A campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil em 2024 consolida a transição do modelo emergencial para uma estratégia de imunização de rotina. Com o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) e a redução significativa dos casos graves e óbitos, o Ministério da Saúde passou a tratar a vacinação contra o coronavírus de forma análoga à da influenza, com doses de reforço anuais direcionadas principalmente aos grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença. A principal novidade para 2024 é a atualização das vacinas para combater as novas subvariantes da Ômicron, como a XBB.1.5 e a EG.5 (Eris), que se tornaram predominantes no mundo. O objetivo é manter a proteção da população vulnerável e evitar o retorno de um cenário de sobrecarga do sistema de saúde.
Quem deve tomar a dose de reforço anual?
A diretriz do Programa Nacional de Imunizações (PNI) para 2024 é clara: a vacinação anual é prioritária para os grupos que historicamente mais se beneficiaram da proteção vacinal. A lista inclui:
- Pessoas com 60 anos ou mais;
- Imunossuprimidos (a partir de 5 anos);
- Gestantes e puérperas (independentemente do intervalo desde a última dose);
- Trabalhadores da saúde (pela maior exposição e pelo papel na manutenção do sistema);
- Pessoas com comorbidades (diabetes mellitus, hipertensão arterial, obesidade grau III, doenças cardiovasculares, doença renal crônica, cirrose hepática, etc.);
- Pessoas com deficiência permanente;
- Indígenas, quilombolas e ribeirinhos;
- População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional;
- Adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.
Para estes grupos, a recomendação é receber uma dose anual da vacina atualizada, preferencialmente durante o primeiro semestre, quando ocorre a campanha nacional de vacinação, simultaneamente à campanha de influenza. A meta é alcançar alta cobertura vacinal antes do inverno, período em que as doenças respiratórias costumam circular com mais intensidade. Mesmo quem já tomou todas as doses anteriores deve procurar um posto de saúde para receber o reforço anual.
Calendário de Vacinação 2024
Janeiro a Junho: Campanha nacional de vacinação contra a Covid-19. O foco principal é a administração da dose de reforço anual para os grupos prioritários. A campanha ocorre simultaneamente à vacinação contra a influenza, facilitando o acesso da população aos postos de saúde.
Julho a Dezembro: A vacinação continua de forma rotineira nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Neste período, a atenção está voltada para a atualização da caderneta de crianças de 6 meses a 5 anos que ainda não completaram o esquema primário (três doses para a maioria das vacinas pediátricas), além da aplicação da dose anual em pessoas prioritárias que perderam o prazo da campanha principal.
Reforço: A dose de reforço anual estará disponível durante todo o ano nos postos de saúde para o público prioritário. A orientação é que a dose seja tomada com um intervalo mínimo de seis meses desde a última dose recebida.
Vacinação de crianças e adolescentes
A vacinação de crianças continua sendo uma prioridade do PNI. O esquema vacinal para crianças de 6 meses a 5 anos de idade segue com a indicação de três doses, utilizando vacinas específicas autorizadas pela Anvisa. A Pfizer Baby (versão pediátrica da vacina de mRNA) é aplicada em bebês de 6 meses a 4 anos, enquanto a Butantan/Sinovac (vacina de vírus inativado) é utilizada para crianças de 3 a 5 anos. Crianças de 5 a 11 anos que já completaram o ciclo vacinal ou que nunca foram vacinadas devem receber o esquema de rotina com a vacina pediátrica atualizada.
Adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades seguem o calendário de rotina com a vacina monovalente atualizada. A vacinação infantil é fundamental para reduzir a circulação do vírus e proteger as crianças contra a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) associada à Covid-19, uma condição rara, mas grave, que pode surgir semanas após a infecção.
Vacinas disponíveis
O Brasil dispõe de vacinas atualizadas para enfrentar as variantes em circulação. A Pfizer e a Moderna disponibilizam versões monovalentes da vacina de mRNA atualizadas para a linhagem XBB. Essas vacinas são recomendadas para maiores de 12 anos e para grupos prioritários, por induzirem uma resposta imune mais robusta contra as subvariantes predominantes.
O Instituto Butantan, em parceria com a Sinovac, também desenvolve novas formulações para o público infantil. A vacina da AstraZeneca, produzida pela Fiocruz, continua sendo utilizada para maiores de 18 anos como parte do esquema básico ou de reforço, embora as vacinas de mRNA sejam preferenciais para grupos prioritários devido à maior resposta imune contra variantes. A eficácia da vacina contra hospitalizações e óbitos permanece elevada, especialmente com as doses de reforço adequadas. É importante lembrar que o vírus continua evoluindo, e por isso as vacinas precisam ser atualizadas periodicamente para garantir a proteção da população.
Mitos e verdades sobre a vacina
- Posso tomar a vacina da gripe e da Covid-19 ao mesmo tempo?
- Sim. Estudos comprovam que a coadministração das vacinas é segura e eficaz, não havendo interferência na resposta imune.
- A vacina causa Covid-19?
- Mito. As vacinas disponíveis no Brasil não contêm o vírus vivo capaz de causar a doença. Elas utilizam tecnologia de mRNA, vetor viral (AstraZeneca) ou vírus inativado (Butantan).
- A vacina de mRNA altera o DNA humano?
- Mito. O mRNA das vacinas não entra no núcleo das células, onde o DNA está localizado. Ele atua no citoplasma para produzir a proteína Spike, que desencadeia a resposta imune, e depois é degradado pelo organismo. Não há integração com o genoma humano.
- Quem já teve Covid-19 precisa se vacinar?
- Sim. A imunidade natural adquirida pela infecção não substitui a proteção oferecida pela vacina, que é mais robusta e duradoura contra formas graves. A vacinação é recomendada para todos, respeitando um intervalo mínimo de 4 semanas após o início dos sintomas ou da confirmação do diagnóstico.
- As vacinas foram desenvolvidas muito rápido. Isso significa que não são seguras?
- Não. A rapidez no desenvolvimento se deu pelo investimento global sem precedentes, pelo avanço da tecnologia de mRNA que já vinha sendo estudada há anos e pela realização de fases de ensaio clínico de forma concomitante (sem pular etapas de segurança). Todas as vacinas aprovadas pela Anvisa passaram por rigorosos testes de eficácia e segurança.
- Grávidas podem tomar a vacina?
- Sim. A vacinação de gestantes é altamente recomendada e considerada segura, protegendo tanto a mãe quanto o bebê. Estudos demonstram que a vacina não aumenta o risco de complicações na gravidez e previne formas graves da doença, que podem ser particularmente perigosas durante a gestação.
- Preciso tomar vacina todo ano?
- Para os grupos prioritários, sim. A recomendação do Ministério da Saúde é de uma dose de reforço anual, seguindo o comportamento do vírus e a duração da resposta imune. A atualização anual da vacina, assim como ocorre com a gripe, permite proteger contra as variantes que estão em circulação naquele momento.
Importância da vacinação em 2024
Embora a Covid-19 não seja mais uma emergência global, o vírus continua circulando e causando adoecimento. A Covid longa, caracterizada por sintomas persistentes como fadiga intensa, falta de ar, tosse crônica e névoa cerebral (dificuldade de concentração), pode afetar pessoas de todas as idades, inclusive aquelas que tiveram quadros leves da doença. Manter a caderneta de vacinação em dia é a melhor forma de proteger a si mesmo e à comunidade, evitando o ressurgimento de ondas que possam sobrecarregar o sistema de saúde. A vacinação é um direito de todos e uma responsabilidade coletiva. As vacinas salvaram milhões de vidas no Brasil e continuam sendo a ferramenta mais eficaz para convivermos com o vírus de forma segura e responsável, protegendo os mais vulneráveis e construindo uma barreira imunológica sólida na sociedade.
Fonte: O POVO. Este conteúdo foi resumido pelo Astratu.