Aires, Formosa e Santiago del Estero, que juntas concentram grande parte do eleitorado argentino, especialmente a província de Buenos Aires, que sozinha representa cerca de 37% do eleitorado.

Qual foi a participação eleitoral?

Compareceram às urnas cerca de 74% dos eleitores habilitados, uma participação considerada dentro da média histórica argentina.

Milei realmente venceu o segundo turno?

Sim, no segundo turno em 19 de novembro de 2023, Javier Milei foi eleito presidente com 55,7% dos votos, derrotando Sergio Massa por uma margem confortável.

Por que Milei teve tanto apoio no interior?

O interior argentino, especialmente as províncias agrícolas, sente fortemente os efeitos da inflação e da intervenção estatal. Milei prometeu reduzir impostos e eliminar restrições cambiais, o que atraiu produtores rurais e empresários. Além disso, seu discurso contra a “casta política” encontrou eco em regiões historicamente peronistas mas desiludidas com os resultados dos governos Kirchner.

O que esperar do governo Milei?

O governo Milei implementou um programa de ajuste fiscal e reformas liberais, com foco no equilíbrio das contas públicas, na desregulamentação econômica e na abertura comercial. No entanto, a falta de maioria no Congresso exige negociações constantes. Os primeiros meses foram marcados por medidas impopulares, como o corte de subsídios e a desvalorização cambial, mas também por uma redução da inflação mensal. O futuro dependerá da capacidade de articular alianças políticas e de manter o apoio popular.