Uma cidade de Mato Grosso do Sul já iniciou a vacinação contra a dengue, antes do lançamento oficial do calendário nacional. A imunização antecipada faz parte de uma estratégia do Ministério da Saúde para conter o avanço da doença, que tem preocupado autoridades sanitárias em todo o país. A campanha nacional está prevista para começar nos próximos meses, mas ainda sem data oficial confirmada. A medida reflete a urgência do combate ao mosquito Aedes aegypti e a necessidade de proteger a população antes do período sazonal de maior incidência da doença.

Cenário da dengue no Brasil em 2024

O Brasil enfrenta um cenário epidemiológico desafiador, com aumento significativo de casos de dengue nos últimos anos. Em 2023, o país registrou mais de 1,6 milhão de casos prováveis, e a tendência para 2024 é de continuidade, especialmente com a circulação simultânea dos quatro sorotipos do vírus. A doença tem se espalhado por todas as regiões, e o sistema de saúde pública tem se preparado para possíveis surtos. A vacinação em massa é vista como uma ferramenta crucial para reduzir hospitalizações e óbitos.

Como funciona a vacina contra a dengue?

A vacina disponível no Brasil é a tetravalente, produzida pelo laboratório Takeda, conhecida como Qdenga. Diferente da vacina anterior (Dengvaxia), a Qdenga pode ser aplicada em pessoas que nunca tiveram contato com o vírus, sem o risco de aumentar a gravidade de futuras infecções. O esquema vacinal é composto por duas doses, administradas com intervalo de três meses. A eficácia comprovada contra os quatro sorotipos, especialmente contra formas graves da doença, é de aproximadamente 80%.

A vacina utiliza o vírus atenuado da dengue, que estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos sem causar a doença. Após a aplicação, o corpo desenvolve memória imunológica, que pode proteger por vários anos. Estudos mostram que a proteção se mantém robusta ao longo de pelo menos 4 anos e meio após a vacinação.

Por que a cidade de MS iniciou a vacinação antes?

O município sul-mato-grossense foi escolhido como um dos polos prioritários devido ao alto índice de casos de dengue registrados na região nos últimos meses. A imunização antecipada tem como objetivo proteger a população local e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde, que frequentemente enfrenta superlotação durante surtos da doença. A iniciativa também serve como modelo para a expansão gradual da campanha para outras cidades do estado e do país. A escolha levou em conta critérios epidemiológicos, como a incidência de casos, a capacidade de armazenamento e distribuição das doses e a logística de vacinação.

Calendário nacional de vacinação: etapas e público-alvo

O Ministério da Saúde anunciou que a campanha nacional de vacinação contra a dengue será dividida em etapas, seguindo a disponibilidade de doses fornecidas pelo fabricante. Inicialmente, serão vacinadas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue no Brasil. A expectativa é que a imunização seja ampliada progressivamente para outras faixas etárias, conforme a disponibilidade de doses. O calendário oficial completo deve ser divulgado nas próximas semanas, mas a estimativa é que a vacinação em massa tenha início ainda no primeiro semestre de 2024, começando por regiões de maior incidência.

A distribuição para os estados segue o plano nacional, e cada estado organiza a vacinação nos seus municípios de acordo com as orientações do Ministério. As cidades com maior número de casos, como as do Mato Grosso do Sul, têm prioridade na remessa de doses.

Pontos principais sobre a vacinação

  • A vacina contra a dengue é segura e eficaz, recomendada para pessoas de 4 a 60 anos.
  • São necessárias duas doses com intervalo de três meses.
  • A vacina não é indicada para gestantes, lactantes e pessoas com imunossupressão.
  • A vacinação não substitui as medidas de combate ao mosquito, como eliminação de criadouros e uso de repelentes.
  • A vacina Qdenga pode ser aplicada independentemente de exposição prévia ao vírus da dengue, ao contrário da vacina anterior.

Quem pode se vacinar e como?

A vacina está disponível gratuitamente no SUS para a população-alvo definida pelo Ministério da Saúde. Para se vacinar, é necessário apresentar documento de identidade e cartão de vacinação. As doses são aplicadas nas salas de vacinação das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). É importante estar em boas condições de saúde no momento da vacinação. Caso a pessoa esteja com febre ou sintomas de dengue, a recomendação é aguardar a recuperação antes de tomar a vacina.

Pessoas que já tiveram dengue podem se vacinar, mas é recomendado aguardar seis meses após a infecção para garantir uma resposta imune adequada. Quem não teve dengue também pode tomar a vacina com segurança.

Efeitos colaterais e cuidados após a vacinação

Como qualquer vacina, a Qdenga pode causar reações adversas, geralmente leves e passageiras. Os efeitos mais comuns incluem dor no local da injeção, febre baixa, dor de cabeça e fadiga. Em alguns casos, pode ocorrer dor muscular e mal-estar. Reações graves são extremamente raras. A recomendação é monitorar os sintomas nas primeiras 24 a 48 horas e, se necessário, utilizar analgésicos comuns sob orientação médica.

Não há contraindicação absoluta para a vacinação em pessoas saudáveis, mas é fundamental informar o profissional de saúde sobre qualquer condição preexistente. A vacina está contraindicada para gestantes, lactantes e pessoas com imunodeficiência congênita ou adquirida, incluindo aquelas em tratamento com imunossupressores.

Vacinação e prevenção combinadas

Embora a vacina seja uma poderosa ferramenta de prevenção, ela não elimina a necessidade de ações de controle do vetor. A combinação da vacinação com medidas tradicionais de combate ao Aedes aegypti é a estratégia mais eficaz para reduzir a transmissão da dengue. A população deve continuar eliminando recipientes que possam acumular água parada, como pneus, garrafas e vasos de plantas, além de usar repelentes e telas de proteção.

O Ministério da Saúde reforça que a vacina é uma camada adicional de proteção e que a responsabilidade de evitar a proliferação do mosquito é coletiva. A participação ativa da comunidade é essencial para o sucesso da campanha.

Perguntas frequentes

  • A vacina contra a dengue previne todos os sorotipos? Sim, a vacina disponível no Brasil protege contra os quatro sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4).
  • Quem já teve dengue pode se vacinar? Sim, mas é recomendado aguardar seis meses após a infecção para garantir uma resposta imune adequada.
  • A vacina causa efeitos colaterais? Os efeitos são geralmente leves e passageiros, como dor no local da injeção, febre baixa e mal-estar. Reações graves são raras.
  • O calendário nacional vai incluir todas as cidades? A princípio, a vacinação será expandida gradualmente, começando por municípios com maior incidência da doença. A previsão é que todas as regiões sejam contempladas ao longo do ano.
  • Preciso tomar a vacina mesmo já tendo tido dengue? Sim, pois a infecção não confere imunidade completa contra os outros sorotipos. A vacina amplia a proteção.
  • A vacina contra a dengue está disponível na rede privada? Sim, a Qdenga também pode ser encontrada em clínicas particulares, mas com custo. A vacinação pelo SUS é gratuita para os grupos prioritários.